O juiz Lourival Machado da Costa, responsável pelo julgamento do caso Valério Luiz, determinou que seja investigada a conduta do jurado que quebrou o isolamento obrigatório e levou o júri a um novo adiamento. O magistrado quer saber as circunstâncias que levaram Sebastião de Paula Garcia Júnior a deixar o hotel em que estava e ir até em casa supostamente em busca de um medicamento. O jurado pode ser multado em até 10 salários mínimos caso seja constatada alguma irregularidade em sua conduta.

O júri contra os cinco réus acusados pela morte do jornalista Valério Luiz de Oliveira começou na manhã de segunda-feira (13) e precisou ser anulado após a dissolução do conselho de sentença, formado pelos jurados, após o magistrado constatar a falta cometida por Garcia Júnior. Uma nova data foi marcada para 5 de dezembro, e as quatro testemunhas interrogadas terão de ser ouvidas novamente. A previsão é que o julgamento dure ao menos três dias.

O POPULAR tentou entrar em contato com Garcia Júnior por meio de suas redes sociais, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. 

Quebra de isolamento

Garcia Júnior estava confinado em um hotel quando, na madrugada do dia 14, alegou ter sofrido uma intoxicação alimentar e, sem avisar o oficial de Justiça encarregado de manter a incomunicabilidade dos jurados, deixou o local e foi até a sua residência atrás de um medicamento. 

Em seu despacho, o juiz trata do fato como uma “grave ocorrência” e determinou que a Divisão de Inteligência Institucional do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) abra em caráter de urgência uma investigação “com relação à conduta” do jurado. 

Morte ocorreu há quase 10 anos

O jornalista esportivo Valério Luiz foi assassinado a tiros no dia 5 de julho de 2012, quando saía do trabalho, na Rua C-38, Setor Serrinha, em Goiânia. Ele estava dentro do próprio carro e foi baleado por um motociclista que passava pelo local.

Segundo a investigação, no dia 17 de junho de 2012, em meio aos comentários que a vítima fazia no programa Mais Esporte, ao falar a respeito de possível desligamento de Maurício Sampaio da diretoria do time, ele teria dito que “nos filmes, quando o barco está afundando, os ratos são os primeiros a pular fora”. Em represália, a diretoria do Atlético Clube Goianiense proibiu a entrada das equipes jornalísticas nas dependências do clube.

Depois disso, Maurício teria procurado os policiais militares Ademá Figueiredo, e Djalma da Silva, que contou com o auxílio de Urbano Malta para organizar o crime, que era próximo de Maurício. Djalma também teria convidado Marcus Vinicius para fazer parte do crime. De acordo com a investigação, ele, que era proprietário de um açougue, chegou a guardar a arma do crime no estabelecimento e o celular que seriam utilizados no homicídio. Os chips dos telefones utilizados na comunicação foram habilitados em nomes de outras pessoas.

Investigação e denúncia

O caso foi investigado pela Polícia Civil e em 26 de fevereiro de 2013, os cinco foram indiciados por homicídio. Um mês depois, eles também foram denunciados pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) pelo mesmo crime.

Julgamento já foi adiado quatro vezes

O júri é aguardado pela família do jornalista há quase 10 anos. Valério Luiz foi morto a tiros quando saía da rádio em que trabalhava, no Setor Serrinha, em Goiânia, no dia 5 de julho de 2012. Já é a quinta vez que o julgamento tem uma data remarcada e foi adiado por quatro vezes. 

O primeiro adiamento foi no dia 23 de junho de 2020, por conta da pandemia da Covid-19. Depois, em 14 de março de 2022, quando Ney Moura Teles  que era advogado de Sampaio deixou o caso. A situação foi vista, pelo MPGO, como manobra. 

O terceiro adiamento do julgamento de Valério aconteceu em 2 de maio de 2022, quando dois advogados abandonaram a sessão logo no início. O quarto adiamento foi este último, em 14 de junho de 2022, quando o jurado passou mal. 

Envolvidos no crime

O empresário Maurício Borges Sampaio, integrante da diretoria do Atlético Goianiense, é acusado de ser o mandante do crime, por não aceitar as críticas feitas pelo jornalista ao seu papel no time.

Também respondeu pelo crime o sargento reformado da PM Ademá Figueredo Aguiar, o sargento da PM Djalma Gomes da Silva, o empresário Urbano Malta, e o comerciante Marcus Vinícius Xavier.

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