A festa no Estádio Gran Parque Central, em Montevidéu (Uruguai), foi toda preparada para o retorno do ídolo uruguaio Luis Suárez ao Nacional, na noite fria de terça-feira (2), em jogo válido pelas quartas de final da Copa Sul-Americana. Mas foi de outro Luiz, um talismã que tem Fernando no nome, o gol que colocou o Atlético-GO com vantagem para garantir vaga inédita à fase semifinal do torneio continental. A vitória de 1 a 0 do Dragão é mais um dos capítulos escritos no ciclo do clube no torneio internacional.

A equipe atleticana mostrou ter maturidade para jogar na adversidade. Não se assustou com cerca de 40 mil torcedores locais que empurraram o Nacional sem muito sucesso. O time rubro-negro não se intimidou quando teve de encarar a valentia dos donos da casa. Por fim, se valeu da precisão para definir o jogo de forma favorável, em cruzamento na medida para o cabeceio certeiro de Luiz Fernando, aos 23 do primeiro tempo.

O resultado coloca o Atlético-GO a um empate, na próxima terça-feira (9), no Estádio Serra Dourada, de ficar entre os quatro melhores colocados do torneio. Se avançar, pega São Paulo ou Ceará.

A vitória na capital de um dos países mais tradicionais no futebol da América do Sul e em nível mundial apresentou alguns momentos inéditos, de tensão, dramaticidade e sorte acompanhando a equipe atleticana.

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Após 22 partidas, finalmente Luiz Fernando marcou o primeiro gol dele pelo Dragão na segunda passagem. Como o xará famoso e de grafia diferente que foi a estrela da festa, Luiz Fernando retornou ao Atlético-GO, mas sem o oportunismo da passagem entre 2015 e 2017. Finalmente, desencantou para silenciar os hinchas do Bolso. O Talismã foi o intruso na recepção para El Pistolero.

O Atlético-GO também teve momentos de apreensão quando o goleiro Ronaldo, ao praticar boa defesa, se contundiu e precisou sair de campo ainda no primeiro tempo. Renan, o substituto, mostrou desenvoltura, segurança e ainda teve estrela em dois momentos em que o Nacional parou no travessão, no chute de Cândido em cobrança de falta, e na trave, na incrível chance desperdiçada aos 44 minutos da etapa final por Ramírez.

Pela primeira vez em 85 anos de história, o Atlético-GO jogou no Uruguai. O local, o Estádio Gran Parque Central, é o mesmo em que a seleção brasileira começou a trajetória na história das Copas do Mundo, no dia 14 de julho de 1930, na derrota de 2 a 1 para a Iugoslávia. Praça esportiva de muito significado para os uruguaios, pois foi construída antes do Estádio Centenário e nela repousam boas lembranças dos torcedores locais.

Luisito retornou para casa por dois motivos: colocar o Nacional na disputa por títulos e se preparar para a disputa do Mundial (Catar) no fim do ano.

Suárez voltou a vestir a camisa 9. Ficou no banco de reservas ouvindo os gritos da multidão, enquanto Gigiotti, o titular do ataque, usou a camisa 8. Suárez fez aquecimento durante boa parte do segundo tempo e finalmente foi lançado pelo técnico Pablo Repetto aos 28 minutos da etapa complementar, no lugar de Fagúndez. Participou de alguns lances de ataque.

Daqui a uma semana, Suárez será atração no Serra Dourada em outro capítulo, com ineditismo, na capital goiana.

O Atlético-GO chegou para medir forças diante de um clube centenário e de conquistas relevantes nos cenários continental e mundial: foi campeão da Libertadores em 1971, 1980 e 1988, conquistando também o Torneio Intercontinental daqueles anos. O Dragão não tem a riqueza de troféus do adversário, mas levou a Montevidéu o cartel de um clube regional que tem pretensões de ficar conhecido na América do Sul. Discreto, conseguiu o objetivo.

No primeiro tempo, o Nacional fez a festa. Visitante, o Atlético-GO marcou o gol, no cabeceio de Luiz Fernando, após bom cruzamento de Léo Pereira, aos 23 minutos. Gol em que o atacante atleticano subiu sozinho e com estilo para colocar a bola no canto. Autor de golaço sobre o Corinthians, pela Copa do Brasil, Léo Pereira foi uma das sete novidades do Dragão na partida de ida da Sula.

Foi preciso substituir o goleiro Ronaldo logo no início, após fazer duas defesas, na cobrança de falta com rebote e na sequência, ao bloquear a conclusão com o pé. No lance, o camisa 22 teve lesão no ombro direito. Renan demonstrou a segurança esperada de um goleiro experiente. Tinha atuado só três vezes em 2022, pelo Goianão - o último jogo foi no dia 16 de fevereiro, contra o Goiatuba.