Goiânia atingiu, de 6 a 12 de junho, o recorde de casos de Covid-19 para uma semana desde o início da pandemia. Foram mais de 11 mil notificações da doença, o que representou 25% dos exames feitos pela prefeitura nas tendas e drive-thrus da testagem ampliada, taxa só igualada, no ano, à da semana de 10 e 16 de janeiro. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) ressalta, contudo, que o período é também o que teve maior número de testes realizados: 45.269. De 3 mil testes no final de abril, foram ofertados 7 mil testes entre final de maio e início de junho.

O superintendente de vigilância, Yves Mauro Ternes aponta, de fato, a disponibilidade de como um dos fatores que levaram ao número recorde, mas salienta que a retomada de eventos e as baixas temperaturas contribuem para aumento de casos confirmados. Desse modo, a soma de aglomeração com ambientes propícios à propagação do vírus aumentam a cadeia de transmissão.

No cenário atual, subvariante da ômicron, a BA.2, é a mais recorrente nas testagens. Ela tem 95% de prevalência viral em Goiânia. No entanto, a maior preocupação atual da SMS, segundo Ternes, é com o índice crescente de média móvel da taxa de internações no município. Nesta terça, havia 10 pacientes em enfermarias e 7 em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

Já em relação aos óbitos registrados nas últimas duas semanas, há uma média móvel diária de 1,5. “Fazendo a análise do início do ano até semana passada, no dia 7 de junho houve um aumento na média móvel em comparação aos 14 dias anteriores.” Ele explica que, por esse motivo, o órgão estuda a possibilidade de expandir e remanejar os leitos disponíveis para tratamento do vírus, “para caso haja uma continuidade no aumento do número de casos”, diz.

Para frear a alta no índice e não agravar a situação de internações, Ternes relembra que é necessário conscientização por parte da população, que pode reduzir a transmissão por meio do uso de máscaras em ambientes onde não é possível manter o isolamento social. E acrescenta a importância de todos, principalmente os inseridos no grupo de risco, como idosos e imunossuprimidos, manterem as doses vacinais em dia. Em Goiás, já foram aplicadas 248 mil doses para o segundo reforço contra a doença. Todavia, o estado possui 2,6 milhões de pessoas com doses atrasadas.

O cenário atual é o mais preocupante após a terceira onda causada pela variante de alta transmissão ômicron, que foi a prevalente no primeiro trimestre de 2022. Na pior semana de janeiro, por exemplo, quando a onda ganhou força, foram 9.356 casos do dia 10 a 16, com uma taxa de positivos de 25,3%. Em abril, quando as notificações diminuíram, a pior semana (de 25 a 1º de maio), foram 424 pessoas diagnosticadas com o coronavírus, uma taxa de 11,8%. 

 

Especialista fala em quarta onda, mas menos letal

Para o vice-presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), o médico intensivista Alexandre Amaral, o que o país passa no momento pode ser classificado como uma quarta onda. Porém, com características diferentes das anteriores. “São pacientes menos graves com baixa necessidade de internação”, diz. 
Na visão de Amaral, isso ocorre em decorrência do programa de vacinação realizado nacionalmente. 

Em todo o Brasil, segundo o Ministério da Saúde, apenas 44% das pessoas receberam pelo menos uma dose de reforço - a população acima de 50 anos de idade e os imunossuprimidos já têm a segunda dose de reforço disponível. 

Em Goiânia, segundo a SMS, foram aplicadas 723 mil doses de reforço, enquanto 1,1 milhão de pessoas tomaram duas doses ou a dose única da Janssen.

O intensivista Alexandre Amaral diz que o uso da expressão “dose de reforço” prejudica a adesão. Para ele, na verdade, essas doses são tão importantes quanto às primeiras no cronograma vacinal, e denominá-las como reforço faz com que “essa dose possa ser rejeitada”. 

“Isso fez com que as pessoas reduzissem (a adesão)”, acredita o médico intensivista. O especialista ressalta que as vacinas têm um nível de proteção adequada, mas com o número de doses adequadas. 

Ondas frequentes
O infectologista Marcelo Daher acredita que essas ondas serão frequentes. “Iremos conviver com momentos de elevação e grande transmissão e calmaria”, afirma. 
Daher observa que há flexibilização dos cuidados sanitários, voltando quase à normalidade mundialmente, e por isso, “o cenário é de volta da circulação de doenças respiratórias”. 

Daher aponta que conforme as subvariantes da ômicron emergem na Europa, como a BA.4 e BA.5, é esperado que ainda haja internações e óbitos com maior quantidade, porque elas são mais transmissíveis em relação à cepa que circulava em abril e março, mas menos que o que ocorreu no ano passado, que foi o que registrou o maior número de mortes pela doença desde o início da pandemia.

Em Goiânia, foram 5 mil óbitos em decorrência de complicações pela infecção do coronavírus em 2021. Este ano, até esta terça-feira (14), foram 604. (Manoellla Bittencourt é estagiária do GJC em convênio com a PUC-Goiás

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