Atualizada às 23h06O primeiro dia da operação reduzida em 20% pela Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) na região metropolitana de Goiânia teve linhas lotadas em terminais visitados pela reportagem.Apesar de um esvaziamento geral dos locais, algumas plataformas de embarque e desembarque continuaram com aglomeração de passageiros, especialmente depois das 17 horas. As linhas com o maior número de passageiros esperando na tarde desta quarta-feira (18) verificadas pelo POPULAR foram: 612 - Direto - Terminal Garavelo/Terminal da Bíblia; 020 - Terminal Garavelo/Terminal da Bíblia; 027 - Terminal Bandeiras/ Terminal da Bíblia - Via T-7; 400 - Circular - Via Independência; 008 - Terminal Veiga Jardim/ Rodoviária- Via 85 e 019 - Terminal Cruzeiro/ Terminal da Bíblia. Foram visitados os terminais da Praça da Bíblia, Isidória, em Goiânia, e o Terminal Cruzeiro, em Aparecida de Goiânia.A retirada de 220 ônibus de circulação teve como justificativa por parte da CMTC a diminuição entre 20% e 35% no fluxo de passageiros desde a última segunda-feira (16). A queda no número de usuários pagantes, considera o órgão, está associada às medidas adotadas pelo poder público para restringir a circulação de pessoas como estratégia de combate à proliferação do novo coronavírus (Covid-19). Uma das medidas, por exemplo, é a suspensão das aulas na rede pública.Integrante da 5ª Defensoria Pública Especializada de Atendimento Cível da capital, Tiago Bicalho afirma que vai avaliar minuciosamente a questão. “Se considerar que ela não é adequada, vou propor uma ação civil pública”, pontua.Nesta quarta-feira, o defensor assinou uma recomendação que pedia que o número de veículos não fosse reduzido, a fim de evitar aglomerações. No pedido da defensoria, foi requerido que a frota fosse, inclusive, aumentada nos horários de pico. O ofício pede ainda que sejam prestadas informações acerca da limpeza destes veículos e dos terminais. “Já recebi a resposta e ela será analisada de forma criteriosa”, enfatiza Bicalho.O defensor diz que antes de fazer o pedido, conversou com diversos usuários do transporte público que relataram que nos horários de pico os ônibus ainda estão cheios e muitas pessoas viajam em pé. “A redução dos ônibus não é um problema. A questão é a diminuição com um grande número de pessoas precisando do serviço”, diz. Bicalho enfatiza ainda que a pauta está sendo tratada como urgente devido a pandemia do novo coronavírus já ter chegado em Goiás. “Queremos dar um desfecho para esta situação o mais rápido possível, pois sabemos que a questão afeta diretamente a vida dos trabalhadores”, esclarece.DemandaO RedMob Consórcio informou que a expectativa é que nos próximos dias a redução de passageiros possa atingir patamares superiores a 50%, demanda que se aproxima da praticada nos domingos. Na última segunda-feira (16), a diminuição foi de 25%, se comparada com o dia 18 de março de 2019, também segunda-feira. Na última terça-feira (17), a queda já atingiu os 35% na comparação com a mesma terça-feira de março de 2019.Segundo o consórcio, na última terça-feira (17) foram registradas 345.234 validações na Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), uma queda de 35,77% na comparação com o dia 19 de março de 2019, também terça-feira, que teve 537.535 validações.Por meio de nota, a CMTC informou que recebeu o documento da Procuradoria Geral do Estado de Goiás nesta quarta-feira e que a partir das determinações estaduais e municipais “criou um Comitê de Análises formado pela CMTC, RedeMob Consórcio e operadoras para avaliação diária da demanda do transporte”. De acordo com a companhia, este trabalho tem sido feito desde a última segunda-feira, após a suspensão das aulas, e que a partir desta quinta-feira (19), com o fechamento de segmentos do comércio, “a redução no número de passageiros tende a ser maior e seguir em queda”.A companhia disse que “a determinação para as empresas é que a retirada de ônibus tenha menor porcentual ao da queda de demanda” e que “a retirada de ônibus deve seguir padrão de atendimento sem riscos à saúde e prejuízos aos usuários que necessitam de deslocamento.”Em relação a limpeza dos ônibus, a CMTC informou que “para as estações de embarque e desembarque, a determinação é para que as empresas redobrem a reposição de sabão, papel toalha e papel higiênico em sanitários” e que a partir desta quinta-feira será exigido que os ônibus sejam higienizados nos terminais antes de voltarem para a rua. Questionada sobre a aglomeração de pessoas nos horários de pico, a CMTC disse que a situação será verificada, uma vez que, a determinação da companhia é que não se reduza frota nas linhas de maior demanda nos períodos de pico. Passageiros reclamamOs usuários da rede de transporte público reclamam das aglomerações que enfrentam no transporte público. O POPULAR conversou com alguns passageiros e o maior medo é a contaminação pelo novo coronavírus (Covid-19).O vendedor de balas e chicletes, Romário Lima, de 38 anos, que comercializa os produtos informalmente dentro de ônibus e terminais, diz que o movimento varia ao longo do dia. “Eu não estou vendendo tão bem no fim da manhã e de tarde. Mas das 16h para frente o negócio tem estado igual”, diz o vendedor que tenta se proteger contra o coronavírus usando máscaras e luvas. Romário acredita que a diminuição do número de pessoas dentro dos ônibus é questão de saúde pública. “Ter pouco movimento para mim é ruim, mas estou acompanhando as notícias e sei que a doença é contagiosa. Ter tanta gente junta acaba piorando toda a situação. Hoje (quarta-feira, 18) mesmo eu vi um ônibus lotado até mesmo antes da catraca de manhã”, afirma.Já o aposentado, Raimundo Cruz, de 67 anos, conta que viu uma leve diferença no fluxo de pessoas dentro dos veículos. “Eu ando em muitos ônibus diferentes e vi que está tendo mais lugares para sentar. Porém, não costumo pegar nem muito cedo, nem no fim da tarde”, diz. A empregada doméstica, Vânia dos Santos, de 42 anos, que utiliza diariamente a linha 027, no Terminal da Bíblia, no Setor Leste Universitário, para ir trabalhar afirma que tem medo de ficar doente. “É complicado. Eu pego cedo e está bem cheio.Neste horário (14h30), já deu uma esvaziada”, explica. Ela conta que tenta se proteger usando luvas. “Eu não achei máscara para comprar, porém arrumei algumas luvas e estou jogando fora toda vez que desço do ônibus”, esclarece.Vânia diz que gostaria que o número de pessoas no transporte diminuísse. “Eu não tenho como deixar de ir trabalhar e fico com medo de estar doente e acabar passando para as crianças que tomo conta e também para a minha família. Podia usar só quem realmente precisa”, finaliza. IntermunicipalSobre a redução ou paralisação do transporte intermunicipal, a assessoria de imprensa da rodoviária de Goiânia informou que quem define o fechamento é a Agência de Regulação Goiana (AGR). Porém, a AGR disse que a decisão cabe ao governo do Estado, que informou que a diretriz sobre o funcionamento das rodoviárias de Goiás não entrou no último decreto assinado pelo governador Ronaldo Caiado (DEM). A reportagem tentou, por e-mail, entrar em contato com a Viação Araguarina, que faz o transporte das linhas Goiânia/Inhumas, Goiânia/Anápolis e Goiânia/Teresópolis, porém a mensagem não foi respondida. Em um dos guichês da empresa, funcionários afirmaram que o transporte continuaria funcionando normalmente até hoje e que o funcionamento a partir de amanhã (20) ainda está em definição. -Imagem (Image_1.2017693)