Todos os dias o sol nasce, e como ele nosso dia a dia de trabalho e/ou estudo começa. Acordamos, nos preparamos e nos deslocamos para os locais onde vamos realizar nossas atividades cotidianas. Quando o sol vai embora, algumas pessoas param suas atividades, já outras, continuam em mais um turno. De toda forma, o ritmo da nossa vida diária pode muito bem ser cronometrado por ele.

No início de 2020, todos tivemos nossas rotinas modificadas pela pandemia do vírus Covid19. Aquela rotina regulada muitas vezes pelo nascer e pôr do sol, agora já não era mais a mesma. O mundo tinha parado e mudado. Com uma nova rotina, veio o isolamento social. Passamos a ficar 24horas por dia dentro das nossas residências.

Essa reclusão, nos fez observar melhor os interiores das nossas casas. Muitas pessoas inclusive começaram a perceber, que a suas casas não eram tão acolhedoras. Afinal, o ambiente doméstico quase não era palco para as rotinas diárias reguladas pelo nascer e pôr do sol. Essa descoberta, levou muitas pessoas realizarem mudanças internas em suas casas, paredes foram pintadas, mobiliários foram mudados de lugar e quem ainda não tinha o hábito de ter plantas, se rendeu a descoberta de um mundo mais verde.

O que pouco se observou foi a relação do acesso à luz solar nos ambientes e falta de exposição ao sol, que antes da pandemia, era possível devido aos nos nossos deslocamentos diários.

Após alguns meses de pandemia, no início de 2021, quando começamos a retornar as nossas atividades, muitas pessoas ao fazerem seus exames de saúde de rotina, descobriram deficiência de vitamina D no organismo. Em alguns casos, a suplementação com medicamentos foi necessária. O conhecimento de que a através da luz natural nos nutrimos de vitamina D é senso comum. Assim como, o uso da luz do sol para deixar as roupas mais brancas e a ideia de que, quanto mais luz um ambiente recebe, mais livre de bactérias e vírus e limpo esse ambiente é, estão estabelecidos.

O que pouco a população sabe, é que o acesso regulado a doses diárias de luz natural também é capaz de regular o nosso humor, nossa concentração, aumentar a nossa criatividade, além de permitir um fluxo de emoções positivas, reduzindo índices de depressão, ansiedade e stress – as comuns doenças do mundo contemporâneo. Essas descobertas foram realizadas pelos cientistas no início dos anos 2000. Quando, pesquisadores da área da saúde, descobriram o eixo fotobiológico, onde a luz recebida pela retina, é encaminhada para um sistema biológico capaz de regular os hormônios ligados ao estímulo dessas emoções positivas. Sendo que, o seu maior regulador é o ritmo claro e escuro do nascer e pôr do sol, ou seja, o acesso a luz natural.

Sol é vida. O contato com o ambiente natural e seus componentes, água, sol e terra, são capazes do nos trazer alegria e nos fazer recuperar a vitalidade perdida no excesso de trabalho diário. Hoje, já se estima que nós seres humanos, passamos em média 90% das nossas vidas em ambientes de interiores.

Garantir o acesso regulado a luz do sol será primordial no planejamento de novas edificações no mundo pós pandêmico. Também, será um desafio, adequar as edificações já construídas, que muitas vezes nem tiveram um planejamento arquitetônico devido ao rápido e acelerado crescimento das grandes cidades.

Arquitetos, engenheiros, construtores e profissionais da construção civil, deverão se atualizar para a aprender a construir edificações mais saudáveis. O tema atualmente inclusive já está presente nos novos cursos de pós-graduação no Brasil e em empresas que estão atentas as novas demandas do mercado. Para os pequenos projetos, os profissionais atualmente em formação, bem como os já atuantes no mercado, não podem dispensar a atualização com relação ao conhecimento de como planejar edificações e interiores mais saudáveis. O bem-estar físico e mental das pessoas agradece.

 

Autora: Camila Caetano Feliciano

Arquiteta e Urbanista e professora de disciplinas na área de projeto e tecnologia nos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil na UniAraguaia. Mestre em Arquitetura na área de habitabilidade da edificação pela UFRGS, bacharel em Arquitetura e Urbanismo pela UEG. Atua como arquiteta em escritório próprio (C.Alma - Arquitetura, Sustentabilidade e Bem-estar) em projetos com foco no uso da tecnologia BIM e da sustentabilidade da construção.