O júri popular dos cinco acusados de matar o radialista Valério Luiz está marcado para 14 de março de 2022. A decisão é do juiz da 4ª Vara de Crimes Dolosos Contra a Vida, Lourival Machado da Costa. O documento anexado nesta quinta-feira (25) ao processo informa que todos serão julgados de uma vez, o que pode fazer com que o julgamento leve dias até ser finalizado. A família de Valério está confiante que, dessa vez, a data seja mantida.

Os réus neste caso são Ademá Figuerêdo Aguiar Filho, apontado como executor do crime; Djalma Gomes da Silva, que teria sido articulador junto de Urbano de Carvalho Malta e Marcus Vinícius Pereira Xavier. Já Maurício Borges Sampaio é apontado como mandante. A reportagem entrou em contato com os defensores dos réus e apenas o advogado Ricardo Naves, que defende Urbano, Djalma e Ademá, respondeu. Ele disse que existem questões que precisam ser corrigidas no processo e que realizar julgamento em conjunto prejudica o tempo de fala da defesa. “Entraremos com habeas corpus para corrigir isso.”

O filho do radialista, morto em 5 de julho de 2012 quando saída da Rádio Jornal 820, no Setor Serrinha, em Goiânia, Valério Luiz Filho diz que é marcante chegar a dez anos do crime sem que o primeiro julgamento tenha sido realizado. Ele afirma que todos da família estão com grande expectativa. “Esperamos que, antes de completar os dez anos, a gente tenha essa condenação em primeiro grau. Depois de tantos percalços a gente espera que não seja adiado mais uma vez.”

O julgamento será realizado no plenário do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), no Setor Oeste, em Goiânia, a partir de 8h30. “O panorama é que dessa vez o julgamento vai acontecer realmente. Esperamos que aconteça, porque ver a justiça realizada é o mínimo depois de tanto tempo e esforço. Meu avô Manoel (de Oliveira), infelizmente não está aqui para ver, mas tenho certeza que de onde ele estiver, ele está com essa expectativa também.”

Requerimentos

Entre os requerimentos do advogado Ricardo Naves, que defende Urbano, Djalma e Ademá, está a nulidade de um depoimento prestado por Marcus Vinícius em 27 de outubro de 2015 sem a presença dos outros réus e de seus defensores. O magistrado, no entanto, não considerou os argumentos e manteve o depoimento. Na decisão, o juiz Lourival diz que não houve mácula para o processo e que não houve interrogatório.

O juiz ainda argumenta que atendeu o pedido da defesa para que Marcus Vinícius fosse ouvido para que apresentasse as razões que o levaram a se mudar para outro país, sem comunicar e ter autorização da justiça. O propósito do pedido e os argumentos apresentados, segundo o magistrado, foram tão somente com a finalidade de revogação de sua prisão preventiva. Na ocasião, o Ministério Público manifestou-se favorável à audiência para oitiva de Marcus Vinícius.

Na mesma decisão, Lourival Machado da Costa diz ser improcedente o pedido para manutenção do desmembramento do processo. Ele diz que este é um ato do juiz e que não vê razões para tal. Ele argumenta que não comunga com as razões do antigo juiz deste processo, que havia optado pelo desmembramento, e que opta por manter o julgamento dos cinco acusados em conjunto.

 

Crime completará dez anos em julho

O jornalista e radialista Valério Luiz foi morto na tarde do dia 5 de julho de 2012, quando saía da Rádio Jornal 820, no Setor Serrinha, em Goiânia. Sete meses depois do crime a Polícia Civil concluiu a investigação e remeteu mais de 500 páginas para a Justiça, apontando que a motivação teria sido animosidade acirrada e ressentimento por parte de Maurício Sampaio por conta de comentários feitos por Valério. Em agosto de 2014, a Justiça decidiu que os cinco deveriam ser levados ao julgamento popular, decisão confirmada pelo TJ-GO e em abril de 2015.

O julgamento havia sido marcado, anteriormente, para 23 de junho de 2020, mas foi desmarcado por conta das regras de distanciamento, logo após decretada a pandemia da Covid-19. A previsão inicial era de que os julgamentos pudessem ser retomados a partir de agosto, o que não aconteceu. A nova data foi anunciada nesta quinta-feira (25) pelo juiz titular da 4ª Vara de Crimes Dolosos Contra a Vida, Lourival Machado da Costa. O processo já passou por três juízes e dois deles já declararam suspeição.

Primeiro, Antônio Fernandes de Oliveira. Depois o juiz Jesseir Coelho de Alcântara também alegou suspeição por conta das estruturas inadequadas dos salões dos tribunais. Com isso, o então presidente do TJ-GO, Walter Carlos Lemes, indicou Lourival Machado da Costa.