Os usuários do setor produtivo do alto da Bacia do Rio Meia Ponte devem sofrer um aumento da restrição do uso da água de 25% para 50% neste fim de semana, quando a vazão do rio deve atingir nível crítico 3, ou seja, vazão média igual ou menor que 3.000 litros por segundo (l/s). No interior, municípios já enfrentam problemas para driblar o desabastecimento.Nesta terça-feira (31), a vazão do rio atingiu os 2.714 l/s. No sábado (4), caso ela mantenha o mesmo ritmo, vai completar sete dias seguidos abaixo dos 3.000 l/s.No momento, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) ainda caracteriza a vazão do rio como nível crítico 3, pois o cálculo para verificação do nível de criticidade é a média móvel obtida da vazão média diária nos últimos 7 dias.“Se o cenário não tiver nenhuma alteração, iremos nesse caminho”, aponta o gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), André Amorim.Desde o dia 17 de agosto, quando a vazão do rio atingiu o nível crítico 2, com vazão igual ou menor a 4.000 l/s, os usuários outorgados (que possuem autorizaram para utilizar a água da bacia), já sofreram um corte de 25% no uso dos recursos hídricos.Caso a vazão do manancial atinja o nível crítico 4, quando ela menor ou igual a 2.000 l/s, um plano de racionamento deve ser adotado, conforme a secretaria. “O tempo quente e seco, faz o consumo aumentar. Por isso, pedimos para os produtores reduzirem o uso, Saneago evitar perdas e para a população consumir de forma consciente neste momento”, diz Amorim.InteriorO gerente do Cimehgo relata que por todo o Estado, municípios já estão enfrentando dificuldade de conter o avanço da seca. “Todas as bacias estão em um nível crítico. Ninguém escapa”, diz.Em Senador Canedo, região metropolitana da capital, que tem um histórico de desabastecimento, só não houve necessidade de restringir o fornecimento de água graças a um série de ações da prefeitura (leia mais abaixo).Em Caldas Novas, por exemplo, o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Demae) programou pausas no fornecimento de água. Desde o dia 27 de agosto e durante todo o mês de setembro, haverá suspensão diária de forma escalonada, entre 10 horas e 22 horas, em bairros previamente definidos.Reportagem da Rádio CBN Goiânia desta terça mostrou moradores de Goiás reclamando da falta de água no município. A Saneago informou que o abastecimento na cidade está normalizado e que, no momento, não há necessidade de racionamento ou rodízio, mas que “a estiagem demanda cautela.” Cidades adotam estratégiasPara driblar o desabastecimento de água no período da seca, os municípios goianos estão adotando diferentes estratégias. Em Senador Canedo, onde as torneiras vazias costumam indignar moradores de bairros mais altos, pois nos horários de maior consumo, a pressão do sistema de fornecimento diminui, causando falhas na oferta de água, a Agência Municipal de Saneamento de Senador Canedo (Sanesc), está expandindo o reservatório do Rio Bonsucesso, um dos pontos de captação. A capacidade deve ser aumentada em 20 vezes.O município, com cerca de 120 mil habitantes, conta com cinco pontos de captação: no Rio Bonsucesso, no Ribeirão Sozinha, na represa do Jardim das Oliveiras, na represa da Engopa e no Ribeirão Dois Irmãos. Até o início do ano, o sistema de captação e de tratamento funcionava a óleo diesel, agora trabalha com energia elétrica. Em outra frente, visando a amenizar o drama das pessoas que vivem em regiões mais altas, a Sanesc está implantando mais 5 mil metros de adutora, com tubulações mais largas, e trocando o conjunto de bombas hidráulicas. De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura de Senador Canedo, em breve será implementado o Consórcio Sul, que visa a levar água tratada para bairros criados irregularmente. Em Catalão, que também possui serviço municipalizado, o empenho da Superintendência de Água e Esgoto (SAE) é para que não se repitam desabastecimentos como os que ocorreram há cerca de cinco anos. “Está totalmente normal o fornecimento e não existe previsão de racionamento”, avisa o superintendente Rodrigo Margon, há três anos e meio no comando da SAE. Segundo ele, a barragem do Ribeirão Pari, local de captação de água, está com 80% da capacidade.Para sanar os problemas de abastecimento, o município, que hoje conta com 110 mil habitantes, optou pela construção da barragem, de mais uma adutora e de reservatórios em bairros; instalou novas bombas e reduziu as perdas de água tratada. Rodrigo Margon lembra que o desafio é constante diante do crescimento do município. “Temos hoje um universo de 50 mil ligações, 1.200 delas foram feitas em 2019; 1.600 em 2020 e este ano vamos bater a casa de 2 mil.” A SAE, que entregou este ano uma estação de tratamento de esgoto que custou 40 milhões, busca recursos para duplicar a estação de tratamento de água.Em Mineiros, no Sudoeste do Estado, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) vem se preparando desde o início da atual gestão para evitar sobressaltos em relação ao desabastecimento de água. Diretor-presidente do órgão, Ricardo Marques Franco Ficher acredita que as ações desenvolvidas desde janeiro poderão evitar a oferta escalonada. “Nós melhoramos a estrutura do local de captação, no Rio Coqueiros, e aumentamos a nossa base de reserva. Além disso, o município realizou licitação para a perfuração de seis poços artesianos em locais estratégicos”, detalha.Ficher ressalta que as medidas serão suficientes para atender a demanda dos cerca de 80 mil habitantes. “Estamos fazendo prospecção para não faltar água, mas se houver necessidade de racionamento, vamos fazer”, diz o diretor-presidente do Saae. Segundo Ficher, a captação de água nos poços artesianos irá ocorrer somente durante o período em que a estiagem perdurar.Chuva tem efeito pequenoA chuva que caiu em Goiânia na noite desta segunda-feira (30) não teve grandes efeitos do ponto de vista de reabastecimento do Rio Meia Ponte, o que aumentaria a vazão do rio e ajudaria a evitar que o nível de criticidade da bacia aumentasse.“Para a situação melhorar, teria de chover em cidades como Inhumas e Itauçu”, explica André Amorim, gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo). Isso porque nesses municípios estão antes de Goiânia no curso do rio. Desta forma, para que a água da chuva se acumulasse no rio e chegasse a um volume maior na captação da capital, era necessário que as precipitações ocorressem em locais como esses. “Essa chuva serviu, pelo menos, como um alívio para os goianienses em meio aos dias muitos secos”, finaliza.