As 37 usinas do setor sucroenergético no Estado, que produzem etanol, açúcar e bioeletricidade, estão gerando cerca de cinco mil novas vagas de emprego para a próxima safra de cana de açúcar, que se inicia nesta primeira quinzena de abril. O número de contratações voltou a crescer com a retomada após as restrições da pandemia, pelo fato de duas usinas voltarem a moer cana nesta safra e até por conta da construção de uma terceira indústria, que já prepara seus canaviais para começar a moer em 2023.Ao todo, o setor gera cerca de 50 mil empregos diretos e 250 mil indiretos no Estado. Porém, muitas vezes, nem todas as vagas ofertadas são preenchidas por falta de pessoal qualificado. O presidente executivo do Sifaeg/Sifaçúcar, André Rocha, lembra que, este ano, também há uma disputa maior por mão de obra em algumas regiões, onde outros segmentos também demandam por mais trabalhadores neste período de retomada da economia.“Em algumas cidades, há demandas pontuais por parte de atividades mais aquecidas como construção civil ou mineração este ano”, destaca André. Mas, segundo ele, o aumento do número de contratações não significará, necessariamente, aumento da produção nas usinas. A demanda por funcionários é determinada de acordo com a capacidade instalada de cada unidade.Um possível aumento na produção ainda dependerá muito da produtividade dos canaviais, o que está atrelado, por exemplo, ao volume de chuvas. “Acho pouco provável que tenhamos geadas, mas sempre convivemos com ameaças de incêndios”, lembra o presidente do Sifaeg/Sifaçúcar. Além disso, a área plantada de cana ainda foi menor em relação há duas safras anteriores. “Para termos um aumento de produção, seria preciso um aumento grande na produtividade”, alerta.O aumento nas contratações também foi puxado pelo fato de duas usinas voltarem a moer cana nesta próxima safra: a Goiás Bionergia, no município goiano de Porteirão, e a Aguapei Agronergia, em São Simão.Segundo André, até mesmo unidades que não processarão cana nesta próxima safra já estão gerando empregos no Estado. É o caso da Nardini Agroindustrial, que ainda está em fase de construção, no município de Aporé. A usina já cultiva cerca de 10 mil hectares de cana, que são comercializadas para outras indústrias da região. O projeto, iniciado em 2008 e que acabou entrando em hibernação em 2012 por conta de uma crise no setor, deve iniciar sua operação industrial na safra de 2023, mas já tem reflexos no volume de contratações do setor em Goiás.QualificaçãoPara atender a demanda por mão de obra qualificada, as usinas fazem parcerias com o Senai e o Senar em Goiás.De acordo com o Senai, são cerca de 500 matrículas por ano em cursos de curta, média e longa duração: técnico em química, de açúcar e álcool; auxiliar de produção em açúcar e álcool; operador de processos de produção; operador de tratamento de águas e efluentes; e auxiliar de laboratório, ministrados em cinco unidades de ensino que atendem o setor no Estado.Há casos de empresas que abriram 300 vagas de uma vez este ano.A Denusa Destilaria Nova União, em Jandaia, foi uma delas. O diretor presidente da indústria, Marcelo Barbosa, informa que foram 300 postos para o período da safra, que vai de abril a novembro, em áreas como agrícola, para o corte e irrigação de canaviais, e transporte.Segundo ele, a produção deve se manter nos mesmos patamares do ano passado, com a moagem de cerca de 1,3 milhão de toneladas de cana e uma produção aproximada de 115 milhões de litros de etanol, sendo 100 milhões do combustível hidratado e outros 15 milhões de anidro.“Também estamos investindo no projeto de uma nova fábrica de leveduras para ração animal, onde estão sendo gerados 15 empregos”, conta Marcelo. A usina também tem investido mais em irrigação para reduzir o impacto dos períodos de estiagem, que afetam a produtividade dos canaviais.A estimativa do setor é de uma safra ainda menor que há dois anos. “Antigamente, fazíamos uma previsão para a próxima safra logo após o carnaval. Este ano, só faremos no final de abril”, avisa André. Isso porque, até lá, poucas unidades já terão iniciado a moagem da cana.“Este ano, teremos um novo atraso porque a cana não ficou pronta, por problemas de geada ou incêndios, que atrapalharam o desenvolvimento de canaviais”.Só na renovação de canaviais, as usinas investem, anualmente, mais de R$ 2 bilhões. “O setor sempre esteve entre os que mais investem em Goiás, gerando emprego e renda, praticando políticas sociais amplas e ajudando a promover o crescimento sustentável do interior goiano”, afirma André Rocha.