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Dados de países avançados na vacinação contra a Covid mostram queda de internações e mortes

A rápida vacinação israelense coincidiu com um lockdown nacional que durou um mês (do começo de janeiro ao começo de fevereiro), o que certamente também ajudou a diminuir a transmissão do coronavírus Sars-CoV-2 no país

Folhapress
Dados de países avançados na vacinação contra a Covid mostram queda de internações e mortes

(Djavan Barbosa )

Os dados obtidos em países que estão conseguindo avançar na imunização em massa de suas populações contra a Covid-19 indicam que as vacinas disponíveis hoje são capazes de derrotar o coronavírus.

Em todos esses locais, quedas nas internações e mortes têm seguido mais ou menos o mesmo padrão, beneficiando de forma relativamente precoce e intensa os primeiros grupos de vacinados -em geral, os idosos. A diminuição de casos ainda não é tão clara, em parte porque nem todas as vacinas conseguem impedir a transmissão do vírus, mas também tem ocorrido.

Por enquanto, o exemplo mais impressionante é o de Israel, onde cerca de 80% dos habitantes já receberam pelo menos a primeira dose da vacina produzida pela empresa farmacêutica Pfizer (feito facilitado, em parte, pela população de apenas 9 milhões de habitantes). Desde o pico da pandemia no país em meados de janeiro de 2021, os casos de Covid-19 caíram 98%, e as mortes diminuíram 87%.

A rápida vacinação israelense coincidiu com um lockdown nacional que durou um mês (do começo de janeiro ao começo de fevereiro), o que certamente também ajudou a diminuir a transmissão do coronavírus Sars-CoV-2 no país. Mas uma nova análise, publicada na revista especializada Nature Medicine, conseguiu separar os efeitos positivos da restrição da circulação de pessoas daqueles trazidos pelas vacinas propriamente ditas.

Na pesquisa, os cientistas liderados por Eran Segal, do Instituto Weizmann de Ciência, apontam que o impacto do lockdown israelense deveria ser mais ou menos uniforme independentemente da faixa etária das pessoas e da localização geográfica (já que há pouca disparidade regional dentro do pequeno território de Israel).

Por outro lado, a vacinação, tal como no Brasil, seguiu prioridades de idade (sendo dada primeiro para os idosos, que correm risco maior de hospitalização e morte) e, além disso, algumas cidades de Israel receberam a imunização um pouco antes do que as demais. Esses dois fatores, portanto, poderiam funcionar como um "experimento natural" sobre a eficácia das vacinas, as quais começaram a ser ministradas no país no fim de dezembro de 2020.

Com base em dados recolhidos entre 28 de agosto de 2020 e 24 de fevereiro de 2021, os pesquisadores conseguiram comparar não só a situação das faixas etárias e cidades com e sem vacina como também os cenários de dois lockdowns diferentes (já que Israel já tinha implantado o isolamento em setembro de 2020).

Conforme o esperado, israelenses com 60 anos ou mais foram beneficiados antes e de maneira mais intensa no começo de 2021. Em comparação com pessoas entre 20 anos e 39 anos de idade, a proporção de testes positivos, indicando a infecção pelo Sars-CoV-2, caiu 45% nos mais velhos (contra 28% no grupo mais jovem); do mesmo modo, as internações de maiores de 60 anos caíram 68% (contra apenas 22% de redução no caso dos mais jovens).

Algo parecido, ainda que menos intenso, foi visto nas cidades onde a vacinação começou em ritmos diferentes. As que receberam a vacina primeiro tiveram uma queda de 88% nos casos e de 79% nas internações, contra 78% e 66%, respectivamente, nos locais onde a vacina chegou um pouco mais tarde.

Em sua conta no Twitter, Segal comemorou os resultados. "As vacinas praticamente erradicaram a Covid-19 em Israel, ao menos por enquanto", escreveu ele.

"São dados sólidos. O sinal principal da proteção [trazida pela vacina] é que os casos e a hospitalização para os grupos vacinados acima de 60 anos caem abaixo da curva esperada para o lockdown", diz o imunologista brasileiro Rafael Polidoro, pesquisador de pós-doutorado da Universidade de Indiana (EUA).

