Com projetos de futebol feminino ainda recentes, Atlético-GO e Vila Nova vão iniciar neste sábado (11), a partir das 15 horas, no OBA, a disputa por uma única vaga para seguir adiante na Série A3 do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, competição que estreia em 2022. Será a primeira vez na história que um clássico goiano será disputado por uma competição nacional na categoria.

O regulamento da Série A3 é diferente das duas principais divisões. Só um clube goiano continuará no torneio, já que os duelos são eliminatórios de ida e volta. Isso se o visitante não golear por três gols de diferença na primeira partida, o que vai garantir, na 1ª fase, a classificação antecipada às oitavas de final. Se necessário, Atlético-GO e Vila Nova voltam a se enfrentar no domingo (19) seguinte, no CT do Dragão. Vão garantir o acesso à Série A2 os quatro semifinalistas.

Em jogo, a vaga, a continuidade na competição e o direito de permanecer na disputa para ganhar maturidade e ritmo de jogo, pois há poucos torneios oficiais para as mulheres em Goiás. Para a maioria das praticantes do futebol feminino no País, o esporte é um sonho às vezes distante para boa parte delas.

No Atlético-GO, sonho e desejo de evoluir são comuns às jogadoras que representam o clube na Série A3. A base da equipe tem sido trabalhada pelo técnico Wagner Gomes e os pares da comissão técnica desde o início do ano.

A primeira experiência oficial se deu na disputa do Brasileiro Sub-20 da modalidade. A equipe atleticana ficou no Grupo A, ao lado de São Paulo, Minas Brasília-DF e Cuiabá-MT. O time goiano não passou de fase, mas a vitória (1 a 0) e o empate (1 a 1) sobre as cuiabanas foram comemorados internamente após seis jogos, com quatro derrotas e as partidas empatadas e vencidas pelo rubro-negro.

O gol da vitória sobre o Cuiabá-MT foi marcado pela meia atacante Stela Szervinsk, de 19 anos. O sobrenome é polonês, de antepassados da família que ela não conheceu. Stela é autora de outro gol marcante no projeto atleticano, em 2021, no Brasileiro Sub-18 - o rubro-negro venceu o Juventude-RS por 2 a 1. Ela é destra, mas marcou duas vezes de canhota.

Natural de São João da Aliança, município turístico goiano nas proximidades da Chapada dos Veadeiros, Stela é oriunda do futsal, berço de muitas jogadoras no País. Ano passado, ela apostou no potencial, veio para Goiânia para fazer testes e foi aprovada no Atlético-GO.

Um dos desafios dela, após se mudar de cidade, foi se familiarizar com o gramado, a bola rápida, as distâncias de um campo e preparação física. Também precisa apurar a técnica e a disciplina tática. No clube, também tem acompanhamentos psicológico e médico.

“Jogar no campo foi muito difícil no começo. Estou trabalhando muito a parte física”, disse a jovem jogadora, que se define como “uma atacante de lado e de velocidade”, mas também joga como armadora.

Stela tem 1,58m, é baixa para os padrões de jogadoras da modalidade. Fã de Formiga, Marta e Christiane, ela difere na opção pelo futebol feminino, pois os irmãos Jean e Luan não gostam da modalidade. Também cultiva o hábito de usar dois terços no corpo: um no braço e o outro no pescoço. Claro, não pode jogar com eles.

O Atlético-GO e Stela não jogaram oficialmente contra o Vila Nova na história recente da modalidade. A atacante tem experiência em duas edições do Brasileiro, enquanto o time vilanovense conquistou o título Goiano em 2021.

A atleticana espera que a equipe possa equilibrar os jogos, brigar pela vitória e manter aceso a chama de ser uma atleta do futebol feminino para sobreviver. “Estou muito focada no futebol”, garante Szervinsk, ansiosa para o duelo contra o Vila Nova.

A história da atacante do Atlético-GO é a mesma de muitas meninas que deixam o interior goiano rumo a Goiânia em busca do sonho de jogar futebol. Do lado do Vila Nova, Thais Lane, de 17 anos, representa essa trajetória. A jovem deixou Mambaí para buscar oportunidades no esporte. Chegou em 2019, quando ingressou na equipe de base da Universo, que na época tinha parceria com o Goiás.

O projeto não seguiu adiante e, após o início da pandemia da Covid-19, a Universo acertou com o Vila Nova. Thais Lane seguiu na equipe, que defende desde então. “Eu vim pelo futebol, tentar uma oportunidade”, resume a lateral direita, que também joga de ponta.

A mãe Eleni Angélica, as irmãs Ingrid Angélica e Louslane Angélica, e o pai Valdecy Barbosa, todos ainda moram na cidade natal da jogadora colorada e são as pessoas que a mais motivam, ponto de apoio para a jovem que mora sozinha em Goiânia e vai iniciar o curso de Odontologia no próximo semestre.

“Eu evolui bastante desde 2019. Não fiz base, nunca tinha jogado em nenhum time. Chegar, hoje, em uma equipe principal é um sonho. Sentimento de gratidão, pela minha idade, e ter a chance de jogar em um campeonato nacional”, celebrou a goiana, que integra o time adulto do Vila Nova e espera ter chance na Série A3.

O Vila Nova não só quer eliminar o Atlético-GO como busca o acesso inédito à Série A2. O time colorado vai estrear no Brasileiro Feminino e chega embalado. Nos últimos dois anos, a equipe colorada venceu o Goianão da categoria e a base do plantel foi utilizada nas duas últimas edições dos Jogos Universitários de Futebol, que o clube goiano é o atual bicampeão.

“É importante estar na história, será o primeiro clássico goiano no feminino. Quero dar meu melhor. Não gostei do formato, se a gente perder por três gols (de diferença) podemos sair, mas vamos buscar a classificação”, avisou Thais Lane.