As instituições de ensino superior (IES) federais em Goiás têm trabalhado com um déficit de cerca de 900 profissionais, entre técnicos-administrativos e professores, pela dificuldade de reposição e contratação. A pior situação está no Instituto Federal Goiano (IFGoiano), com a ausência de 229 técnicos e 168 docentes, totalizando 397 servidores em falta com relação aos limites estabelecidos na portaria 713 de 2021 que dimensiona a quantidade de funcionários que a instituição deveria ter para o melhor atendimento aos alunos. A falta de servidores se dá por decretos federais de 2018 e 2019, que extinguiram cargos e impedem a abertura de concursos públicos.O problema já tem afetado até mesmo a oferta de vagas para o curso de Medicina da Universidade Federal de Catalão (UFCat). A previsão é que a atual oferta de 50 vagas anuais, com duas entradas de 25 em cada semestre, seja reduzida para apenas uma entrada de 30 estudantes. A intenção é que a medida, que vai atingir apenas este curso, perdure até que o quadro de docentes seja composto.A universidade tem hoje uma demanda de 25 professores pactuados para Medicina e ainda um déficit de mais 30 vagas referente aos docentes vinculados ao quadro da prefeitura de Catalão, cujos profissionais se aposentaram e não houve reposição até então.“As áreas mais atingidas pela falta de pessoal são os cursos de Medicina (novas vagas), Letras e Geografia (vagas do quadro municipal aposentadas e sem reposição)”, informa a UFCat. Nas demais instituições, a falta dos profissionais atingem o ensino e a pesquisa.Leia também:- UFG entra em lista de melhores universidades do mundo- Unidades da UFG voltam a exigir máscara em ambiente aberto- Instituições Federais de Ensino Superior de Goiás se manifestam contra bloqueio de recursosPresidente do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg), Flávio Alves da Silva conta que as universidades apresentam os novos servidores, mas o Ministério da Educação (MEC) não permite a contratação. “Os laboratórios ficam sem técnicos e os professores têm de fazer o papel deles, como o levantamento de patrimônio, as aulas práticas”, relata ele, que é professor da Universidade Federal de Goiás (UFG).De acordo com o Pró-Reitor de Gestão de Pessoas da UFG e também primeiro Vice Coordenador Nacional do Fórum de Pró-Reitores de Gestão de Pessoas (Forgepe) da Andifes, Everton Wirbitzki da Silveira, desde a publicação dos decretos 9.262/2018 e 10.185/2019 as instituições federais sofrem com a falta de capacidade de reposição de profissionais nas áreas de apoio ao ensino, pesquisa e extensão, bem como dos cargos de apoio administrativo.“No caso da UFG, correspondem a cerca de 19% do total de técnicos-administrativos em educação que não terão provimentos na medida em que as pessoas vão se aposentando no decorrer dos próximos anos.”A UFG reforça ainda que os problemas trazem efeitos negativos sobre a saúde, “uma vez que muitos servidores da UFG atuam no Hospital de Clínicas”. Segundo o controle de vagas dos trabalhadores técnicos-administrativos da universidade, publicado pela Coordenação de Informações Institucionais de fevereiro deste ano mostra uma falta de 184 profissionais. Dentre eles, há a comprovação da ausência de 42 vigilantes, 30 auxiliares de enfermagem e 29 motoristas, por exemplo.Corte chega a R$ 13,8 milhõesAnunciado no começo deste mês, o corte ao orçamento para o custeio das instituições de ensino superior (IES) federais em Goiás deve atingir pelo menos R$ 13,8 milhões. Esse valor corresponde ao que as universidades UFG, UFCat, UFJ e IFG vão deixar de receber do governo federal neste ano com o corte de 7,5%. O IFGoiano não respondeu o valor do corte orçamentário na instituição. Segundo o Pró-reitor de Administração do IFG, Diego Silva Xavier, o bloqueio compromete recursos destinados à manutenção, serviços essenciais de ensino, pesquisa e extensão, visitas técnicas e os insumos de laboratórios. “Compromete os eventos científicos, culturais e esportivos que já estavam no planejamento, com licitações em andamento ou contratos assinados. Além disso, os serviços de limpeza, segurança e manutenção predial também deverão ser afetados, podendo acarretar em demissões. Esse bloqueio trará um impacto direto e devastador de forma direta a toda essa comunidade acadêmica.” O Pró-Reitor de Gestão de Pessoas da UFG, Everton Wirbitzki da Silveira, considera que é “importante frisar que na perspectiva do orçamento, os cortes já publicizados devem ser considerados em acréscimo a perda dos cargos dos professores do magistério superior e da carreira dos técnicos administrativos em educação”. Embora não seja a causa direta do déficit de servidores, a redução do orçamento atinge a manutenção dos profissionais e ocorre como uma dificuldade para as instituições. Para Flávio Alves, da Adufg, as ações do governo “têm prejudicado a educação superior”.-Imagem (1.2472778)