Um padrão parecido, ainda que com efeito menor sobre o número de casos, está se desenhando no Reino Unido (com 49% da população tendo recebido ao menos uma dose das vacinas) e nos EUA (39%). No caso britânico, o efeito positivo aconteceu de forma sequencial nas faixas etárias entre 90 anos e 60 anos, e já está sendo notado no grupo entre 50 anos e 60 anos.

Tudo indica que o efeito não está ocorrendo só graças à eficácia superior de vacinas de RNA (molécula "prima" do DNA), tecnologia empregada nas imunizações da Pfizer e também da empresa americana Moderna, a qual ultrapassa os 90% de eficácia. Os dados do Chile, país que já ofereceu ao menos a primeira dose de vacinação a cerca de metade de sua população adulta, também mostram redução de hospitalizações entre idosos, mesmo num cenário de aumento de casos, internações e mortes entre os mais jovens.

Cerca de 90% dos chilenos vacinados receberam a Coronavac, feita com vírus inativados, que também é a principal imunização contra a Covid-19 no Brasil. A proteção oferecida pela vacina é menor que as das vacinas de RNA (67% dos casos sintomáticos, segundo o governo chileno) e bastante modesta só com a primeira dose. Esses fatores, somados a poucas restrições na circulação dos chilenos no começo de 2021, provavelmente explicam os problemas recentes do país com a pandemia.

Tudo indica, portanto, que a estratégia que mais potencializa a eficácia populacional das vacinas é combinar programas de imunização rápidos com restrições fortes da mobilidade.

E é possível que, ao menos inicialmente, a vacinação contra a Covid-19 aconteça de forma anual, a exemplo da vacinação contra a gripe. "Antes da pandemia já havia a discussão de que seria importante termos uma vacina contra todos os coronavírus, e que essa vacina poderia ser anual", diz a imunologista Cristina Bonorino, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. "A memória que permite a proteção contra infecções durante a vida toda ainda é bastante misteriosa. Tenho certeza de que os especialistas em memória imune devem estar pensando em como conseguir isso no caso das vacinas contra Covid-19, mas não é algo que teremos de imediato."

"Os coronavírus mudam relativamente pouco com o passar do tempo, mas esse tempo pode ser acelerado se a transmissão continuar tão alta quanto no Brasil", alerta Polidoro. "Não é conveniente deixar a transmissão alta enquanto se vacina. Nesse caso, não podemos contar com a sorte."

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Covid 5 anos: pesquisadora da UFG diz que mais crises sanitárias mundiais virão

Médica infectologista Cristiana Toscano foi a única latino-americana a integrar comitê da OMS durante a pandemia. Hoje, faz balanço dos avanços e faz alertas

Durante a pandemia, Cristiana Toscano, do IPTSP/UFG, foi a única representante da América Latina em comitê da OMS sobre imunização

Durante a pandemia, Cristiana Toscano, do IPTSP/UFG, foi a única representante da América Latina em comitê da OMS sobre imunização (Douglas Schinatto / O Popular)

No auge da pandemia da Covid-19 , a médica infectologista Cristiana Toscano, docente do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da Universidade Federal de Goiás (IPTSP/UFG), foi a única latino-americana convidada a integrar o Comitê Global de Experts em Imunização da Organização Mundial da Saúde (Sage/OMS), do qual tornou-se membro permanente. Cinco anos depois, ela diz ao POPULAR que o momento é de resgatar aprendizados e de fazer um balanço dos avanços e das dificuldades do período. "Esses aprendizados podem nos ajudar, como sociedade, a nos preparar e minimizar o risco e o impacto de futuras pandemias."

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Cristiana Toscano esteve este mês em Genebra (Suíça) onde participou de reuniões da Sage/OMS para revisão das recomendações das políticas de saúde. "A questão principal é entender a importância das ações de uma instituição multilateral no contexto global de vacinação, de detecção de patógenos emergentes e de prevenção de pandemias. É preciso viabilizar a continuidade das ações da OMS." Em janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a saída do país da OMS. "Temos uma preocupação com a sustentabilidade de ações globais, como a erradicação da poliomielite e o controle do sarampo, mas outras fontes de financiamento devem surgir. É uma questão de reorganização", afirma a pesquisadora.

