A Enel Distribuição Goiás mais uma vez não conseguiu alcançar metas de melhorias no atendimento aos goianos. Em análise do primeiro trimestre de acompanhamento do Plano de Resultados de Continuidade do Fornecimento, que foi firmado com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o órgão identificou que a distribuidora mantém o desempenho abaixo do esperado, inclusive para cumprir o contrato de concessão. Isso é o que conclui relatório de março que tornou-se público na sexta-feira (1º).O principal problema está no tempo em que os consumidores ficam no escuro. O indicador referente à duração das interrupções (DEC) não tem apresentado melhorias. Segundo o relatório, a companhia precisa reduzir em 6,07 horas o período médio de espera dos clientes pelo retorno da luz. O que revela a dificuldade enfrentada pela distribuidora para cumprir a meta prevista no plano, que termina em setembro deste ano. Caso o cenário não mude, a Aneel informa que será aberto novo processo administrativo punitivo.Para além de multas, a multinacional italiana, que assumiu a antiga Celg-D em 2017, pode perder a concessão. De acordo com a Agência Goiana de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos (AGR) – que atua como braço da fiscalização da Aneel –, em caso de descumprimento consecutivo do novo plano de resultados em 2022, pode ser instaurado procedimento de caducidade, que é a mais grave das punições.IndicadoresConsiderada a terceira pior distribuidora do País pelo ranking da Aneel, a Enel Goiás firmou metas de melhorias que estão descritas no plano, que vai de outubro de 2021 a setembro de 2022. A base dessa análise são os indicadores globais de continuidade do fornecimento de energia e a conformidade regulatória dos conjuntos – a área de concessão é dividida em 156 regiões, que são os conjuntos.No caso do indicador DECi, que possui limites descritos no contrato de concessão, a empresa registrou, no final do primeiro trimestre do plano, 18,25 horas como média do tempo da falta de energia. O período de duração das falhas está acima da meta pactuada e do limite contratual (12,18 horas), com piora de 1,75 hora em relação a agosto do ano passado, que é o período tido como referência. O que precisa ser alcançado no fim do prazo e, assim, significa que muitos esforços precisam ocorrer.Para se ter ideia do desafio, de 2019 para 2021, a empresa conseguiu reduzir o indicador em 4,32 horas. Sendo que, no cenário atual, precisa correr para que em nove meses consiga reduzir em 6,07 horas. Questionada sobre o que deve fazer para conseguir tal feito, a empresa informou por nota ao O POPULAR que, neste ano, “está focada em reforçar o plano de manutenção em toda a rede elétrica de Goiás”, cita 350 mil podas de árvores que podem afetar a rede – 150% a mais em relação ao realizado em 2021 –, e intensifica ações preventivas, como troca de cabos e equipamentos, além da limpeza de faixa de servidão.Juntamente com outros investimentos, inclusive em obras, essas ações são apontadas como responsáveis pelas melhorias alcançadas desde que a empresa assumiu a concessão goiana. O plano de resultados mostra que o indicador de continuidade global interno FECi obteve progresso e cumpre a meta pactuada, bem como o limite contratual.Por outro lado, a Aneel observa no relatório que os níveis de expurgos são muito elevados. Conforme a regulação setorial, a empresa pode expurgar dos indicadores as interrupções na rede provocadas por eventos classificados como situação de emergência, que impossibilitem a atuação imediata da distribuidora e que não tenham sido provocados ou agravados por ela. O relatório aponta que esses eventos representaram 73% do DECi e 49% do indicador FECi.“Nesse sentido, torna-se importante que a fiscalização realize verificação da conformidade do processo de apuração e cálculo desses expurgos realizados pela distribuidora.” A AGR informou à reportagem, por nota, que foram identificadas possíveis inconsistências nos eventos classificados como de emergência, “falhas nas justificativas e dados apresentados para comprovação das situações”. Se houver cancelamento de expurgos, os indicadores vão piorar.ConjuntosOutro ponto de atenção envolve a conformidade regulatória dos conjuntos. Pois em 72% do Estado houve piora do DEC e do FEC isso foi constatado em 47%. Estão 40% ou mais acima do limite aceitável pela Aneel uma maior quantidade de áreas goianas. O número passou de 84 para 96 em comparação com o verificado em agosto de 2021. Desde 2019, há acordos com prazos para uma melhor prestação de serviço, as metas não têm sido alcançadas e a companhia conseguiu esticar o prazo com novos planos. O que, segundo fontes que acompanham o setor, corre o risco de não acontecer novamente.Empresa diz que condição climática impacta resultadoSuperintendente de Fiscalização dos Serviços de Eletricidade da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Giácomo Francisco Bassi Almeida assina relatório que recomendou a continuidade do acompanhamento de metas firmadas pela Enel Distribuição Goiás para melhoria da prestação de serviço no Estado. “Entende-se que o resultado apresentado pela distribuidora para o primeiro trimestre do Plano de Resultados é insatisfatório. Nesse sentido, a Enel deve empreender esforços adicionais visando atender às metas pactuadas”, diz na conclusão.Leia também:- Enel é de novo a 3ª pior concessionária de energia elétrica do País- Enel volta a registrar prejuízo, mostra balanço de 2021Sobre isso, a empresa encaminhou nota à reportagem em que diz que, no último trimestre de 2021, as condições climáticas terminam por dificultar o acesso das equipes, bem como impactam no tempo de chegada das mesmas, nas localidades atingidas por falhas no fornecimento de energia. Alega assim que os indicadores mensais no fim do ano foram impactados, porém afirma que nos dois primeiros meses do ano – janeiro e fevereiro –, a partir das ações adicionais, estes indicadores já apresentaram melhoria. Sendo que no mês de fevereiro atingiu o melhor tempo médio (DEC) mensal dos últimos 22 anos.“Entre 2017 e 2021, a Enel investiu mais de R$ 4 bilhões na qualidade do fornecimento no Estado, que durante anos, antes da privatização, sofreu com a falta de investimentos.” Para 2022, além da conclusão da Subestação São Marcos, em Cristalina, estão previstas 50 obras de modernização, construção e ampliação de subestações, que impactam o fornecimento.-Imagem (1.2433413)