A morte de três detentos no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na manhã desta terça-feira (26), começou a ser investigada durante a tarde pela Polícia Civil de Goiás. Com sinais de enforcamento, a suspeita é de que os homens tenham sido assassinados por outros presos. Conforme apurou o POPULAR, dois dos mortos haviam sido presos por um crime praticado de forma conjunta.O inquérito será conduzido pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Aparecida de Goiânia. Os assassinatos teriam se dado durante a madrugada e os corpos foram encontrados pela manhã. Os mortos são Paulo Cesar Pereira dos Santos, de 23 anos, acusado de roubo; Hyago Alves da Silva, de 19 anos, acusado de homicídio e Matheus Junior Costa de Oliveira, de 20 anos, também acusado de homicídio.O caso mobilizou comissões da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Goiás (OAB-GO). Durante a tarde, estiveram no Complexo Prisional representantes da Comissão de Direitos Humanos e da Comissão de Direitos e Prerrogativas. A OAB chegou a informar que iria realizar uma inspeção dentro da Casa de Prisão Provisória (CPP), unidade em que os detentos estavam.No entanto, conforme explica a advogada Larissa Bareato, presidente da Comissão de Direitos Humanos, a entrada não foi possível por questão de segurança e porque o local estava sendo periciado pela Polícia Técnico Científica. “Estamos em tratativa para poder realizar a inspeção e poder ouvir os detentos e saber a versão deles sobre o ocorrido”, informa Larissa.O presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativas, Alexandre Pimentel, informou que a OAB irá acompanhar as investigações criteriosamente. “A princípio existe a informação de que não se apura nenhum tipo de negligência, mas isso deve ser objeto de apuração. Entre as missões da OAB está a defesa do bom funcionamento das instituições e a observância da legalidade”, explica o advogado sobre o acompanhamento.MortosConsta nos processos de Hyago e Matheus que eles eram vizinhos no Setor Buriti Sereno, em Aparecida, antes da prisão e respondiam pelo mesmo crime: a morte encomendada de um dono de barbearia no bairro. Os acusados foram detidos no dia 5 de maio, menos de dois meses após o homicídio pelo qual eram acusados.Matheus Júnior e Hyago teriam matado Clayton Junior Cestino Costa, no dia 16 de março, por volta de 22h30. Matheus Júnior ligou para a vítima horas antes combinando de se encontrarem ali perto e o esperou junto com o cúmplice. Também houve uma denúncia anônima indicando que os dois cometeram o crime a mando de um preso da CPP.Já a terceira vítima não teria ligação com os demais, conforme sustenta Paulo Borges, advogado de Paulo Cesar Pereira dos Santos. Ele diz que o cliente não tinha envolvimento com facções criminosas e não teria reclamado de ameaças para ele ou para a família nas últimas semanas. Ainda, que Santos não teria vínculo com os outros dois presos encontrados mortos.O representante informa que nota uma anormalidade no caso, já que o cliente não deveria estar no bloco B, onde foi morto com as outras vítimas. Ele já tinha passado pelo local e mantinha maior convívio com os blocos A e C. Quando o preso chega ao local, ele próprio indica o bloco em que se sente mais seguro.Santos cumpria pena em regime semiaberto até o mês passado, mas regrediu por que, segundo o advogado, “teve problemas com a tornozeleira”. “A família está arrasada, porque o Estado deveria garantir a segurança e não o fez. Não sabemos como ele foi parar no bloco B”, relata Paulo Borges.Leia também:- Três presos são encontrados mortos dentro de celas da CPP, em Aparecida de Goiânia- Dois dos três mortos na CPP cometeram crime juntos- OAB-GO vai vistoriar CPP após morte de três detentos em Aparecida de Goiânia- Defensoria pede explicações à DGAP sobre mortes em CPP