A cientista acredita que novas epidemias e pandemias são inevitáveis. "No Brasil, vivemos em 2024 a maior epidemia de dengue do País, tivemos a introdução da Mpox, grande aumento e disseminação da febre do Oropouche e novos focos de febre amarela com aumento significativo de casos. Globalmente, temos o evento de gripe aviária H5N1, já disseminada entre mamíferos e aves, com risco real de ser transmissível entre humanos", lembra. Cristiana Toscano reitera que, em contrapartida, há novas vacinas disponíveis e em desenvolvimento, como os imunizantes contra a dengue, contra o vírus sincicial respiratório e ainda contra a chikungunya, que deve ser licenciada em breve.

Para a pesquisadora, a Covid-19 matou muita gente no Brasil e no mundo, "mas o número poderia ter sido muito maior se não fossem as medidas de saúde pública e os desenvolvimentos científicos que avançaram rapidamente no período". A cientista ressalta que, para fazer frente aos desafios impostos por esses eventos, é necessário dar continuidade às estratégias e ações de monitoramento de riscos, prevenção, controle e combate a futuros eventos epidêmicos e pandemias para não reativar uma vez mais a crise sanitária. "Em um mundo globalizado, as estratégias de prevenção e controle de doenças requerem ações coordenadas e globais." Isso significa um sistema eficiente de monitoramento, de compartilhamento de informações, equipes treinadas e disponíveis, colaboração entre países e recursos financeiros.

"Ações de prevenção, como a vacinação, evitam milhões de mortes no mundo a cada ano. No entanto, seu impacto torna-se irrelevante se as vacinas não forem epidemiologicamente adequadas às populações que atendem, não forem aceitas pelas comunidades ou não forem efetivamente distribuídas por meio de programas rotineiros ou campanhas de imunização em massa. Os programas de imunização sempre enfrentaram ameaças -- desde a instabilidade política até a desinformação --, desafios que estão se tornando cada vez mais graves no cenário global atual", enfatiza Cristiana Toscano. A docente do IPTSP/UFG vai integrar o grupo de trabalho (GT) anunciado esta semana pelo Ministério da Saúde para elaborar propostas que ampliem a capacidade do País de enfrentar emergências de saúde pública.

No ano passado, Cristiana Toscano recebeu a Medalha de Mérito Oswaldo Cruz, a maior honraria na área da saúde, em reconhecimento à sua contribuição para a saúde pública brasileira. Em 2025, assumiu a coordenadoria do recém-criado Centro de Excelência em Tecnologia e Inovação em Saúde (Ceti-Saúde) da UFG. Um dos objetivos do GT do Ministério da Saúde é propor a criação de uma Agência de Inteligência em Emergências de Saúde Pública no Brasil, uma ideia defendida por vários cientistas, entre eles Cristiana Toscano. As propostas do GT serão apresentadas em relatório num prazo de 60 dias.

Gabriela Duarte, do IQ/UFG: responsável pelos testes rápidos para a Covid-19 em Goiás ( Wesley Costa / O Popular)

Gabriela Duarte, do IQ/UFG: responsável pelos testes rápidos para a Covid-19 em Goiás ( Wesley Costa / O Popular)

Fapeg investiu em estudos sobre a Covid-19

A ciência foi a grande protagonista da pandemia da Covid-19, maior crise sanitária mundial desde a gripe espanhola em 1918, que matou de 50 milhões a 100 milhões de pessoas -- o que seria 3% da população do planeta à época. Apesar das semelhanças entre as doenças, mais de cem anos depois, num mundo globalizado, estruturas acadêmicas e cientistas se mobilizaram com rapidez impressionante para conter o Sars-CoV-2 e suas variantes. Uma vacina eficaz surgiu em nove meses. As farmacêuticas Pfizer -- em parceria com a BioNtech -- e Moderna usaram o RNA mensageiro sintético (m-RNA), mecanismo que já era estudado. Em 2023, os criadores da fórmula, Katalin Karikó e Drew Weissman, receberam o Prêmio Nobel de Medicina.

