O homem é um ser social. Nosso modo de vida, cooperativo, de compartilhamento do espaço, criou facilidades. Mas também ofertou um enorme mercado aos parasitas que dependem do corpo humano para se multiplicar. Portanto, a histórias das epidemias se confundem com nossa decisão de fundar cidades. O que mudou tem sido a reposta que a humanidade dá a esses momentos de perturbação generalizada.

Durante a peste negra, no século 14, o vácuo deixado pela ciência foi ocupado pela religião. Foram perseguidos judeus, bruxas, as igrejas lotaram e ainda assim as ruas das vilas medievais ficaram cobertas de cadáveres. Quase seis séculos depois, os micro-organismos continuam a nos assombrar. Mas o caminho não é mais tão escuro.

Se o pulso ainda pulsa, é porque o homem tem acumulado conhecimento ao longo do tempo, numa corrida de bastão emocionante. O médico Heitor Rosa, professor emérito da Universidade Federal de Goiás, tem uma obra literária que funde pesquisa, ficção e história medieval, numa mistura feita para dar contornos à beleza da ciência. Rosa é o entrevistado desse quarto episódio do Coronavírus Sem Mistério, projeto temporário do núcleo de produção em áudio do POPULAR.