Atualizada às 14h04 do dia 15/2/2022Os advogados de defesa dos acusados de participar do assassinato do jornalista e radialista Valério Luiz de Oliveira, de 49 anos, negam que tenham feito qualquer tipo de manobra para adiar o tribunal de júri do caso por meio do pedido de renúncia do advogado Ney Moura TelesO advogado Thales Jayme, que defende o 2º sargento da Polícia Militar Ademá Figueredo Aguiar Filho, diz que a ação não foi uma manobra. “Seria muito amador da nossa parte fazer isso. Do que irá adiantar adiar o julgamento por 48 dias?”Ele aponta ainda que todos os acusados têm interesse que o julgamento ocorra. “É uma situação que pretendemos resolver. Não é só a família do Valério Luiz que espera uma resposta do Judiciário. Os acusados e as famílias deles também são afetados por isso e buscam por uma solução”, esclarece.A partir de agora, Jayme irá contribuir para a defesa de Sampaio. “Vamos de uma maneira conjunta, especialmente no caso do Maurício, pois existe uma grande falta de provas do envolvimento dele com o homicídio”, explica o advogado.De acordo com ele, que é vice-presidente da seccional goiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO), a renúncia de Ney Moura Teles foi completamente dentro da lei. “Não existe nenhuma possibilidade de processo disciplinar, por exemplo”, explica.O advogado e presidente do Sindicato dos Advogados do Estado de Goiás (Saeg), Alexandre Caiado, compartilha do mesmo ponto de vista de Jayme. “Não é algo incomum. Isso acontece. Eticamente, se um advogado, por qualquer motivo que seja, não assumir a defesa do cliente de forma plena, ele deve renunciar”, explica.Teles afirma que comunicou a renúncia primeiro para Sampaio, mas continuou prestando apoio jurídico para ele durante dez dias, até a última sexta-feira (11), quando apresentou a renúncia para o Judiciário depois das 18 horas. “Cumpri todos os meu deveres com ele (Maurício)”, afirma.Ele também nega qualquer tipo de manobra e critica o posicionamento do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). “Como que alguém que está cumprindo o exercício do seu direito pode estar fazendo uma manobra?”Teles, que fazia a defesa de Sampaio desde quando o inquérito foi instaurado, em 2012, não apontou quais foram os motivos que fizeram com que ele pedisse renúncia. “Sempre desempenhei meu papel com seriedade e dedicação. Sei tudo sobre o processo. Por um dever ético não posso dizer quais são as razões que me levaram a isso”, finaliza o advogado.