No Estado, o movimento não foi diferente. Logo que a pandemia chegou, em 2020, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) fez uma Chamada Emergencial para buscar soluções pela ciência. Treze propostas foram aprovadas e outras três pelo Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS). Entre os estudos, dois coordenados por professoras doutoras da UFG: o que definiu o teste rápido RT-Lamp, tendo à frente Gabriela Mendes Duarte, do Instituto de Química (IQ); e o que sequenciou o genoma do vírus Sars-CoV-2 em circulação por Goiás, sob a responsabilidade de Mariana Pires de Campos Telles, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFG e também da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). Entre 2020 e 2024, a Fapeg financiou 27 projetos relacionados à Covid-19, superando R$ 2 milhões em investimento.

Público tem acesso a acervos digitais

As gerações futuras terão dificuldade para entender o que foi a pandemia da Covid-19. Desde que ela foi oficialmente anunciada, a OMS estima que o vírus Sars-CoV-2, causador da doença, provocou mais de 777 milhões de infecções e matou mais de 7 milhões em todo o mundo, embora especialistas acreditem que esse número possa ser muito maior. No Brasil foram mais de 700 mil mortes e em Goiás, em torno de 29 mil. O isolamento social obrigatório em razão da crise sanitária foi um golpe na saúde mental.

Em Goiás, gestores da Secretaria de Estado da Saúde elaboraram em 2022 o e-book Gestão e Inovação em Tempos de Pandemia -- Um relato da experiência à frente da SES-GO , em que detalham as estratégias adotadas para enfrentar o vírus devastador, um desafio gigantesco que exigiu esforço hercúleo e rendeu uma série de aprendizados. O trabalho tem acesso público pelo link: https://goias.gov.br/saude/wp-content/uploads/sites/34/2024/01/Ebook-5-versao-atualizada.pdf.

Em nível nacional, o Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) lançou este mês o Acervo da Pandemia de Covid-19 , um repositório digital gratuito e aberto ao público, que reúne um extenso conjunto de materiais que, segundo a instituição, evidenciam condutas e discursos negacionistas de agentes públicos e privados durante a pandemia de covid-19 no Brasil (2020-2022). O projeto tem parceria com a Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico Brasil), com o Centro de Estudos de Direito Sanitário da Universidade de São Paulo (Cepedisa/USP), com o grupo de mídia independente Camarote da República e com o podcast Medo e Delírio em Brasília.

O SoU_Ciência é um grupo de pesquisa multidisciplinar cadastrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), sediado na Unifesp. O projeto Acervo da Pandemia contou com a participação de pesquisadores e estudantes das universidades federais de São Paulo e do Rio de Janeiro (Unifesp e UFRJ) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que integram o SoU_Ciência.

A Universidade Federal de Goiás (UFG) contribui com o Acervo da Pandemia por ter apoiado o desenvolvimento do software livre Tainacan pelo Laboratório de Inteligência de Redes da Universidade de Brasília (UnB) utilizado no projeto. O Tainacan, que nasceu também com o suporte do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia e do Instituto Brasileiro de Museus, é muito usado para a gestão e compartilhamento de acervos.

Para acessar o Acervo da Pandemia : https://acervopandemia-souciencia.unifesp.br/

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Ex-secretário de Saúde de Pires do Rio que furou fila da vacina da Covid é condenado a pagar R$ 30 mil por danos morais

A esposa dele e um casal também foram vacinados mesmo não fazendo parte do grupo prioritário, segundo o Ministério Público de Goiás. Cabe recurso da decisão

Assis Silva Filho, ex-secretário de Saúde de Pires do Rio

Assis Silva Filho, ex-secretário de Saúde de Pires do Rio (Reprodução/Redes sociais)

O ex-secretário de Saúde de Pires do Rio, Assis Silva Filho, foi condenado a pagar R$ 30 mil por danos morais coletivo por furar a fila da vacina contra a Covid-19 em 2021. Segundo o Ministério Público de Goiás (MP-GO), a esposa dele e um casal também foram vacinados mesmo não fazendo parte do grupo prioritário. Cabe recurso da decisão.

Este valor atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, sendo suficiente para compensar o dano e atender ao caráter pedagógico da medida", diz um trecho do acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO).

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O POPULAR entrou em contato com a defesa de Assis, por e-mail enviado às 13h25, para pedir um posicionamento sobre o caso, mas não obteve retorno.

