Já são seis as mulheres que afirmam terem sido vítimas de abusos sexuais cometidos pelo pastor Esney Martins da Costa, líder da igreja evangélica Renascendo para Cristo. Os primeiros três relatos, que já estavam sendo investigados, foram revelados em reportagem do Fantástico no domingo (1º). Na tarde de ontem (2) outras três mulheres procuraram a Defensoria Pública de Goiás (DPE) e apresentaram queixa contra o pastor. De acordo com a DPE, os novos relatos indicam que há uma tendência no comportamento do líder religioso. Os abusos, conforme as vítimas, começavam de maneira sutil e quando questionados, Esney afirmava que o ato fazia parte de um processo de cura. O pastor também alegava que “Deus estava ordenando” que ele agisse daquela forma para que elas conseguissem o que buscavam, mas quando era contrariado, o líder religioso dizia que iria orar para prejudicá-las. Entre as três primeiras vítimas está uma adolescente de 16 anos. A jovem relatou para os investigadores que começou a frequentar a igreja aos 15 anos. Após criar vínculo com o local, ela teria se afastado de familiares por orientação de Esney para se dedicar à rotina da igreja de forma quase exclusiva. Os abusos foram descobertos cerca de um ano após a jovem começar a frequentar o local, quando a família teve acesso ao celular dela e encontrou vídeos, áudios, imagens e textos da vítima e do pastor.Defensora pública, Gabriela Hamdan relata que há indícios de crime de estupro, importunação sexual, posse sexual mediante fraude, ameaça, lesão corporal, instigação ao suicídio, crimes de injúria e difamação. Segundo ela, as vítimas relataram que buscaram a igreja para superar traumas, mas devido à vulnerabilidade emocional acabavam sendo manipuladas e abusadas pelo religioso. A DPE diz que, por questão de segurança, não pode informar a idade das três mulheres que apresentaram denúncias nesta segunda.Para o Fantástico, uma das vítimas disse que Esney usou o discurso de “intérprete da vontade de Deus” para justificar os abusos. “Ele falava que era para o meu crescimento espiritual, que era pra eu crescer na vida. Ele às vezes confunde até a mente da gente em acreditar que o que ele faz vem de Deus”, afirmou uma das mulheres.Os inquéritos das três primeiras denúncias estão abertos na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam). O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), que deverá analisar a investigação para decidir se irá apresentar denúncia, informou que ainda não recebeu os inquéritos. De acordo com a Polícia Civil (PC) as investigações na Deam estão em fase de conclusão. Em nota, a advogada Rosângela Magalhães, que atua na defesa do pastor Esney, disse que o religioso já foi ouvido pela Deam e prestou as informações solicitadas e agora está à disposição da DPCA, onde foi aberta a investigação do caso da adolescente. A advogada diz que Esney ficará afastado das funções na igreja enquanto durar a apuração e está colaborando com as investigações.Igreja Fundada em 1999, a sede do templo foi transferida em janeiro deste ano da Avenida Assis Chateaubriand para a Rua R-11, ambos os endereços no Setor Oeste. A igreja tem pelo menos duas filiais, uma na cidade de Alto Paraíso de Goiás e outra no Setor Garavelo, em Aparecida de Goiânia. Os moradores do entorno da igreja sede dizem que o local tem movimento intenso de fiéis em todos os dias da semana. As reuniões diárias atraem públicos de diversos perfis, de diferentes faixas etárias e classes sociais. No novo endereço há cerca de sete meses, a igreja ainda destoa dos outros dois templos evangélicos que estão na mesma rua. Sem fachada indicando nome e horário de reuniões, o local desperta curiosidade, relata Thayse Araújo, que trabalha em um comércio da região. “Muita gente pergunta o que é, porque não tem o nome”, conta Thayse. Segundo a comerciante, pessoalmente ela lembra de ter visto Esney apenas duas vezes. O grande movimento de jovens na igreja chamou a atenção de Cristiano Santos, de 34 anos, que decidiu visitar o local há menos de um mês. “Eu fui bem recebido, mas lá dentro eu achei um pouco estranho. Existe uma parte de trás da igreja e muitos ficam lá isolados”, relata Cristiano, que afirma não ter tido vontade de voltar.Diferente do movimento relatado em outros dias, o local ficou vazio nesta segunda. Às 19 horas, horário marcado para a reunião, as luzes da igreja estavam apagadas. Não foi possível estabelecer contato com membros do templo. Uma mulher identificada como pastora da igreja, a mesma afirmou que não iria comentar o caso. -Imagem (Image_1.2295565)