Com a proximidade do fim do período chuvoso, a Prefeitura de Goiânia iniciou, nesta segunda-feira (11), os reparos em pontes danificadas pelas chuvas nos últimos meses. A primeira a ser reformada será a estrutura sobre o córrego Água Branca, na Avenida Acary Passos, no bairro Residencial Vale do Araguaia, Região Leste da capital. Outra ponte do mesmo curso d’água segue interditada.A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) alega que o período de espera foi necessário para realização de estudos e procedimentos de vistoria, além de aguardar o fim da temporada de chuvas mais intensas. Os técnicos da Prefeitura de Goiânia decidiram que o mais seguro seria reconstruí-la. A previsão é de que seja concluída em até 90 dias úteis, com participação de 20 trabalhadores.Para os moradores e comerciantes, os dois meses de espera, desde a queda, significaram prejuízos. A empresária Deliane Diamantino, de 45 anos, mora e tem uma loja de locação de artigos para festas na Avenida Acary. A via é o principal acesso para regiões importantes da cidade, como para o aeroporto. Com a interdição, quem precisa passar pelo local tem de pegar um desvio de 5 quilômetros.“O impacto geral foi no bolso, ainda mais com o combustível no valor que está. O comércio foi penalizado. Alguns tiveram que fechar, porque ficaram sem fluxo de caixa. Recebo ligação de clientes falando que desistiram de ir à loja porque vão ter de pagar mais gasolina, então compensaria mais ir em outro lugar”, relata Deliane.O POPULAR mostrou na semana passada que, embora o local contasse com sinalização indicando a interdição, motoristas e pedestres estavam ignorando os avisos e persistindo em se aventurar pela ponte. A reportagem encontrou vários motoristas que se arriscam diariamente pelo local e é possível perceber certo engarrafamento em momentos de pico.Para a empresária Deliane, só o desvio provisório que está sendo feito é um “alívio”. Apesar disso, a empresária diz ter o receio de que paralisem as intervenções pela metade. “Foram dois meses (desde que a ponte caiu). A expectativa é de que agora eles realmente terminem e não fiquem apenas no desvio”, afirma.ReformaO secretário de Infraestrutura de Goiânia, Everton Schmaltz, explica que no local será feito um bueiro celular. “São peças moldadas in loco ou pré-moldadas que abrangem estruturas de concreto armado. Trata-se de um projeto mais econômico, só que com a mesma viabilidade, segurança e mais facilidade de execução”, detalha.Como primeiro passo, a Seinfra iniciou essa semana a limpeza do local, o deslocamento de material e a retirada das peças da ponte antiga. Em seguida, a prefeitura fará o desvio provisório para os veículos, bem ao lado da estrutura.Já com as máquinas mais pesadas, começa o enrocamento de pedra para proteção do rio e a escavação para instalação dos bueiros de três metros por três metros, por onde o rio vai passar em seu novo percurso.As próximas etapas são o aterro de 1,5 metro, a execução das novas peças da ponte, a pavimentação asfáltica para as duas faixas de cada lado, além da construção de calçadas, mureta de proteção e sinalização.Na obra desta nova ponte de 25 metros de extensão serão utilizadas duas escavadeiras, oito caminhões, uma retroescavadeira, um caminhão pipa e haverá cerca de 20 servidores.Outros pontosA ponte é uma das quatro da capital danificadas pelas chuvas do início deste ano. Outra estrutura sobre o mesmo córrego está interditada. Ela fica no Jardim Califórnia, na mesma região. Outra ponte, na Avenida Topázio, também no Jardim Califórnia, passou por correção de erosão no final de março.Já sobre a reconstrução da ponte da Avenida das Pirâmides, a Seinfra diz que ainda não há um posicionamento definido de análise de tráfego por conta da GO-403, “uma vez que já existe no local um complexo viário (GO-403) com toda a estrutura e que já estabeleceu a mudança do fluxo de tráfego”, afirma a pasta sobre as dificuldades envolvidas. Estrutura cai em Aparecida Após fortes chuvas registradas no domingo (10), a ponte da Avenida Epitácio Saraiva da Cruz, no Jardim Dom Bosco, em Aparecida de Goiânia, cedeu, está interditada e precisará ser refeita. Na avaliação da Defesa Civil, o volume de chuva atípico foi o responsável direto pelo problema. Moradores dizem, porém, que há um mês a estrutura já havia passado por reparos paliativos após apresentar rachaduras.O coordenador da Defesa Civil de Aparecida, Juliano Cardoso, afirma que a região recebeu 52 milímetros de chuva em poucas horas, o que teria aumentado o volume do córrego de forma abrupta, causando a queda da ponte. Cardoso destaca que há um mês a Defesa Civil já havia estado no local, ocasião em que acionou a Seinfra para reparos.“O resultado da inspeção é levado para Seinfra e ela desencadeia as ações. Infelizmente o que ocorreu foi um pico chuvoso de 52 mm. Foi tão grande que a correnteza saiu do curso natural do leito em 20 metros”, afirma Cardoso. Na avaliação do coordenador, o ideal é a substituição da ponte por uma que permita maior vazão do córrego.A Seinfra, por sua vez, diz que está “buscando a melhor forma de reestruturar o trecho interditado, como a construção de um bueiro celular triplo para garantir a qualidade da obra”. Acrescenta estar realizando orçamento para execução das obras. O local segue interditado e sinalizado pelas equipes da Secretaria de Mobilidade e Trânsito e Defesa Civil. O pedreiro Lailton do Nascimento, de 51 anos, tem uma chácara na região e diz que com a ponte danificada a linha de ônibus que atendia a região não está em funcionamento. “Quem precisa pegar ônibus precisa subir a pé até outro ponto para pegar outra linha”, afirma. O pedreiro estima que os moradores agora tenham que caminhar 4 quilômetros a mais.