De acordo com a ação civil pública proposta pelo MP-GO, ao determinar as imunizações, o ex-secretário "agiu em desrespeito com os planos nacional e estadual de imunização que vigoravam naquela ocasião em razão da pandemia".

Isso porque a primeira fase da vacinação no município era destinada exclusivamente aos profissionais da saúde que atuavam na linha de frente do combate à Covid-19, idosos institucionalizados e funcionários de instituições de longa permanência para idosos e nenhum dos vacinados por ordem do ex-secretário se enquadrava nestes critérios.

O valor inicial da indenização era de R$ 50 mil, mas foi reduzido no julgamento do recurso no dia 12 deste mês seguindo o voto da relatora, desembargadora Roberta Nasser Leone.

Relembre o caso

O caso aconteceu em janeiro de 2021 e ganhou notoriedade quando Assis publicou um vídeo pedindo desculpas por ter determinado a vacinação da esposa, que não fazia parte dos grupos prioritários conforme determinação do Ministério da Saúde. "Peço a [Deus], imploro a ele que aceite minhas escusas", diz ele no vídeo, ao lado da esposa. "Foi com o intuito apenas de resguardar e preservar a saúde e a vida da mulher da minha vida", completa.

O ex-secretário também justificou que a esposa tinha mais de 70 anos e costumava acompanhá-lo nos trabalhos de visitas que fazia às unidades de saúde do município. No entanto, as diretrizes do Ministério da Saúde não listam idosos que não estejam institucionalizados nesta primeira fase do programa de imunização.

Exoneração

No dia 24 de janeiro, Assis pediu exoneração do cargo. Ao pedir para sair do cargo, ele disse que a decisão era de caráter irrevogável, irretratável e de cunho pessoal. O pedido foi acatado pela então prefeita do município Cida Tomazini.

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De pedradas a homens-bomba

O conflito no Oriente Médio é tão agudo que a satanização ficou corriqueira. Quem apoia os palestinos é xingado de antissemita ou simpático ao terrorismo. E quem defende a guerra de Israel em Gaza é tachado de genocida. É-se a favor de um dos lados --e estamos conversados. Contudo, saber é superior a não saber. Estudar não é sinônimo de concordar. Ser simpático a alguém não significa querer destruir outrem.

"Hamas: The Quest for Power" (Polity, 331 págs.) Livro de escapa ao maniqueísmo ao traçar o retrato do Movimento de Resistência Islâmica, o Hamas.

Seus autores são a professora Beverley Milton-Edwards, especialista em movimentos armados no Oriente Médio, e o jornalista Stephen Farrell, correspondente do New York Times em Israel.

O Hamas foi criado, em 1987, na casa de um sacerdote muçulmano de 50 anos, Ahmed Yassin, cadeirante desde os 12. Ele juntou uns poucos profissionais numa organização que se propunha a conduzir os palestinos pelo bom caminho: o Corão. "A busca do poder" sustenta que, se a organização pudesse ser resumida a uma palavra, ela seria "islâmico".

Seu documento de fundação é antissemita. Baseado numa fraude escrachada, "Os Protocolos dos Sábios do Sião", responsabiliza os judeus pelas revoluções Francesa e Russa, pelo Rotary e pelo Lyons Clube. Prega a destruição de Israel por roubar as terras dos palestinos e usurpar locais sagrados do islamismo, Jerusalém à frente. E se define como "a voz do vulcão".

O combate aos "infiéis" e à modernização levou-o a uma luta obstinada contra as organizações seculares reunidas na Organização pela Libertação da Palestina, OLP. Na prática, exigia-se que os homens do Hamas fossem puritanos, machistas, abstêmios e inflexíveis com os corruptos --por vezes punidos com a morte.

Seus ataques à ocupação militar se agudizaram conforme a sociedade palestina se radicalizava, sobretudo os jovens e desempregados. Na primeira Intifada (1987-93), o Hamas aderiu ao levante e, sem armas, apedrejava tanques. Na segunda (2000-2005), tornaram-se terroristas e suicidas: homens-bomba.

