A pandemia de Covid-19 tem mudado o cenário da aviação geral. O setor ficou aquecido com aumento da demanda por transporte aeromédico e, com a redução no número de casos da doença causada pelo novo coronavírus, o transporte executivo para negócios e até para turismo também ganhou mais força em Goiás nos últimos meses.Dados da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag) mostram que a movimentação da aviação geral nos 34 principais aeroportos do Brasil em junho já era maior do que ocorria em 2019. No Aeroporto de Goiânia, o transporte não regular – aquele que não inclui as grandes companhias aéreas – também registra fluxo maior do que ocorria no pré-pandemia.O número de pousos e decolagens saltou de 9,7 mil para 15,7 mil de janeiro a junho em comparação com o mesmo período do ano passado. Enquanto em 2019 somou 14,3 mil. “Eu diria que acontece um renascimento da aviação de negócios, com táxi-aéreo, com segmento como aeromédico e aviação privada”, pontua o gerente técnico da Abag, Raul Marinho.No Estado, há base de cinco empresas de táxi-aéreo, que têm 31 aeronaves em situação normal de aeronavegabilidade, conforme informação da Abag. O reaquecimento, que pode inclusive ajudar a ampliar esses números, tem entre os fatores o atendimento aos pacientes com Covid-19. Mas a demanda por voos aeromédicos tende a se manter em maior patamar e não voltar ao nível que se tinha antes, como analisa Marinho. Pois já havia preparação do mercado para cobrir um número maior de habitantes no País.“Antes da pandemia, fazíamos em média dois voos por dia, 60 por mês. Chegamos a 360 e em junho foram 282 voos de UTI aérea”, revela o coordenador aeromédico da Brasil Vida Táxi Aéreo, Gilberto Júnior Santos da Silva. A empresa que tem base na capital goiana vivenciou procura tão grande que chegou a ter fila de espera pelo serviço, houve investimento em mais aeronaves e adaptação para casos mais complicados com equipe e estrutura para voos até com o suporte de oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO).Já ocorreram mais de 50 atendimentos desse tipo este ano. Reflexo da procura de famílias por socorro médico, especialmente para encaminhar entes queridos para tratamento no eixo Rio-São Paulo. O conhecimento da existência do serviço aumentou e isso faz especialistas confiarem que a busca no pós-pandemia não será como no passado. Enquanto isso, o fluxo ainda está elevado, embora com oscilações.Com a vacinação e retomada da economia, de outro lado, as viagens de negócio começam a ganhar força. Em junho, a Brasil Vida Táxi Aéreo percebeu aumento de 18% na modalidade, o maior patamar desde o início do ano. Receio do processo para viajar nas grandes aeronaves e falta de opções e trajetos diretos estão entre os fatores que ajudam nesse incremento.A Sete Táxi Aéreo, que também teve ampliação para atender todas as demandas, registra média de 70% na busca por transporte executivo em relação ao ano passado. Mas o gestor da central de fretamento, Thiago Malaquias, acredita ser ainda cedo para avaliar uma retomada do mercado, pois os efeitos da pandemia ainda estão muito presentes no fluxo.Até o setor de manutenção de aeronaves sentiu queda brusca nos primeiros meses da pandemia em 2020 e agora a retomada, como revela a CEO da Voar Aviação, Alessandra Abrão. Este ano, a empresa iniciou operação de voos aeromédicos e percebe, como as demais, maior procura por voos executivos. Isso ocorre, segundo ela, “exclusivamente nas regiões voltadas ao agronegócio, como reflexo da alta das commodities”.Principais clientes são ligados ao agronegócio O conforto e as opções de trajeto direto têm ajudado a incentivar uma procura maior pela aviação geral. Isso é o que avalia o gerente técnico da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Raul Marinho. “Há um renascimento e um efeito que é mais ou menos semelhante a quando se toma e gosta de um vinho mais caro.” A comparação é feita pelo fato de que o transporte executivo possibilita a ligação direta, sem escalas e para destinos e cidades menores, além de todo o serviço que envolve o trajeto para quem pode pagar. “O principal cliente é do agronegócio, aí do Centro-Oeste e da Região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).”Com a redução da malha aérea e receio de aglomeração por conta do Covid-19 há retorno de antigos usuários e novos adeptos. Entre os incentivos, Raul cita mudanças na parte de regulação, como o programa Voo Simples, criado pelo governo federal e pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). “Traz frutos por possibilitar efetuar a venda de assentos de táxi-aéreo.”Outro ponto que ajuda no aquecimento do setor é o compartilhamento de aeronaves. “Para a aviação privada, com regulação, o que acontecia antes sem regulação, agora tem mais segurança jurídica desde fevereiro.”-Imagem (1.2299158)