O rosto ainda apresenta algumas espinhas, o tom de voz segue baixo e a timidez faz parte do jeito do meia-atacante Luiz Fernando. Foi dele o gol histórico que deu vantagem ao Atlético-GO nas quartas de final da Copa Sul-Americana contra o tradicional Nacional, do Uruguai, que fez festa para reestrear seu ídolo Luis Suárez. Com o gol, o talismã do Dragão deixou para um trás um longo jejum e pôde marcar o primeiro gol para a pequena Maria Helena, de cinco meses.

Luiz Fernando, de 25 anos, está em sua segunda passagem pelo Atlético-GO, clube que o revelou. A ascensão foi rápida. Entre 2015 e 2017, foi destaque pelo Dragão.

A mudança de patamar na carreira começou a partir dos três gols marcados na Copa São Paulo de Futebol Júnior (2015) pelo Atlético-GO. No retorno, passou a morar na concentração do CT do Dragão, teve acompanhamento mais próximo do clube para que pudesse evoluir fisicamente e, no mesmo ano, ganhou as primeiras chances no time principal, numa temporada difícil em que o Atlético-GO deixou de disputar o título do Goianão depois de seis anos seguidos e chegou a correr risco de descenso na Série B.

Promessa em 2015, Luiz Fernando ganhou o apelido de talismã em 2016, quando foi decisivo, na maior parte das oportunidades saindo do banco de reservas, na campanha do inédito título da Série B. Foi dele o gol do acesso à Série A sobre o Londrina, fez três no rival Goiás naquele ano (incluindo Goianão) e ainda deixou sua marca na partida do título da Segundona contra o Tupi.

Em seu retorno ao clube neste ano, ainda não se firmou como titular, mas espera que as coisas comecem a andar para ele depois de colocar em prática seu apelido: talismã.

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“Acredito que agora o talismã vai voltar a marcar e dar alegrias para a torcida”, avisou Luiz Fernando, que acabou com o longo jejum de 49 partidas e quase 1 ano e meio sem balançar as redes.

Explicação

Para o atacante, não há uma explicação concreta para o jejum. Em nenhum momento, porém, deixou de se cobrar para voltar a balançar as redes. Foi o primeiro gol dele em seu retorno ao Atlético-GO, o 20º feito com a camisa do Dragão, considerando as duas passagens.

“Não sei se foram as maneiras de jogar dos treinadores com quem pude trabalhar. Às vezes, a fase não estava boa mesmo, mas não faltou trabalho para reverter isso. Todo atacante se cobra muito quando fica tanto tempo sem marcar. Agora que voltei, espero dar continuidade para ajudar o Atlético-GO”, afirmou o meia-atacante, que dedicou o gol contra o Nacional à sua primeira filha, a pequena Maria Helena, de cinco meses.

No desembarque em Goiânia, nesta quarta-feira (3), Luiz Fernando foi um dos jogadores mais assediados para entrevistas e fotos de torcedores. Atendeu a todos, mas o abraço especial foi na esposa (Laila Santos) e na pequena, que o aguardavam no estacionamento do aeroporto Santa Genoveva.

“Elas estão me esperando ali no carro. Tento ser o mais presente possível, com tantos jogos e viagens, mas, sem dúvida, é um momento único ser pai. Foi o dia mais especial quando minha filha nasceu, esse gol foi para ela. É algo que vou carregar comigo para toda a minha vida”, contou Luiz Fernando.

O gol contra o Nacional não surgiu do acaso. Luiz Fernando revelou que a jogada de ocupar o espaço do centroavante tem sido trabalhada pelo técnico Jorginho nas últimas semanas. A ideia é que o meia-atacante sempre fique próximo do atacante Diego Churín ou que aproveite o espaço gerado por quem estiver cumprindo a função de referência, como ocorreu diante o time uruguaio na última terça-feira (2).

“A gente vinha treinando com o professor essa cabeçada, fui feliz em acertar para marcar o gol. O Jorginho sempre me deu essa liberdade para pisar dentro da área e que ficasse próximo do Churín quando houvesse um tiro de meta. Quando vi a bola com o Léo (Pereira), fui direto para a área e puder marcar o gol em uma cabeçada perfeita”, explicou o jogador rubro-negro, que está suspenso na próxima rodada da Série A e desfalca o Dragão contra o RB Bragantino, no próximo sábado (6), no Accioly.