Segundo "The Quest for Power", o Hamas é pragmático. Em 2006, depois de décadas de recusa intransigente a qualquer contato com Israel, decidiu participar das eleições nos territórios ocupados --não só elogiadas como cacifadas pelos Estados Unidos e pela Europa, além de Israel.

Deu-se o impensável: o Hamas venceu a eleição. Os palestinos haviam se cansado da brutalidade israelense, da corrupção da OLP e do cinismo dos países árabes, que fingiam apoiá-los. O Hamas teve de aprender que uma coisa é ser um movimento radical; outra, governar Gaza. E governar com a hostilidade de Tel Aviv, Washington e Bruxelas.

O Hamas tentou se adaptar à nova situação. De um lado, lançava foguetes contra Israel e sequestrava seus soldados. De outro, reescrevia seu documento de fundação: abandonou o antissemitismo e reconheceu as fronteiras árabe-israelenses de 1967, até então um anátema.

A organização não conseguiu nada de concreto e preparou-se para a guerra. Cavou em Gaza uma quilométrica rede de túneis e estocou armas. Queria abalar a imagem de que Israel é David; e os países árabes que o cercam, Golias. Para o Hamas, Israel é uma potência nuclear, financiada e armada por Washington, e os palestinos, um povo pequeno, pobre e solitário --que no entanto venceria seu poderoso inimigo.

O plano foi posto em prática no 7 de Outubro. As imagens de palestinos invadindo Israel de paraglider foram festejadas na Cisjordânia e em Gaza. O Hamas matou 695 civis israelenses, 71 estrangeiros e 373 militares. Obteve o que queria: traumatizar o inimigo. Venceu Golias.

Milton-Edwards e Farrell fazem uma descrição meticulosa do ataque. Deixam claro que o Hamas massacrou um festival de música, fuzilou, humilhou, sequestrou, cometeu crimes de guerra. E dizem não terem visto provas de que crianças tenham sido decapitadas e não falam de estupros.

O Hamas também perdeu, e muito: 50 mil palestinos foram mortos por Israel, a maioria esmagadora de civis, crianças e mulheres; dois milhões foram expulsos de suas casas; Gaza é um monte de escombros; faltam casas, escolas, hospitais; a crise sanitária é permanente. Com a ruptura da trégua, Israel matou cerca de 700 palestinos nos últimos três dias.

Milton-Edwards e Farrell não fazem previsões. No máximo, escrevem: "Não se deve subestimar o Hamas". E um dirigente da organização lhes disse uma frase significativa: "Não temos pressa".

Mario Sergio Conti, jornalista, é autor de "Notícias do Planalto"

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Post engana ao afirmar que estudo concluiu que as vacinas contra a covid-19 não são seguras

Post engana ao afirmar que um estudo com 99 milhões de vacinados concluiu que as vacinas contra a covid-19 não são seguras para os humanos. A pesquisa buscou sinais de segurança para eventos adversos raros e os identificou para doenças que já eram conhecidas. Os resultados confirmam que as vacinas são seguras e ressaltam que o risco de complicações é maior após a infecção pelo vírus do que pela vacinação

Post engana ao afirmar que estudo concluiu que as vacinas contra a covid-19 não são seguras

(Projeto Comprova)

Conteúdo investigado: Post com a afirmação de que o maior estudo de segurança das vacinas contra a covid-19, envolvendo 99 milhões de indivíduos, confirmou que as injeções não são seguras para uso humano.

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Onde foi publicado: X.

Conclusão do Comprova: O post engana ao afirmar que o estudo Global Vaccine Data Network (GVDN), com 99 milhões de indivíduos vacinados, estimou a probabilidade de desenvolver problemas de saúde após vacinação contra a covid-19 com os imunizantes Pfizer, Moderna e Astrazeneca. Também não é verdadeiro que a pesquisa concluiu que as vacinas não são seguras.

Conforme uma das autoras, Helen Petousis-Harris, co-diretora da GVDN e professora da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, as declarações não fazem sentido porque o estudo sequer estimou a probabilidade dos riscos. Além disso, o conjunto de evidências mostra que os imunizantes analisados são muito seguros e que eventos adversos graves são muito raros.

