A Universidade Federal de Goiás (UFG) publicou no sábado (18) uma nota, assinada pela Reitora Angelita Pereira de Lima e pelo Vice-Reitor Jesiel Freitas Carvalho, manifestando indignação pelas mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips. Os corpos dos dois foram encontrados na última quarta-feira (15), após mais de 10 dias de buscas.

Na nota, a UFG classifica o ato como uma barbárie e pede “empenho” das autoridades nas investigações e punição dos responsáveis pelo crime. A Universidade também manifesta na publicação a necessidade de “providências eficazes para cessar crimes e violências nas terras indígenas e em toda região amazônica”.

A manifestação da UFG aconteceu logo depois da perícia Polícia Federal (PF) confirmar que os corpos encontrados na quarta-feira, na região do Vale do Javari, terra indígena localizada no estado do Amazonas, eram de Bruno Pereira e de Dom Phillips.

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De acordo com a PF, o indigenista e o jornalista foram mortos com tiros de armas de caça. Bruno foi atingido por três tiros, enquanto Dom foi morto com um tiro.

Investigações

Neste sábado, a Polícia Federal prendeu mais um suspeito de ter participado do assassinato dos dois. Jefferson da Silva Lima é o terceiro investigado preso no caso.

Segundo a PF, Jefferson se encontrava foragido e se entregou na Delegacia de Polícia de Atalaia do Norte. Ele será interrogado e encaminhado para audiência de custódia.

Dois homens já estavam detidos pela morte de Bruno e Dom: Amarildo Oliveira, conhecido como Pelado, e o irmão dele, Oseney Oliveira, o Dos Santos.

Confira nota na íntegra da UFG

Vozes silenciadas, Brasil enlutado

Universidade Federal de Goiás se junta ao Brasil enlutado e entristecido para manifestar sua indignação pelos assassinatos do indigenista licenciado da Funai, Bruno Araújo Pereira, e do jornalista correspondente do jornal The Guardian no Brasil, Dom Phillips, no vale do Javari/AM. Ambos estavam desaparecidos desde o dia 5 de junho e, agora, suas mortes estão confirmadas pela Polícia Federal.

As manifestas consternação e solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho são necessárias, mas insuficientes para curar a ferida aberta por este ato de barbárie no Brasil. Espera-se das autoridades empenho na devida apuração e punição dos responsáveis. Espera-se que sejam tomadas providências eficazes para cessar crimes e violências nas terras indígenas e em toda região amazônica.

A UFG, que abriga o Curso de Licenciatura em Educação Intercultural, que forma professores indígenas de várias etnias, não pode deixar de se manifestar face ao crime que tirou as vidas e calou as vozes de quem se dedica às causas indígenas, à defesa do meio ambiente e da imprensa livre.

Goiânia, 18 de junho de 2022.

Angelita Pereira de Lima – Reitora da UFG

Jesiel Freitas Carvalho – Vice-Reitor da UFG