Atualizada às 13/06 às 9h.

Depois de adiamentos, está previsto para esta segunda-feira (13) o júri do caso Valério Luiz. A defesa do acusado de mandar matar o radialista chegou a pedir nova transferência de data, o que foi negado pelo juiz Lourival Machado da Costa. 

No último dia 6 de junho, o advogado do réu, Luiz Carlos Silva Neto, afirmou em entrevista coletiva à imprensa que não compareceria ao júri.  Ainda assim, o filho do radialista assassinado, Valério Luiz de Oliveira Filho, acredita que a defesa deve comparecer. “Se eventualmente se negarem a seguir, faço um apelo para que a Defensoria Pública cumpra seu dever legal.”

A audiência desta segunda-feira é uma continuação da que foi iniciada em 2 de maio, quando a defesa de Sampaio abandonou o plenário. O júri já foi adiado por causa da pandemia de Covid-19 e também porque o advogado que anteriormente defendia o acusado de encomendar o crime deixou o caso. 

Andamento
Além do pedido de novo adiamento, que foi negado na semana passada, a defesa de Sampaio explicou à imprensa no início de junho que iria entrar com uma notícia-crime contra o magistrado responsável pelo julgamento. A alegação é de que ele teria agido de má-fé na condução do depoimento de um dos réus. 

Neste caso, o comerciante Marcus Vinícius Xavier, que teria fornecido a moto usada pelo assassino e que confessou a participação dele e dos outros envolvidos. A reportagem procurou a defesa de Maurício Sampaio para pedir posicionamento sobre a audiência, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. 

Para Valério Luiz Filho, permitir que o júri novamente não prossiga é uma situação que classifica como absurda. “Não existe embasamento legal para isso que estão alegando contra o juiz”, pontua ao lembra da decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que arquivou a reclamação sobre a possível existência de uma inimizade entre o magistrado e Sampaio. 

O advogado Luiz Carlos Silva Neto também argumentou no início do mês que precisaria estar no dia 13 de junho no Rio de Janeiro para acompanhar audiência de instrução e julgamento de um policial militar. Entretanto, conforme O POPULAR já mostrou em reportagens anteriores, o advogado omitiu documentação que mostra que assumiu o caso no dia 31 de maio, quando as audiências estavam agendadas.

Incertezas
Para o filho da vítima, os recursos e tentativas de Sampaio para não ir a julgamento fazem a espera ser ainda mais difícil. “A gente fica pensando no que vai aparecer, porque sempre aparece alguma coisa e que não diz respeito sobre os fatos do processo. Nunca vieram com provas, mas artimanhas processuais.” 

Ao expor o caso em rede nacional, com reportagem no Fantástico, Valério acredita que dar luz ao assunto pode contribuir para que efetivamente a defesa pare de tentar impedir que o julgamento ocorra.

“O caso já é muito conhecido aqui e no âmbito de militância, mas realmente um programa de TV pode contribuir, porque as pessoas tendem a cometer artimanhas e desvios quando acham que não tem ninguém olhando”, finaliza.  

Crime 
O jornalista Valério Luiz de Oliveira foi morto aos 49 anos quando saía da emissora de rádio em que trabalhava, na manhã do dia 5 de julho de 2012, no Setor Serrinha, em Goiânia. 

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