O estudo não é capaz de comprovar a associação entre as vacinas e os eventos adversos identificados. A autora explica que foram procurados sinais de segurança em uma série de eventos raros e que a metodologia utilizada é altamente sensível e projetada para detectar sinais para acompanhamento posterior. "(O estudo) ajuda a gerar hipóteses para teste", afirmou ao Comprova. Ou seja, para estabelecer relação causal (na qual um fenômeno é efeito de outro) são necessárias outras pesquisas.

A análise multipaíses confirmou sinais de segurança que já eram pré-estabelecidos para miocardite, pericardite, síndrome de Guillain-Barré e trombose do seio venoso cerebral, doenças citadas no post. O estudo conclui que os sinais identificados devem ser avaliados no contexto de sua raridade, gravidade e relevância clínica.

Os autores acrescentam que as avaliações gerais de risco-benefício da vacinação devem levar em consideração o risco associado à infecção, pois vários estudos demonstraram maior risco de desenvolver os mesmos eventos após a infecção pelo vírus do que pela vacinação.

Essa observação foi destacada pelo infectologista Unaí Tupinambás, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), consultado pelo Comprova. "A pesquisa mostra que as vacinas são seguras e que o risco destes eventos acontecerem com a infecção pelo vírus é muito maior".

A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), afirma que a principal conclusão do estudo é que o risco de síndrome de Guillain-Barré após infecção pelo vírus é maior que pela vacina. "O estudo confirmou todas as evidências de segurança por vacina que já existiam antes".

Não foi possível contatar o autor do post porque o perfil dele no X não oferece a opção de enviar mensagem direta.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos com maior alcance nas redes sociais. O post checado alcançou 64,1 mil visualizações até o dia 20 de março, além de 75 respostas, 265 compartilhamentos e 797 curtidas.

Fontes que consultamos: O estudo citado no post, uma das autoras e dois especialistas, uma doutora em imunologia e um doutor em infectologia.

O que diz o estudo

Publicado em 2024 na revista Vaccine, o estudo teve o objetivo de avaliar o risco de 13 eventos adversos de interesse especial após a vacinação contra a covid-19 em 10 locais de oito países. Para isso, incluiu dados de pouco mais de 99 milhões de indivíduos vacinados. No total, foram avaliadas 183,5 milhões de doses administradas pela Pfizer, 36,1 milhões de doses da Moderna e 23 milhões da Astrazeneca.

A metodologia utilizada foi Observacional versus Esperado. Nessa modalidade, é comparada a taxa de doença ou outros resultados de saúde em pessoas vacinadas com o esperado a partir de taxas populacionais ou dados epidemiológicos estabelecidos antes da vacina estar disponível. Foram considerados eventos adversos ocorridos até 42 dias após a imunização com produtos de mRNA (Pfizer e Moderna) e vetor de adenovírus (Astrazeneca).

Os autores apontaram que o risco após a vacinação foi geralmente semelhante ao risco de fundo para a maioria dos resultados. No entanto, alguns sinais de segurança potenciais foram identificados. Em relação à síndrome de Guillain-Barré e trombose do seio venoso cerebral, os autores observaram sinais de segurança potenciais após a primeira dose de Astrazeneca.

Isso não é novidade. A pesquisa lembra que, no geral, estudos de vacinas baseadas em vetores observaram uma maior incidência de síndrome de Guillain-Barré. Embora rara, a associação foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras entidades como um efeito colateral raro após a exposição a este imunizante. O risco aumentado de trombose do seio venoso cerebral também foi corroborado por vários estudos anteriores. Esse sinal de segurança também é raro, embora preocupante, por isso levou à retirada da vacina Astrazeneca de programas de vacinação contra a covid-19 ou à implementação de restrições baseadas na idade em vários países.

Também foram observados riscos significativamente maiores de miocardite após a primeira, segunda e terceira doses de Pfizer e Moderna, bem como pericardite após a primeira e quarta doses de Moderna. Desta forma, o estudo confirma os achados de casos raros previamente identificados dessas duas condições. Dadas as evidências, entidades como a OMS emitiram orientações atualizadas sobre esses sinais de segurança.

Mais um sinal de segurança potencial foi identificado para encefalomielite aguda disseminada após a primeira dose da vacina Moderna. O estudo destaca que o número de casos desse evento raro foi pequeno e o intervalo de confiança amplo, portanto, os resultados devem ser interpretados com cautela e confirmados em estudos futuros.

