Considerando a mortalidade por Covid-19 no Brasil com uma média diária de 200 casos, um número ainda alto e não tolerável, Wanderson Oliveira, ex-secretário de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde e atual secretário de serviços integrados de saúde do Supremo Tribunal Federal (STF) foi o convidado do segundo episódio do programa Chega pra Cá. Comandado pela jornalista Cileide Alves, o programa foi ao ar pelo Facebook, YouTube e site do Jornal O POPULAR na manhã desta terça-feira (23).

Entre os vários pontos destacados, a visão da pandemia por parte do Governo Federal que ele considerou “distorcida”, bem como a necessidade de entender que a pandemia ainda não acabou e que algumas medidas precisam continuar até que a vacinação avance ainda mais, incluindo menores de 12 anos.

No início da pandemia, no começo de 2020, Wanderson participava diariamente das entrevistas coletivas realizadas pelo Ministério da Saúde e televisionadas. Ele deixou o cargo em maio de 2020 e a exoneração aconteceu inclusive em uma data simbólica, no dia do aniversário da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz). Primeiro enfermeiro a assumir um cargo no primeiro escalão no Ministério da Saúde, ele é mestre e doutor em epidemiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e possui especializações na Universidade John Hopkins e no Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Geórgia, ambos nos Estados Unidos, além da Universidade de Brasília e EpiSUS.

Durante a entrevista, o epidemiologista defendeu o início da vacinação das crianças a partir de cinco anos, seja com o imunizante da Pfizer ou com a Coronavac, alertando, inclusive, que a tecnologia de vírus inativado – usada pelo Butantan - é, historicamente, adequada e bem aceita por crianças. É a mais convencional, mais antiga e utilizada desde 1950 para várias vacinas como raiva e poliomielite.

Dessa forma, Oliveira criticou a decisão do governo federal de não priorizar para 2022, a produção nacional de vacinas Coronavac. “É um equívoco, uma decisão política e não técnica”. Afirmou ainda que considerando que 36% da população brasileira tem menos de 12 anos e, portanto, não possui vacinação já autorizada, ainda não é o momento de sentir alívio ou pensar que a pandemia está no fim. Para ele, é preciso considerar que crianças se contaminam e transmitem, ainda que tenham menos histórico de morte e internação.

A entrevista completa, você confere a seguir: