Quando Jerônimo Coimbra Bueno recebeu o diploma de Engenharia, com especialização em Urbanismo, pela Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, a decisão de realizar a obra que lhe tornaria notório estava sendo tomada. O ano de 1933 seria fundamental para Goiânia e para o homem que tocaria as obras de sua construção. “Ele cuidou de toda a execução naquele primeiro momento”, pontua o jornalista Hélio Rocha, que pesquisou sobre a vida do empreiteiro, que trabalhava ao lado do irmão, Abelardo Coimbra Bueno.

“Naqueles tempos, eram poucas as empresas que conseguiam aceitar esse tipo de encomenda. Mas os irmãos Coimbra Bueno se interessaram”, diz Hélio. Nascidos em Rio Verde, filhos de um poderoso comerciante e fazendeiro, havia ligações entre os engenheiros e o fundador da nova capital, que também começou sua vida política no sudoeste goiano. “Durante as obras, eles não receberam diversos pagamentos. Pedro Ludovico deu em troca amplas áreas de Goiânia para saldar os débitos. Áreas que são hoje, exatamente, os setores Coimbra e Bueno”, informa Hélio Rocha.

Jerônimo Coimbra Bueno foi nomeado para dirigir a Superintendência Geral de Obras de Goiânia em 1934 e a partir dali começou a trabalhar com o urbanista e arquiteto Attílio Corrêa Lima, contratado para desenhar o projeto da nova capital. Já no ano seguinte, os dois, que nunca se deram bem, se desentenderam de vez, fazendo Attílio abandonar o trabalho. Com isso, houve inúmeras modificações no plano urbanístico original, sendo o mais radical a construção do Setor Sul, já a cargo de outro profissional, Armando de Godoy.

Pesquisas feitas pela arquiteta Anamaria Diniz a respeito do trabalho de Attilio Corrêa Lima comprovaram que a empresa dos Coimbra Bueno, não se sabe ao certo por qual motivo, não observou diversas outras instruções na construção de prédios públicos, mudando fachadas e até o estilo arquitetônico de vários deles. Nessa briga já notória, os engenheiros saíram vencedores. Isso mostrava o poder que tinham na gestão Pedro Ludovico. Jerônimo e o irmão conquistaram, pouco tempo depois, a concessão da rodovia que ligaria Goiânia à região Sudeste do País.

Essa parceria foi rompida pela política. Coimbra Bueno foi um dos fundadores da União Democrática Nacional (UDN) em Goiás, legenda que era rival do Partido Social Democrático (PSD), de Pedro Ludovico. Com a queda do interventor a reboque do declínio do Estado Novo, a UDN ganhou força e Coimbra Bueno foi eleito governador em 1947, derrotando Juca Ludovico, que havia sido Secretário de Fazenda de Pedro. “Aquela vitória foi surpreendente”, comenta Hélio. Em seguida, Coimbra Bueno seria eleito duas vezes para ocupar uma cadeira no Senado.

Muito prestigiado politicamente e com experiência na construção de cidades, também coube a Coimbra Bueno dar os primeiros passos para que Brasília saísse do papel, ocupando o cargo de diretor-técnico da 3ª Comissão de Estudos e Localização da Nova Capital do Brasil, que traçou definitivamente o lugar onde o projeto de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa seria concretizado. Ele saiu da cena política por um longo período quando terminou seu segundo mandato de senador, em 1963. No regime militar, dedicou-se às atividades empresariais.

Mudando-se para o Rio de Janeiro, Coimbra Bueno ajudou a criar a Companhia Duratex, investiu na exploração de minérios e em iniciativas de estímulo às exportações. Nos anos 1980, seu escritório continuava a formular projetos urbanísticos. Alguns deles foram elaborados para Cuiabá, Curitiba, Cabo Frio e Petrópolis, entre outras. O engenheiro escreveu um trabalho explicando como foi realizado o Plano de Urbanização de Goiânia. Muitas das ruas que percorremos hoje em Goiânia e prédios históricos da cidade têm a assinatura dos construtores Coimbra Bueno.