Um contra-ataque fulminante puxado com velocidade, uma infiltração na área e cabeceio com estilo. O destino foi as redes do Atlético-MG no empate do Goiás diante do Galo na Serrinha. O lance acima descrito poderia ter sido protagonizado por um atacante especialista, mas a jogada foi desenhada por Apodi, de 35 anos, que quer deixar de lado a pecha de jogador improvisado para assumir a condição de atacante.

Lateral direito de origem, o veterano jogador esmeraldino tem sido a principal válvula de escape do Goiás para o ataque neste início de Campeonato Brasileiro. Com velocidade e força de vontade, Apodi se tornou um atacante e é titular com o técnico Jair Ventura.

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A transição da lateral para o ataque foi planejada no início desta temporada. Em 2021, o jogador foi importante na campanha de acesso à Série A e já era um jogador que aparecia sempre dentro da área adversária. Para isso, o meia Diego passou a jogar mais recuado e fazia a cobertura para as descidas do ofensivo Apodi.

Apodi explicou que fazer essa função não é uma novidade em sua carreira, mas que a mudança contribui para que o futebol dele possa render por mais tempo, pois ser atacante de lado não é tão desgastante como jogar na lateral.

“Eu resumiria: sou um jogador voluntarioso. Nos últimos anos, tenho gostado de jogar pelo lado mais à frente. Querendo ou não, tem a questão da idade porque estou com trinta e pouquinho. Facilita um pouco mais, mas nada me impede de jogar como lateral. Tenho me adaptado bem porque tenho treinado desde o início do ano nessa posição”, avaliou Apodi.

Essa mudança na lateral direita faz lembrar movimento semelhante de sucesso na história esmeraldina. Lateral direito de origem, Paulo Baier, que é artilheiro do Goiás na história da Série A, com 50 gols, comentou a comparação com o atual momento vivido por Apodi na Serrinha.

“Está mais ou menos parecido mesmo. Joguei muito tempo como ala e me tornei um meia, definitivamente, no Goiás. O Apodi tem muita velocidade e eu tinha um pouco mais de técnica. Acho que é uma coisa boa, pois o Apodi faz muito bem esse lado”, comentou Paulo Baier.

No Goiás, em 2005, Paulo Baier ainda jogava como um ala pela direita no esquema 3-5-2, mas tinha a cobertura eficiente do volante Cléber Goiano, que dava liberdade para Baier atacar. “Lembro que fiz muitos gols com o Jadílson (ala esquerdo) cruzando e eu aparecendo dentro da área”, lembrou Baier.

Após defender o Palmeiras em 2006 e início de 2007, Paulo Baier voltou ao Goiás já consolidado como meia. A lateral direita ficou para Fábio Bahia e, depois, para a ascensão de Vítor.

Com aprovação do histórico ex-jogador da posição, Apodi quer aproveitar a boa fase. “Estou vivendo esse bom momento e espero que ele continue e que nossa equipe possa crescer com isso, todos juntos. Quando a equipe cresce como conjunto, o individual do jogador cresce junto”, completou o jogador de 35 anos.