Com o espaço aéreo restrito nos Emirados Árabes Unidos (EAU), devido aos ataques do Irã às bases norte-americanas na região do Golfo Pérsico, a empresária goiana Nayara Araújo, de 34 anos, que estava em visita a Dubai juntamente com o marido, deixou o emirado nesta quarta-feira (4) por terra. O casal conseguiu cruzar a fronteira com Omã, onde conseguiu embarcar para Istambul (Turquia) e, de lá, seguiriam para o Brasil. “Até que enfim!”, publicou nas redes sociais ao chegar na capital turca.A jornada da empresária durou sete horas e foi compartilhada com seus seguidores pelas redes sociais. “A estrada é tranquila, mas a parte da burocracia na fronteira nos fez perder muito tempo”, diz.O voo de volta de Nayara e o marido estava marcado, inicialmente, para o próximo dia 7. “Ficamos acompanhando a situação dos voos e vimos que o nosso não sairia de lá tão cedo. Pelo andar das coisas, no mínimo, mais uma semana de espera para sair de lá”, explicou. Nayara explicou que, apesar do clima de tranquilidade vivenciado em Dubai, ela tinha medo da guerra escalar a qualquer momento. Também não podia ficar muito tempo longe da linha de produção de sua empresa. A ideia inicial da empresária era ir para Riad, na Arábia Saudita, o que acabou não dando certo. Após estudar as opções, o casal decidiu fretar um táxi e ir para a fronteira entre EAU e Omã, que fica a cerca de 140 quilômetros de Dubai. Eles enfrentaram fila para entrar no país vizinho, um dos poucos da região com o espaço aéreo liberado. No entanto, mesmo sem visto, teve a entrada autorizada. “Devido à situação, eles estão sendo flexíveis.”Passaporte carimbado, pegaram um ônibus para cruzar a fronteira. “Combinamos com um moço, que eu achei no Instagram, dele nos levar até o aeroporto”, conta. Do ponto combinado, o casal enfrentou mais três horas de carro para chegar até a capital de Omã, Mascate (ou Muscat).“O aeroporto de Muscat estava lotado, muitas pessoas dormindo pelo chão, pois já não tinha mais hotéis disponíveis na cidade. O preço das passagens estava nas alturas, mas iam esgotando super rápido”, relatou.Omã, para quem está nos Emirados Árabes Unidos (EAU), e Arábia Saudita, para EAU, Qatar, Barhein e Kwait, são as duas principais opções de rota de saída por terra. Nos dois países, os aeroportos estão um pouco mais distantes da mira de mísseis e drones iranianos e seguem operando, tendo ficado com o espaço aéreo fechado.Em períodos normais, Dubai tem dois voos diretos diários para o Brasil, um para São Paulo e outro para o Rio de Janeiro, em aviões que estão entre os mais confortáveis do mundo. A qualidade do serviço das companhias aéreas emirates é famosa e faz parte da experiência da viagem. Bem diferente do sufoco dos dias atuais.Após o sistema de liberações pontuais do espaço aéreo, o primeiro voo com destino ao solo brasileiro, com 500 pessoas, chegou nesta quarta-feira no aeroporto de Guarulhos, após uma viagem com duração de aproximadamente 15 horas. São os primeiros a retornarem dos Emirados desde o início do conflito, no último sábado (28). O Ministério das Relações Exteriores emitiu um alerta consular orientando brasileiros a evitarem viagens a 11 países do Oriente Médio, após o início do conflito militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Também divulgou um link para que os brasileiros no exterior façam um cadastro. De acordo com o portal consular, o cadastro de brasileiros no exterior é uma ferramenta fundamental para que embaixadas e consulados possam prestar informações, orientações e eventual assistência em situações emergenciais.