Embora alguns relatos de casos tenham sugerido uma possível associação entre a vacinação e o problema, não foi confirmado um padrão consistente em termos de vacina ou tempo após a vacinação. Estudos epidemiológicos maiores não confirmaram nenhuma associação potencial. A pesquisa lembra que relatos de casos podem citar eventos coincidentes e não estabelecer associação nem indicar causalidade, portanto, estudos observacionais maiores são necessários para investigar melhor essa descoberta.

A pesquisa foi desenvolvida pela GVDN, uma rede de pesquisa multinacional que utiliza conjuntos de dados para ajudar a garantir a segurança e o risco-benefício das vacinas por meio do monitoramento dos imunizantes. O monitoramento foi conduzido pelo programa Global COVID Vaccine Safety (GCoVS), que é financiado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. Participaram especialistas da Dinamarca, Nova Zelândia, Austrália, Argentina, Canadá, Escócia, França, Finlândia, China e Estados Unidos.

Limitações apontadas pelos pesquisadores

Os autores do estudo destacam a necessidade de uma investigação mais aprofundada para confirmar associações e avaliar a significância clínica dos efeitos adversos.

Múltiplas limitações são apontadas no próprio documento pelos autores, principalmente porque as análises envolvem heterogeneidade na coleta de dados, qualidade e padrões de relatórios entre os países. Essas diferenças na infraestrutura de saúde e sistemas de vigilância podem introduzir viés e afetar a comparabilidade dos resultados.

As análises multipaíses também são suscetíveis a fatores de confusão populacional, como diferenças em condições de saúde preexistentes, fatores genéticos, perfis étnicos e padrões comportamentais. "Taxas de histórico específicas de idade e sexo que não são ajustadas para fatores como doença anterior podem não fornecer uma comparação adequada, por exemplo, nos estágios iniciais de uma campanha de vacinação em que pessoas com comorbidades foram vacinadas antes de outros grupos populacionais", explica o documento.

O que dizem os especialistas

A imunologista Cristina Bonorino observa que o principal problema da análise é que, em certo ponto, não há mais controle sobre quem tomou a vacina e também teve a infecção. "Eu separaria esse dado, mas um estudo grande assim não tem como ter esse controle. O problema deste estudo é conceitual -- ele inclui pessoas que tiveram covid e se vacinaram -- porque pegaram as amostras dos registros de saúde dos países e as informações não foram separadas, principalmente de pessoas internadas que deviam ter as duas coisas (vacinação e infecção pela doença)".

Ao analisar o post checado, ela diz que o autor inventa números que não estão nas conclusões do estudo e destaca que ele confirmou as evidências de segurança por vacina que já existiam antes. Como exemplo, cita que quando os pesquisadores quebraram a análise entre vacinas, identificou-se risco maior da síndrome após a vacina Astrazeneca, o que já se sabia. "Vacinas com adenovírus têm esse risco mesmo".

O infectologista Unaí Tupinambás diz que o estudo mostrou o contrário do que é alegado no post ao destacar que o risco destes eventos acontecerem com a infecção pelo vírus é muito maior que pelas vacinas.

Conforme ele, estudos apontam que o risco de eventos neurológicos -- como no caso da síndrome de Guillain-Barré -- após uma infecção aguda pelo coronavírus pode ser até 617 vezes maior do que após a vacinação contra a covid-19, reforçando que os benefícios da imunização superam amplamente os riscos.

Além disso, destaca, outros levantamentos estimaram que o número de casos adicionais de miocardite varia entre 1 e 10 por milhão de pessoas no mês seguinte à vacinação, um número significativamente inferior aos 40 casos extras por milhão registrados após a infecção pela doença.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Outros posts distorcendo o mesmo estudo foram desmentidos por Uol Confere, Estadão Verifica (1 e 2), AFP e FactCheck.org. O Comprova também já verificou conteúdos que desinformam sobre outros estudos envolvendo as vacinas, demonstrando ser falso que pessoas vacinadas tenham o dobro de chances de pegar covid e que um artigo que exige retirada dos imunizantes contra covid-19 do mercado tem erros e não é relevante no meio científico.

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