Nadadores goianos com 15 e 16 anos passam a viver um dilema que pode definir a sequência na carreira esportiva. A partir dessa faixa etária, duas opções convivem diariamente com competidores: tratar o esporte como hobby ou dar andamento aos treinos que podem fazê-los atletas de alto rendimento. A natação goiana tem se destacado nos últimos anos, com garotos e garotas que conquistam medalhas, títulos, recordes e buscam o ápice no esporte.

Lucas Alves, de 16 anos, e Sophia Mendonça Justino, de 15 anos, são competidores goianos que vivem, neste momento, a discussão sobre seguir a carreira na busca pelo alto rendimento, o que Iovani Rodrigues Oliveira, de 21 anos, já fez e mantém para conquistas no esporte.

Para o atleta tomar a decisão de buscar o alto rendimento e torná-la real, é preciso que alguns fatores ao seu redor estejam presentes como suporte.

Na opinião de treinadores, além de talento e vontade, o apoio familiar, acompanhamentos técnico e de profissionais de nutrição, psicologia, fisioterapia, além de e investimento financeiro, são essenciais. É possível que, a partir dos 16 anos, um atleta mostre que pode vingar no esporte, na opinião de técnicos consultados pelo POPULAR.

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Lucas Alves está determinado a se tornar um atleta olímpico. Sophia Mendonça, por sua vez, prefere dar uma braçada de cada vez e analisar junto à família quais são suas metas de carreira. Ambos afirmam que não pensam em desistir do esporte.

“Hoje, a natação é minha vida”, resume Lucas Alves. O nadador de 16 anos tem acumulado títulos nas últimas competições, como ocorreu no Rio de Janeiro, no mês de junho. Foram quatro medalhas no Campeonato Brasileiro Juvenil de Inverno: ouro no 400m medley, prata nos 1500m livre e dois bronzes, um no 400m livre e outro nos 800m livre.

“Desde o início, ele (Lucas Alves) é bem focado no que quer. Na natação, é chegar nas Olimpíadas. Construiu esse sonho, está no caminho e é algo que cultiva desde quando começou, aos 8 anos. O irmão mais novo (Victor Hugo, 11 anos) também passou a nadar e tem o Lucas como exemplo”, declarou o pai do jovem goiano, Hugo Alves, microempresário.

O caminho para o alto rendimento também exige amor ao esporte. Sophia Mendonça vive cercada de água desde os primeiros anos de vida. Na família, a natação foi um meio escolhido para sobrevivência, de saber nadar, mas também por entender que o esporte é um bom modo para manter a saúde em dia.

“Ela (Sophia Mendonça) me disse que os olhos ainda brilham quando nada”, contou Fernanda Mendonça, mãe da atleta goiana, que, no Campeonato Brasileiro Juvenil de Inverno, conquistou uma medalha de bronze nos 100m costas - também competiu nos 200m costas, mas não avançou à final.

“A natação exige muito esforço mental. Ter o apoio de profissionais e família é importante. É o tipo de apoio sem pressão. Minha família está do meu lado para o que eu decidir fazer. Isso ajuda a querer seguir no esporte. Meu técnico me ajuda tecnicamente, mas principalmente na parte mental. Ao olhar para trás e ver tudo que passei para chegar aqui, desistir não é mais uma opção”, afirmou Sophia Mendonça, que tem como meta, neste momento, disputar um torneio Sul-Americano.

Sophia Mendonça e Lucas Alves têm em comum o fato de atuarem por equipes. Ela é nadadora da Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal de Goiás (Apcef-GO), do técnico Dener Silveira. Ele compete pela Swimmers, de Pedro Durães.

Treinar em uma equipe, academia ou clube, por exemplo, é algo importante na busca pelo alto rendimento. Conviver com esse suporte ajuda nos treinos para o atleta crescer e participar de competições de alto nível.

“A equipe é essencial. Talvez não há atleta olímpico que saiu de algum lugar sem passar por uma formação que seria clube, academia, equipe, escolas, instituições como o Sesi. O atleta sabe que, quanto mais compete, melhor. Às vezes, é até tratado como uma simulação do que pode ter lá na frente. Ele treina, treina, treina e também usa a competição como treino. O melhor treino muitas vezes é a competição”, justificou Pedro Durães sobre a importância do atleta se manter ativo em provas.

Um atleta goiano que desde mais cedo tem ao seu redor estrutura considerada importante para o caminho para o alto rendimento é Iovani Rodrigues Oliveira, de 21 anos, da Diniz Multisports. Apoio familiar, treinos em uma equipe, suporte técnico, mental, de alimentação e participações em competições de alto nível, por exemplo, fazem parte da rotina do nadador, que nada desde os 4 anos e compete há 10 anos.

“A minha carreira já chegou em uma fase que não tem como voltar atrás. O foco é chegar nas Olimpíadas, campeonatos mundiais, convocações para a seleção brasileira e dar o melhor de mim. Vai ter o Brasileiro agora (em setembro, entre os dias 13 e 18), que vale vaga para o Mundial. Estou focado em fazer um grande campeonato para buscar essa vaga”, avisou Iovani, que é formado em Educação Física, é especialista no nado peito e compete nas provas de 200m medley, 200m peito e 100m peito.

Os últimos resultados expressivos de Iovani são dois ouros nas provas de 100m peito e 200m medley e um bronze na prova de 100m livre na Copa das Federações, em maio, no Rio.

Jovens lidam com cobrança no esporte e na escola
O atleta, em qualquer modalidade, costuma se cobrar por evolução a todo instante. No caso de jovens, os pais também aumentam essa cobrança, mas não apenas no esporte. A escola, por exemplo, faz parte da rotina de garotos e garotas de 15 e 16 anos, como nos casos de Lucas Alves e Sophia Mendonça. A escolha do colégio, inclusive, tem influência nos passos que os atletas dão na busca pela carreira.

“A minha cobrança com ela (Sophia Mendonça) começa com a escola. Como está no ensino médio, no 1º ano, buscamos uma escola que valorizasse não só os estudos, mas também a atividade esportiva. A vida do atleta é dividida e muito exigente, precisa ter foco e persistência diferenciados. Uma escola que respeite o esporte é fundamental”, comentou a fisioterapeuta Fernanda Mendonça, de 41 anos e mãe de Sophia Mendonça.

Os pais cobram responsabilidade com tudo que cerca o crescimento no esporte e na vida. Hugo Alves, pai de Lucas Alves, explica que a cobrança não é pesada, mas está presente em momentos da rotina do filho.

“Ainda é uma criança, então tem que aprender a ter responsabilidade com tudo. A alimentação, os estudos, o horário para dormir, treinos. Por ele ser bolsista, precisa ter boas notas. A natação não é um hobby para ele, então são cobranças que entendo que podem ajudar a lapidar o potencial que tem”, argumentou Hugo Alves, de 39 anos.

No caminho para persistir no alto rendimento, a faixa etária dos 16 anos é considerada como um período em que o atleta precisa decidir se seguirá a evolução no esporte ou diminuirá o ritmo. Por isso, técnicos e pais, entendem que a cobrança faz parte para a tomada de decisão.

“Após essa idade, é quase impossível o atleta conseguir chegar no alto rendimento, pois algumas valências físicas têm de ser desenvolvidas nesta idade. Depois, é muito difícil aprimorar, principalmente na natação, que é um esporte muito técnico. É preciso ter talento, predisposição genética, estrutura familiar, acompanhamento técnico de alto rendimento e o investimento financeiro”, complementou o técnico de natação Dênis Diniz, da academia Diniz Multisports.

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