Leilões de imóveis ganharam impulso em Goiás nos últimos anos. Reflexo da crise econômica e, ao mesmo tempo, do fluxo de vendas do setor imobiliário no Estado. Do lado dos interessados neste modelo de negócio, a compra pode sair com valor até 70% menor se comparado à média de mercado. Porém, há risco de ocorrer desvantagem caso não se faça análise adequada de questões como dívidas.Para quem tem dinheiro no bolso, este momento econômico chama atenção para os milhares de imóveis que devem ser ofertados em leilões durante 2022, que vão de apartamentos, casas e lotes até pontos comerciais milionários. Segundo leiloeiras consultadas pela reportagem, aumentou em até 50% o número de unidades disponibilizadas de 2020 para 2021.A Zukerman é uma das empresas que registraram esse incremento. Com leilões que acontecem de maneira online, presencial e simultânea, ela está com 94 ofertas para janeiro distribuídas entre Valparaíso de Goiás, Santo Antônio do Descoberto, Luziânia, Anápolis, Trindade, Rio Verde e Goiânia. O mínimo oferecido é para uma casa no Setor Chácaras Anhanguera B em Valparaíso de Goiás, R$ 35.543. Já o maior investimento dessa leva é de um imóvel comercial na Vila Redenção, na capital, cujo lance começa em R$ 1,367 milhão.Para o especialista de imobiliário da Zukerman, André Zalcman, o impulso na oferta ocorre por soma de fatores que inclui o crescimento da Região Centro-Oeste. “Isso tem a ver com o desenvolvimento econômico. Quando aumenta o número de imóveis, aumentam os leilões.” Mas o segundo fator, segundo ele, é também o momento do mercado. Aos poucos o que foi tomado pelos bancos e estava represado, passou a ser ofertado a partir de 2020. O terceiro ponto é que com aumento da inadimplência, mais pessoas perdem os imóveis por não conseguir pagar as contas, o financiamento.“Com aumento de juros, para quem tem dinheiro na mão pode ser um excelente negócio”, pontua ao citar que também há riscos. Para participar de leilões é preciso se informar sobre o imóvel e condições e tirar todas as dúvidas, como indica. “É preciso entender também quando não há informação. Às vezes, não se tem acesso ao interior de uma casa, por exemplo. Mas há riscos que justificam muito a diferença de preço.”Outra recomendação é testar, ter paciência e participar de mais de um leilão até arrematar o que vale a pena. Além das leiloeiras, os próprios bancos possuem plataformas com imóveis que estão disponíveis para leilão e com alta na oferta. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, registrou venda de 1.756 imóveis em 2020 ante 2.170 no ano passado em Goiás. Sendo que restam ainda disponíveis em estoque 2.379 opções em endereços goianos aptos a receberem propostas. Até dia 31 de janeiro há descontos adicionais.Já no Banco do Brasil também por plataforma digital há imóveis para venda com descontos até 60% e leilões previstos para Goiás. Outras instituições financeiras, como Santander, também possuem portal com bens listados, fotos, opções no Estado e informação sobre como participar de leilão.Análise prévia de todas as informações evita prejuízos A análise de todas as informações disponíveis e o conhecimento do que não está disponível sobre um imóvel pode fazer diferença durante um leilão. Com valores atrativos, os negócios podem resultar em prejuízos se não forem bem avaliados pelos interessados.Para o advogado Eliseu Silveira, uma das principais dicas é pedir uma visita, foto, para verificar a situação atual do local. “A segunda dica é verificar se há ocupação, se é leilão judicial ou extrajudicial, se tem um processo judicial envolvido.O leiloeiro é o responsável por passar esses dados.” Ele explica que para ter segurança quando há casos mais complexos é indicado contratar um advogado para que se tenha noção completa e possa avaliar se vale mesmo a pena arrematar o imóvel. “Se estiver ocupado, por exemplo, é importante saber que pode demorar um tempo para ter o imóvel e poder usá-lo.”Outro ponto importante que ele cita é verificar até mesmo as credenciais do leiloeiro, checar se há matrícula atualizada do imóvel, buscar se há outras dívidas que incidem nele. Em caso positivo, ainda é preciso levar em conta que haverá outros custos como aqueles com cartório.Quando o leilão ocorre em ambiente virtual, além de checar as informações com o leiloeiro e as credenciais dele, especialistas também indicam verificar a segurança do site e os dados da empresa que realiza o evento. “É muito importante saber que é com o leiloeiro que se conversa, nunca aconselho participar sem isso. Existem golpes variados, desde clonagem de sites até pagamentos para terceiros, o que é perigoso.“No momento do pagamento, o advogado reforça que é interessante conferir se coincidem as informações. “Se o boleto vier com o nome de outra empresa, pode ser fraude e por isso é importante pedir para o leiloeiro enviar outra via correta. Aconselho fazer sempre com boleto para ter segurança e possibilidade de reembolso se algo de errado ocorrer.”Além da parte de segurança e da análise custo-benefício, também faz diferença estar preparado.Especialista de imobiliário da Zukerman, André Zalcman acrescenta que no ambiente digital cuidar das informações e usar táticas como ficar no celular e no computador ao mesmo tempo pode ajudar a evitar perder os lances.-Imagem (1.2393922)