As famílias goianienses estão menos endividadas que a média das famílias brasileiras. O índice de endividamento na capital chegou aos 58,4% no mês de agosto, contra 79% na média nacional, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Mas, entre estas famílias endividadas, 31,5% já estavam com contas em atraso e 23,6% não acreditavam que teriam condições de pagá-las neste mês de setembro.A pesquisa considera dívidas a vencer no cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa. O nível de endividamento em agosto acelerou em relação ao mês de julho, quando 57,2% dos entrevistados tinham dívidas, e registrou uma alta considerável sobre agosto de 2021, quando o índice era de 52,8%. Um dos motivos para esta evolução é justamente a retomada do consumo, que foi muito reduzido durante a pandemia.Leia também:- Goiás tem 603 mil famílias na pobreza- Pobreza extrema cresce 80% em 1 ano em Goiânia e região metropolitana- Fome de alunos faz aumentar demanda de comida nas escolas públicas de Goiás“Com maior incerteza em relação ao futuro, as famílias se contraíram e se preocuparam em fazer uma reserva para momentos mais difíceis. Essa poupança acumulada antes está sendo consumida agora, por isso o PIB está crescendo”, avalia o consultor de Assuntos Econômicos da Federação do Comércio de Goiás (Fecomércio-GO), Bruno Ribeiro Abreu.Mas, segundo ele, os dados positivos são que 40,7% dos entrevistados com dívidas responderam que teriam condições de pagá-las totalmente e outros 35,6% acreditavam que poderiam quitá-las, pelo menos parcialmente, neste mês de setembro. Para ele, o fato da capital ter um nível de endividamento menor que a média brasileira também deve repercutir positivamente no comércio e na economia goiana.Outro fator que precisa ser considerado é o melhor desempenho do PIB goiano, que também tem superado a média nacional. “Famílias pouco endividadas costumam ter uma reserva de caixa maior para consumir”, ressalta o consultor. Com uma melhor perspectiva de vendas, o comércio fica mais fortalecido, investe e emprega mais pessoas, gerando um círculo virtuoso que resulta na circulação de mais dinheiro no mercado para continuar alimentando um bom nível de consumo. ConfiançaAlém de um nível de endividamento abaixo da média nacional, Bruno lembra que Goiás também registra um bom nível de otimismo entre o setor empresarial e um bom nível de intenção de consumo. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela CNC, alcançou 124 pontos em agosto, uma alta de 7,8% em relação ao mesmo período de 2021. “Um empresário mais confiante também tende a investir mais no negócio e a contratar mais funcionários”, destaca.O consultor da Fecomércio-GO ressalta que este comportamento acaba movimentando mais a economia, pois famílias empregadas ficam menos endividadas e passam a consumir mais. Ele lembra que as ações realizadas contra a pandemia, como o avanço da vacinação, também contribuíram para o melhor cenário e as boas perspectivas de vendas.O cartão de crédito continua sendo o maior vilão do endividamento: 78,7% dos entrevistados tinham este tipo de dívida em agosto. A economista da CNC responsável pela Peic, Izis Ferreira, afirma que a melhora no mercado de trabalho e as políticas de transferência de renda têm favorecido os rendimentos das famílias nas faixas mais baixas, mas a inflação ainda elevada desafia o poder de compra destes consumidores. Por isso, o crédito tem sido uma forma importante para eles sustentarem o consumo. “Mas o cartão de crédito foi o tipo de dívida com a segunda maior alta dos juros médios em um ano até junho, 17 pontos porcentuais, segundo dados do Banco Central”, destaca o presidente da CNC, José Roberto Tadros.Inadimplência em Goiás cresceu 7,4% em agosto, segundo o SPC Brasil Muitos consumidores não estão conseguindo pagar suas dívidas. Um levantamento da inadimplência em Goiás, divulgado no início da semana pelo SPC Brasil, mostrou um aumento de 7,4% no número de consumidores que ficaram inadimplentes em agosto e que devem, em média, R$ 3.480 na soma de todas as dívidas. Os principais credores deles são os bancos (51,72%), seguido pelas lojas do comércio (17,93%) e de empresas de comunicação (11,44%), que prestam serviços como telefonia e internet.Para o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL-GO), Valdir Ribeiro, a inadimplência é reflexo ainda das altas taxas de juros, inflação e perda do poder de consumo. “Esperamos sentir nos próximos meses os impactos da liberação dos novos auxílios do governo, do controle nos preços dos combustíveis e reaquecimento da economia. Isso deve ajudar a frear a inadimplência e devolver aos consumidores o acesso a crédito”, prevê Ribeiro.-Imagem (1.2525227)