Setenta e cinco indígenas da aldeia Santa Isabel, localizada na Ilha do Bananal, no Tocantins, testaram positivo para a Covid-19. Os exames foram realizados na tarde de quarta-feira, 5, conforme o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei). Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), a aldeia tem uma população de 846 indígenas. 

Até o momento, conforme dados do Boletim Epidemiológico do Dsei-Tocantins, divulgado ontem, 1.284 indígenas contraíram o vírus, 1.263 conseguiram se recuperar da doença e 11 morreram. Neste documento de quarta-feira, indica apenas nove novos casos da doença. Esses dados não incluem os povos Karajá, que são acompanhados pelo Dsei-Araguaia, sediado em São Felix (MT).

Porém, dados da Saúde Indígena, do Ministério da Saúde, mencionam que no último boletim do Dsei-Araguaia, divulgado na quarta-feira, há 366 casos confirmados durante toda a pandemia, 359 se curaram e sete perderam a vida por complicações da doença. Os testes realizados ontem ainda não haviam sido inseridos no sistema da Saúde.  

A conselheira distrital de Saúde Indígena do Araguaia e também presidente da Associação Indígena do Vale do Araguaia  (ASIVA), Eliana Karajá, orientou à comunidade indígena que devido ao alto índice de casos positivos na aldeia, os cuidados devem ser redobrados neste período. 

A representante ainda alertou à comunidade indígena para o uso da máscara de proteção. “O importante é se prevenir contra a Covid-19. Já tivemos perdas de parentes nas aldeias irreparáveis, que nunca mais iremos ver. Então por favor, peço aos indígenas que utilizem a máscara, além de ter o cuidado de sempre se higienizar e se cuidar com o uso do álcool em gel. Se cuidem e cuidem das pessoas que vocês amam. Não visitem as aldeias nesta época de pandemia”, apelou. 

A presidente do Instituto Indígena do Tocantins (Indtins), Narubia Werreria, pertencente ao povo Iny Karajá, da Ilha do Bananal, externou ao Jto que a preocupação das lideranças em relação à saúde dos indígenas. Segundo ela, não há quaisquer políticas públicas dentro da Saúde Indígena (Sesai) ou mesmo por parte dos governos Federal e Estadual diante de uma nova onda de Covid-19 dentro das aldeias no Tocantins. 

Narubia ainda lamenta a falta de um trabalho de prevenção nas comunidades a respeito do perigo da doença e a importância da imunização para prevenção do vírus. “Acredito que a informação deveria chegar mais clara e adequada nas aldeias. O que vemos é uma campanha anti vacinação. E além de termos essas informações atravessadas, não há uma contra campanha por parte dos órgãos para levar a verdade aos povos e contra atacar essas fake news em relação à vacina. Essas informações falsas fizeram com que muitos indígenas não se vacinassem no Estado. Então estamos extremamente preocupados, porque segundo a ONU (Organização das Nações Unidas) somos um dos grupos mais vulneráveis nesta pandemia, até mesmo por questões socioeconômicas, pela dificuldade de acesso à Saúde, Educação”.