O futebol goiano voltou a aparecer no noticiário criminal envolvendo casos de injúria racial. A denúncia feita pelo volante Gustavo Assunção, do time Sub-20 do Atlético-GO, na última quarta-feira (8), ocorreu no exato dia em que se completou um mês da acusação feita pelo volante Fellipe Bastos, do Goiás. Em ambos os casos, os atletas afirmaram que foram chamados de “macacos”.

Os casos estão sendo investigados pela delegacia do Grupo Especializado no Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Geacri), em Goiânia. A denúncia mais antiga, de Fellipe Bastos, avançou no período de um mês, mas nenhuma pessoa foi indiciada para responder sobre o caso.

Segundo o delegado do Geacri, Joaquim Adorno, a denúncia feita pelo jogador do Goiás foi confirmada após análise de vídeos e testemunhos. Cinco pessoas confirmaram, por terem escutado e visto, a acusação feita pelo jogador .

“São ‘ene’ imagens que estávamos trabalhando. Agora estamos trabalhando com os nomes de todos os possíveis torcedores que estavam naquele local (próximo ao alambrado do lado do banco de reservas do time visitante no Accioly). São mais de 1.100, estamos analisando até chegar na qualificação do autor”, afirmou Joaquim Adorno.

O responsável pela investigação salienta que ninguém foi indiciado para não expor alguém sem ter total certeza. “Preferimos ir devagar e com cautela. Temos uma imagem, de uma suposta pessoa, mas ainda não temos a qualificação correta para não cometer injustiças”, completou o delegado do Geacri.

O fundador do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, Marcelo Carvalho, concorda que a investigação criminal costuma ser mais demorada em comparação com a desportiva. No caso de Fellipe Bastos, nenhuma das duas investigações foram concluídas. Para ele, na esfera desportiva, essa demora pode ter relação com o aumento do número de casos.

“Na Justiça comum demora mais por causa do inquérito, investigar, ir atrás do suspeito. Isso é demorado. Não sei se é pela quantidade de casos que aumentou, mas na desportiva também está mais demorado. Antes julgava rápido para seguir o campeonato, mas monitoramos uma certa demora. Talvez para se ter um cuidado maior”, comentou Marcelo Carvalho, que pondera que a demora, porém, tem o lado negativo.

“Não ter a resolução do processo passa a sensação de que não vai acontecer nada. Um mês, com imagens repassadas e não tem identificação (do suspeito), desanima. Entendo, porém, que a Policia (Civil) possui outras demandas. Existem pessoas que acham que alguém denuncia um caso de racismo por prazer, preferem desacreditar da palavra em casos como do Bastos e Edenílson (volante do Internacional)”, completou Marcelo Carvalho.

Em Goiás, no último mês, outras acusações de injúria racial foram feitas em casos que envolveram situações esportivas. Em Caldas Novas, um estudante de 16 anos ouviu “seu preto” nas arquibancadas de um ginásio, enquanto disputava uma partida de basquete em um campeonato estudantil.

Em Rio Verde, um árbitro de futebol amador, Leonardo Trindade, disse que foi chamado de “preto, macaco e urubu” durante uma partida, por um torcedor que estava no campo.