A estrutura de prevenção a desastres naturais em Goiás tem como principal aliada a meteorologia. Relatórios, imagens de satélite, dados atualizados do volume das chuvas e a troca de informações com vários órgãos de previsão do tempo possibilitam o planejamento do trabalho e o acionamento de equipes em todo o estado, se necessário.O trabalho que visa a preservar vidas é realizado 24 horas por dia e envolve Defesa Civil estadual e municipal, além de secretarias do governo e das prefeituras. As características climáticas de Goiás fazem com que as chuvas sejam o principal ponto de atenção, sobretudo entre os meses de outubro e março, quando são registrados os maiores volumes.A Defesa Civil estadual é que articula a mobilização das estruturas semelhantes nos municípios, bem como o acionamento, quando necessário, das equipes do Corpo de Bombeiros Militar (CBM), estrutura à qual ela pertence. A rotina prevê que ao fim de cada dia sejam analisadas informações sobre a previsão do dia seguinte. “Também verificamos imagens de satélite, que permitem enxergar a temperatura de topo de nuvem, coloração e identificarmos qual o risco para determinada área”, explica o capitão Marcelo Martins Moura, do CBM, sobre os aspectos técnicos do trabalho.Da Sala de Situação, conforme o capitão Moura, são verificados os possíveis impactos locais. A análise técnica é feita levando em conta também as áreas de risco mapeadas em cada município goiano. Em todo o estado elas somam 205. Os dados meteorológicos fornecidos por relatórios são provenientes do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) e do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), estrutura da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).Pelo Cimehgo, as principais informações reportadas dizem respeito a chuvas intensas, inclusive com muitas descargas elétricas, elevação do nível de mananciais e ondas de calor. “Nós fizemos grupos de WhatsApp para a comunicação ser mais ágil. Passo alertas, mapas, direciono a atenção para pontos críticos”, explica o gerente do Cimehgo, André Amorim.O gerente afirma que a maior confiabilidade das previsões abrange um período de três ou quatro dias, embora haja informações de modelos climáticos - engenharia digital que elabora prognósticos com dados de satélite e estações - para até 15 dias.Conforme o gerente, além da previsão do tempo convencional, que leva dados de temperatura, volume de chuvas e umidade relativa do ar, os órgãos que integram o monitoramento a desastres em Goiás recebem informações específicas e separadas por localidades. Isso permite o confronto com informações locais, como o mapeamento das áreas de risco, quantidade de pessoas possivelmente atingidas e prévia da escala de danos.Na Defesa Civil estadual há sempre, no mínimo, uma pessoa de plantão na Sala de Situação. Os dados recebidos lá são distribuídos para as defesas civis dos municípios e também para as 46 regionais do Corpo de Bombeiros localizadas em 44 municípios. Três delas estão na capital. Os quase 50 batalhões cuidam das 246 cidades de Goiás.BarragensOutro ponto de atenção são as barragens. As estruturas destacadas somam 58 em Goiás, pois são as enquadradas na Lei 12.334/10, que estabelece critérios, como ter capacidade total de reservatório igual ou maior a 3 milhões de metros cúbicos.Neste caso, quando há indícios de rompimento, a Defesa Civil se dirige até o local e faz o levantamento da situação, além de acionar a Semad. “A gente prepara o ambiente para a equipe (da Semad) chegar e poder agir. Conseguimos maquinário e fazemos algum tipo de evacuação do local, se necessário”, explica o capitão Moura, que diz também ser possível fazer um cálculo da área atingível e saber, por exemplo, se há a necessidade de interditar uma rodovia próxima ao local monitorado.