A Polícia Civil de Goiás suspeita que um homem ligado ao caso de maus-tratos a animais registrado em Anápolis, a 55 quilômetros de Goiânia, em novembro deste ano, tenha relação com o caso de “rinha” de cães ocorrido na noite do último sábado (14), em Mairiporã (SP). Titular da 5ª Delegacia Distrital de Anápolis, o delegado Éder Martins, responsável pela investigação referente ao município, diz que a hipótese é de que tal pessoa levasse pit bulls de Goiás para São Paulo, para que participassem das lutas.O investigador afirma que o suspeito é um dos dois indiciados no caso ocorrido na cidade e que deverá responder ao inquérito em Goiás. Ele não foi preso. Martins explica que as autoridades responsáveis pelo caso de São Paulo foram procuradas para que seja estabelecida a possível conexão entre os crimes. O delegado esclarece que, a pessoa em questão não estava no local em que ocorreu o fato registrado no último fim de semana, apesar da possível ligação com rinhas ocorridas em território paulista.Em 25 de novembro deste ano, a Polícia Civil de Goiás realizou uma operação de combate a maus-tratos a animais, em Anápolis. Após uma denúncia anônima, 30 pit bulls foram resgatados de uma chácara do município. Os cachorros estavam muito feridos e até mesmo doentes. Cinco estavam mortos, sendo que dois deles foram incinerados. Devido às características dos ferimentos e à forma como foram encontrados, houve a suspeita de que se tratasse de um caso de “rinha de cães”.Com isso, um novo inquérito foi instaurado. Até o momento, três pessoas foram presas, sendo uma no momento da operação, e duas foram indiciadas, dentre elas o suspeito já mencionado. Todos os envolvidos são homens, segundo o investigador."Situação deplorável"O resgate feito em 25 de novembro durante a operação da Polícia Civil contou com o apoio da Polícia Militar, por meio do Batalhão Ambiental; da Força Tática de Anápolis, do Centro de Controle de Zoonoses e Bem-Estar Animal da cidade e de organizações não-governamentais (ONG) de defesa dos animais anapolinas. Uma delas foi a Associação Protetora e Amiga dos Animais (Aspaan), que esteve à frente do acolhimento e do direcionamento dos cães para tratamento médico.Atualmente vereadora no município, Thaís Gomes de Souza (PSL) é uma das fundadoras da Aspaan e esteve envolvida na ação ocorrida na chácara. Ela lembra que os animais foram encontrados no interior de uma região com várias árvores, amarrados com correntes que estavam presas ao chão e distribuídos em diversos pontos do terreno. No local, não dispunham de água ou comida e estavam expostos a sol e chuva, segundo relata. Além dos 30 resgatados, outros cachorros foram encontrados carbonizados em um tambor, que ainda apresentava fumaça. “Acreditamos que ali eles jogavam os animais que morriam pela briga ou doentes. Depois, colocavam fogo”, diz ela.A situação em que os pit bulls foram encontrados é considerada por ela como “deplorável” e deu pistas de que ali poderia estar ocorrendo uma “rinha”. Devido ao estado em que estavam, foi necessário utilizar sedação para que o transporte fosse possível, uma vez que os cães ficavam muito agitados com a proximidade dos outros, segundo ela. “Não houve flagrante, mas isso (a existência de rinha) fica à mostra pelos machucados que eles tinham pelo corpo, com mordidas provocadas por outros animais”, explica. “No local, havia uma piscina grande e vazia, em que provavelmente colocavam os animais para brigar”, conta Seliane Santos, presidente da SOS Animais, que também apoiou o resgate.O caso ocorrido em Anápolis foi o primeiro registrado pela Polícia Civil e pelas ONGs com a proporção encontrada. Seliane diz que boatos sobre a existência de “rinhas” existem, mas que é difícil flagrá-las. “Nunca tínhamos visto um caso como esse. Sabíamos da existência de rinhas, mas elas são muito fechadas e, sem denúncia, não conseguimos chegar até elas”, conta.Apoio veterinárioOs cães localizados na chácara estavam desnutridos, segundo Thaís, e alguns com pneumonia. Sem alimento, eles consumiam mangas que estavam caídas no terreno e até mesmo fezes. A maior parte deles segue internada em unidades veterinárias de Anápolis, onde alguns tiveram de passar por cirurgia. A fundadora da Aspaan conta ainda que um dos pit bulls foi identificado pela tutora após o caso ser divulgado pela imprensa. “Ela contou que ele havia sido roubado há três meses”, diz.Agora, as ONGs buscam apoio para custear os tratamentos veterinários. “A Aspaan assumiu uma dívida sem nem poder. A gente precisa de ajuda para arcar com essas dívidas, pois são animais debilitados, doentes. Muitas pessoas se sensibilizam, principalmente no fervor da situação”, relata Thaís.Além disso, mesmo as pessoas interessadas em adotar os cães ainda não podem levá-los. “O maior problema é que não estão saudáveis. Um deles, por exemplo, receberia alta hoje, mas teve diarreia e terá de ficar internado por mais cinco dias. Eles só podem ser retirados quando estiverem bem”, explica Seliane.-Imagem (1.1956796)-Imagem (1.1956803)