Os reservatórios goianos estão terminando o período chuvoso com o maior volume útil desde 2012, o que fará com que as contas de energia elétrica não tenham a cobrança da tarifa de escassez hídrica este ano. Mas, apesar disso proporcionar uma maior segurança em relação ao fornecimento de energia, o País precisará investir pesado na diversificação da matriz energética para deixar de depender das chuvas.Diante da necessidade de mais eficiência energética, o Sebrae Goiás lançou, nesta terça-feira (12), o Projeto de Gestão da Energia, que vai ajudar as pequenas empresas a otimizarem o uso de energia em seus sistemas produtivos e a identificar oportunidades de negócios no setor. Com o bom nível dos reservatórios, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) volta a adotar a bandeira verde na conta de luz, depois de oito meses de vigência da bandeira vermelha de escassez hídrica, uma taxa para pagar, principalmente, o acionamento de termelétricas. Para o professor da Área Ambiental e Agronomia da PUC Goiás e do IFG, Antônio Pasqualeto, chegar ao período seco com um volume útil dos reservatórios de 65% no subsistema Sudeste/Centro-Oeste dá maior segurança para chegar no mês de outubro com 30%, pelo menos, suficiente para evitar a cobrança da bandeira vermelha.Mas Pascoleto alerta que isso não é garantia de tranquilidade para os próximos anos e é preciso buscar, cada vez mais, outras fontes de energia. A matriz energética ainda é mais de 70% baseada na energia hidrelétrica. Além da geração de energia, a água ainda tem vários usos para produção e abastecimento da população. O problema é que o volume de precipitações é cada vez menor, principalmente no Centro-Oeste. “Um levantamento da UFG mostrou que, entre 1979 e 2015, houve uma redução média anual de 3,7 milímetros nas precipitações. E, de 2015 para cá, tivemos crises hídricas ainda mais evidentes”, alerta.O resultado é uma crescente dependência das termelétricas, que são 100 vezes mais poluentes e muito caras, e sempre são acionadas em situações de escassez hídrica. Antônio Pascoaleto lembra que Goiás tem, em média, 292 dias sem chuva e apenas 72 com chuva, com tendência de redução, maior concentração e dificuldade de retenção da água para infiltração no solo e recarga do lençol freático para manter a regularidade de vazão dos cursos hídricos.Pequenas empresasPesquisas mostram que os custos com energia afetam as empresas de forma contínua e crescente: estima-se que a energia representa 15% dos custos de operação dos micro e pequenos negócios.“Alguns segmentos são mais afetados que outros pelo custo da energia, como bares e restaurantes, comércio de bens perecíveis, mercearias e panificadoras”, ressaltou o diretor superintendente do Sebrae Goiás, Antônio Carlos de Souza Lima Neto.Porém, uma pesquisa mostrou que 27% dos pequenos negócios não utilizam nenhuma forma para reduzir o custo de energia. Segundo ele, o Projeto de Gestão da Energia pretende melhorar a gestão de energia pelos pequenos negócios.As etapas incluem a sensibilização inicial de 70 empresas, construção de um comitê, realização cursos, consultorias e eventos, compartilhamento de boas práticas e mensuração das transformações geradas.“Temos que fomentar, cada vez mais, o tema e a importância da relevância da matriz energética como essência de resultado dentro de uma empresa”, destaca.O evento de lançamento do projeto contou com a presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Paulo Alvim. Ele ressaltou que a eficiência energética é um instrumento de gestão.“Em toda pauta de sustentabilidade, o componente energia é parte integrante e no ambiente das empresas isso é estratégico porque impacta no custo, na sociedade e evita riscos”, destacou. “Energia é base de muitos pequenos negócios. Pensar energia neste ambiente é pensar em boas práticas de gestão.”Segundo ministro, energias alternativas são estratégicas porque atuam na segurança energética do País.Ele elogiou o Sebrae pela “sacada” da oportunidade de novos negócios para os pequenos a partir da implantação de uma agenda de energia renovável, que abre oportunidade de indústria, comércio e serviços, a partir da estratégia de geração distribuída.“Além de reduzir os custos para as empresas, isso garante desenvolvimento local e inclusão, com a abertura de postos de trabalho nos territórios onde a energia pode ser produzida, criando um novo patamar de desenvolvimento, evitando o chamado passeio da energia”, conclui.