As investigações da Polícia Civil para a identificação do torcedor que teria xingado de “macaco” o jogador Fellipe Bastos do Goiás estão em andamento e próximas de um desfecho. A informação foi repassada pelo delegado do Grupo Especializado no Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Geacri), Joaquim Adorno, que trabalha para a apuração do caso de injúria racial ocorrido no domingo (8), no Estádio Antonio Accioly, após o clássico em que o Goiás venceu o Atlético-GO por 1 a 0.

Fellipe Bastos disse que foi chamado de “macaco” antes de descer para os vestiários, após o clássico. O jogador registrou queixa no Geacri na segunda-feira (9) e, desde então, há o trabalho direcionado para identificar o responsável pelo ato.

Joaquim Adorno explicou que o Geacri está em fase de análise das imagens solicitadas e já está avançando nas investigações, mas sem poder revelar mais detalhes. Durante a acusação, Fellipe Bastos disse que o torcedor que o teria xingado estava com óculos na cabeça e, nas imagens de TV, é possível ver que o jogador discute com outros torcedores na arquibancada.

A Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) também determinou, na quarta-feira (11), abertura de inquérito para apurar a denúncia de injúria racial sofrida por Fellipe Bastos e disse que pediu esclarecimentos e informações ao Atlético-GO, “além de determinar envio de ofício para obter informações sobre o número e o andamento do Boletim de Ocorrência registrado pelo atleta”.

O Atlético-GO, clube mandante do jogo, recebeu, no final da tarde desta sexta-feira (13), um pedido de manifestação do STJD sobre o episódio. O Geacri disse que não havia recebido nenhum tipo de solicitação da entidade até agora.

A procuradoria explicou que pediu a investigação “pela gravidade dos fatos, em especial pela afronta ao artigo 243-G do CBJD”. O artigo do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) prevê punição contra quem “´praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”.

O artigo prevê algumas distinções sobre quem pratica um ato de injúria racial. Se a infração for cometida por número considerável de pessoas vinculadas a um clube, a agremiação pode ser punida com perda de pontos. A multa pode ser aplicada ao clube cuja torcida “praticar os atos discriminatórios” e “os torcedores identificados ficarão proibidos de ingressar na respectiva praça esportiva pelo prazo mínimo de 720 dias”.

Advogado e diretor administrativo do Dragão, Marcos Egídio disse que o clube se colocou à disposição da Polícia Civil para repassar informações solicitadas - o Geacri procurou o clube solicitando imagens -, mas esclareceu que a agremiação não pode fazer nenhum tipo de investigação.

Segundo ele, a partir dos próximos jogos em casa, o Atlético-GO fará campanhas contra a injúria racial, usando faixas e o telão do estádio, por exemplo, para veicular mensagens. Segundo ele, isso só pode ser realizado nas partidas da Série A e da Copa do Brasil e não é permitido pela Conmebol nos jogos da Copa Sul-Americana, como o de terça-feira (17), diante do Antofagasta (Chile), pela penúltima rodada do torneio continental.

Presidente do Goiás, Paulo Rogério Pinheiro fez um pedido aos torcedores do Goiás para que, se identificarem qualquer manifestação racista durante os jogos do clube, que ajudem a identificar o infrator e encaminhá-lo à polícia ou à segurança particular contratada para os jogos na Serrinha.

Leia também
Vítima de injúria racial, árbitro de Rio Verde se solidariza com volante do Goiás
Injúria racial: especialistas consideram denúncia passo importante para punição efetiva