Pelo menos cinco rios que passam ou nascem em Goiás estão completamente secos devido à estiagem. A situação nestes locais ficou mais crítica há cerca de um mês. O Rio do Ouro, em Porangatu sofre neste período há seis anos, assim como os Rios Bacalhau e Bagagem, na cidade de Goiás. Já os Rios Santa Maria e Corrente, da Região de Flores de Goiás, Formosa e Alvorada do Norte, são intermitentes, mas o período em que eles somem tem sido cada vez mais longo no decorrer dos anos.

De acordo com o superintendente de Recursos Hídricos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Bento de Godoy Neto, a situação faz parte de um ciclo que abrange de 30 a 40 anos. “Esse é um desses anos de maior escassez, mas dentro desse ciclo normal dos anos. Os rios que secam são diferenciados pela localização geográfica e pela nascente.” Godoy afirma que cabe ao Poder Público fazer a gestão dos espaços, mas que o Estado é bem servido de águas por ter muitas barragens, que retêm a água.

O secretário municipal de Meio Ambiente de Formosa, na Região do Entorno do Distrito Federal (DF), Luiz Antônio Laner diz que a estiagem é normalmente severa nesta época do ano na região e todos os rios sofrem com ela. Sobre os Rios Santa Maria e Corrente, Laner conta que a intermitência ocorre por serem rios que nascem em regime de enxurrada, na Serra Geral do Paranã e, com a ausência de chuvas, eles secam. “É diferente dos que têm a nascente em veredas, que não secam totalmente, embora também sofram com a estiagem.”

Laner alerta que é preocupante também a crescente demanda por irrigação, maior ainda na região do Riacho Fundo, no Distrito Federal, o que pode agravar mais ainda os efeitos da estiagem.

A solução seria incentivar os produtores a fazer reservatório de água para acumular água da chuva que seria usada durante o período da seca. “No período chuvoso a água sobra na região e por isso pode ser armazenada. A gente sabe que o custo disso é alto, só que o retorno e o benefício são rápidos.” Em Porangatu, o Rio do Ouro era perene há pelo menos seis anos, quando começou a se tornar intermitente, situação na qual se encontra até hoje.

Goiás

Secretário municipal de Meio Ambiente da cidade de Goiás, Pedro Alves Vieira, relata que os Rios Bacalhau e Bagagem, ambos afluentes do Rio Vermelho, também eram perenes há seis anos, mas a situação se tornou grave. A secretaria tem recebido diversos pedidos de ajuda dos 25 assentamentos no município. “Há cursos d´água intermitentes e estes estão secando normalmente, mas esses dois não deveriam secar e estão completamente secos.” Vieira acredita que o uso e a ocupação do solo de forma errada é o que está contribuindo para o fato.

O principal problema é a retirada da cobertura vegetal, o que prejudica as margens dos rios. “O regime de precipitação está normal, então a questão é o uso do solo, já que os assentamentos são muitos e implantados de forma desordenada.” O secretário afirma que se reuniu nesta semana com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, para pedir a recomposição das nascentes dos rios. “Na época da chuva é muita água e na seca não tem nada, o que indica que a água não está infiltrando, que o solo perdeu essa capacidade pela ocupação. Os rios se tornaram intermitentes.”

Plano

O superintendente de Recursos Hídricos da Semarh revela que o Estado prepara a atualização do Plano Estadual de Recursos Hídricos, que poderá ser utilizado para prever e definir qual a atuação dos órgãos durante novos períodos de estiagem ao longo dos anos. Godoy reforça que a situação atual é normal, mas que pode se repetir por se tratar de um ciclo e que, neste caso, o plano servirá para mostrar o que deve ser feito. O plano em vigor é da década de 1990 e a atualização deve valer para os próximos 20 anos.

O novo plano está na fase de diagnóstico, que deve ocorrer em 18 reuniões até o fim do ano, realizadas em seis municípios do Estado. O documento vai constar de um plano geral, válido para todas as situações, e outros menores, que vão tratar de cada bacia hidrográfica de Goiás. “A intenção é que possamos trabalhar cenários futuros e verificar o que podemos melhorar. Por exemplo, se não houvesse a barragem no Rio Meia Ponte, Goiânia já sofreria com a falta de água. Foi algo feito com planejamento.”

O superintendente de recursos hídricos da secretaria estadual afirma que todos os cursos d´ água de Goiás estão em situação normal, pois o único problema que afeta o Estado é a Hidrovia Tietê-Paraná, situada em São Paulo, mas com efeitos econômicos em Goiás.