Três suspeitos de participação no roubo a uma relojoaria de luxo no Flamboyant Shopping Center, em Goiânia, na noite de sábado (26), saíram da chácara na qual o grupo estava escondido horas antes da chegada de equipes da Polícia Militar ao local e, assim, escaparam da abordagem que resultou na morte de cinco homens e na prisão de duas mulheres, além da recuperação de todo o material roubado. Pelo menos um destes que fugiram seria um dos dois que entraram no estabelecimento e deram voz de assalto.Em depoimento à Polícia Civil, uma das presas contou que os três suspeitos saíram da chácara provavelmente com destino a São Paulo às 23 horas de sábado. O roubo foi em torno de 19h30 daquele dia, enquanto a abordagem da PM ocorreu por volta das 10 horas de domingo (27). Todos os suspeitos seriam da capital paulista. O suposto líder do bando estaria, segundo as mulheres, entre os mortos.A designer de cílios Nayne de Oliveira Santos, de 23 anos, e a manicure Vitória Lorrani Magalhães Novais, de 20, contaram que chegaram em Goiânia a primeira na noite de sexta-feira (25) e a outra às 17 horas do sábado. Nayne teria vindo com um dos suspeitos, que diz ser amigo seu e o identificou como André, em um carro, enquanto Vitória veio de ônibus e encontrou o namorado, Silvio Leonardo, na rodoviária. O namorado dela também estaria entre os criminosos.Dois homens armados entraram na Danglar Luxury Store, renderam clientes e um funcionário e levaram 76 relógios de marcas de luxo, seis canetas Montblanc e duas abotoadoras da mesma marca. Um segurança que acionou a PM informou que ao todo foram quatro homens que entraram no shopping e um outro vigilante afirmou que teve a arma tomada por um deles.Ao todo dez pessoas teriam participação direta no crime, com base nos depoimentos das duas. Além de Nayne, Vitória, André e Leonardo, estavam mais quatro homens na chácara, entre eles um identificado como “Jogador”, e perto da hora do crime chegaram mais dois homens cada um em uma moto. Na chácara também havia quatro veículos, sendo um Renegade que foi usado na primeira parte da fuga do shopping.Leia também:- Preso quarto suspeito de envolvimento em roubo a joalheria em Aparecida de Goiânia- Suspeitos de roubar joalheria são mortos durante perseguição- Justiça mantém prisão de ajudante de pedreiro que confessou ter matado adolescente, em GoiâniaVitória diz que ficou com o namorado na chácara e que o papel de ambos seria após o crime levar as armas de volta para São Paulo. Já Nayne foi na tarde de sábado ao shopping, fez fotos e vídeos para o grupo mostrando como era a segurança da loja e depois foi embora a pé, esperando ser buscada em um bar na região já na madrugada de domingo. Quando chegou na chácara, o homem identificado como “Jogador” e os dois que estavam nas motos tinham ido embora.O grupo chegou na chácara onde a polícia fez a abordagem na tarde de sábado, mas alguns deles já estavam em outra propriedade próxima dali. Segundo uma das mulheres, a mudança se deu porque os veículos estavam muito expostos no primeiro local.Ambos os espaços estavam disponíveis para locação por diárias, e, segundo a dona da segunda propriedade, o contato com ela foi feito na madrugada de sábado, por uma rede social. A locação custou 900 reais e a saída deles estava prevista para segunda-feira (28), com possibilidade de permanência até esta quarta-feira (30).AbordagemParticiparam das buscas pela quadrilha equipes de diversos grupamentos da Polícia Militar, como o pessoal da inteligência (PM2), do 6º e do 7º Batalhão, do Grupamento de Intervenção Rápida Ostensiva (Giro) e das Rondas Ostensivas Táticas Metropolitana (Rotam), entre outros. Eles conseguiram rastrear por meio de câmeras de segurança o caminho feito pelos criminosos até a chácara. Apesar de o Renegade ter sido deixado no bairro do shopping, a polícia identificou os outros dois usados na sequência da fuga.O primeiro suspeito a ser morto na abordagem foi um homem identificado como Diego, que segundo as mulheres seria quem se comportava como líder do grupo. Os policiais contam que ao chegarem na chácara foram recebidos a tiro por este suspeito e seguida pelo restante dos homens presentes no local. As mulheres teriam saído com as mãos para cima, após a suposta troca de tiros, sem esboçar nenhuma reação.Entre os mortos estariam o namorado de Vitória, o amigo de Nayne, uma outra pessoa identificada como Diogo pelas mulheres e um outro homem cuja participação no crime não fica clara nos depoimentos de ambas. Foram apreendidas cinco armas que estariam em posse dos que morreram na abordagem policial.Ainda com base nos depoimentos, é possível afirmar que a ação do grupo foi rápida, a partir do momento em que deixaram a chácara, por volta das 18h30. Vitória afirma que os quatro carros foram lavados pelo grupo antes de deixarem a chácara, que no local só ficaram ela e o namorado e que antes de saírem alguns dos homens passaram cola nas mãos.Já Nayne afirmou que saiu com André e mais os dois que chegaram nas motos, todos no Renegade, por volta de 18h30, e que o veículo parou fora do shopping e apenas ela desceu a pé, por volta das 19h10. Então ela fez as imagens que mandou em um grupo de conversa no WhatsApp criado pela quadrilha para troca de informações.Apesar deste canal de diálogo virtual, segundo elas, poucos dados eram trocados e cada um tinha uma função específica, sem saber qual o papel do outro. Cada uma disse que só conhecia uma pessoa do bando: Nayne, o amigo, e Vitória, o namorado.Ao se dirigir para fora do shopping, Nayne conta ter topado com os homens que identificou como Jogador e Diogo e o Renegade dentro do estacionamento, mas foi orientada a continuar a pé e ficar andando pelas ruas em volta que em meia hora alguém a buscaria. Entretanto, ela disse que só retornou para a chácara após as 3 horas.Nayne disse que queria voltar para São Paulo pela manhã no domingo, conforme combinado anteriormente, mas foi orientada a permanecer na chácara para receber R$ 1 mil pelas imagens feitas da loja.DesistênciaApesar das comemorações pelo resultado do roubo, as mulheres contam que o suposto comprador da mercadoria desistiu do negócio por não aceitar o preço proposto.As duas mulheres se encontram presas desde domingo. Pouca informação foi repassada desde então tanto pela Polícia Civil como pela Militar. Em suas contas nas redes sociais, o governador Ronaldo Caiado (UB) informou que o grupo teria planeado por dois meses o roubo, mas esta informação não consta no depoimento das presas.