Uma das primeiras histórias que nos é contada na infância é “Os três porquinhos”, que deixa claro que uma casa de tijolos e cimento não pode ser derrubada tão facilmente pelo forte sopro do vilão. Provavelmente esse é o primeiro contato que muitos indivíduos têm com a engenharia. Com o avanço tecnológico da construção civil e a necessidade de reduzir os impactos ambientais, novas soluções têm surgido para economizar tempo, dinheiro e é claro, reduzir os danos ao meio ambiente. Uma dessas alternativas é a substituição da alvenaria convencional (tijolos cerâmicos) pelo isopor, que recebe esse nome devido ao material utilizado para a sua construção, o EPS (poliestireno expandido). Surge, então, a questão: se um dos porquinhos tivesse construído uma casa de EPS, o lobo mau a teria derrubado? A resposta pode deixar muita gente incrédula, mas afirmo que não. O lobo mau não teria conseguido derrubar a casa de isopor.

Para muitos cidadãos, quando se fala de isopor logo vem à cabeça a ideia de um material muito leve, nada resistente e com grande risco de incêndio. Mas, em termos de resistência, ocorre o contrário. Uma casa feita de isopor pode ser até 30% mais resistente do que uma de alvenaria. Trata-se de um material seguro contra incêndios, afinal, é adaptado para não gerar combustão. Já a leveza do EPS traz muitos benefícios para a obra, como a redução do custo da fundação, que suportará uma carga menor do que com a alvenaria convencional. A casa de isopor tem, ainda, uma alta capacidade de isolamento térmico e acústico, além de ser considerada uma construção a seco, ou seja, que dispensa o uso de água. Outra vantagem é que o material é 100% sustentável e ecológico, por ser inodoro, de baixa emissão de gás carbônico e com pouco desperdício em obras. Ademais, é reciclável em caso de demolição, diferentemente dos blocos que viram entulho.  

Porém, é importante salientar que o isopor aqui falado não é o mesmo que encontramos nas papelarias, e sim uma versão que possui em sua composição alumínio, fibra de vidro e polipropileno. Os painéis são feitos por encomenda após a aprovação do projeto. A empresa produz as paredes da casa já com a abertura das janelas, portas e outros detalhes previstos em projeto. A formação da parede é parecida com um sanduíche de materiais: as chapas de isopor ficam dentro de grelas metálicas aramadas cobertas com argamassa. As paredes podem receber quaisquer tipos de revestimentos finais, assim como a parede de alvenaria convencional. Já as instalações elétricas e hidrossanitárias precisam ser bem protegidas dentro de dutos especiais que são encaixados nas placas através do derretimento do EPS.

Por outro lado, existem desvantagens quanto ao uso do produto, como a necessidade de um profissional eletricista especializado nesse tipo de projeto, já que as instalações elétricas devem ficar bem protegidas. Além disso, no Brasil, existem poucas empresas e fabricantes especializados no material, talvez pelo sistema ainda não ser muito utilizado. Ao contrário de muitos países que fazem o uso dessa tecnologia há algum tempo, com o intuito de reduzir os impactos causados por terremotos nas construções, como o Japão, que possui um complexo residencial de casas de isopor. No Brasil ainda não existem normas regulamentares para a construção de uma casa de isopor. O que os profissionais devem fazer é seguir as normas para os componentes do painel monolítico de isopor. É importante afirmar que independentemente do sistema construtivo escolhido, é necessária a contratação de um profissional responsável para garantir a segurança, economia e durabilidade da construção.

 

Autora: Profa. Esp. Tairine Roquete Alves Carneiro
Graduada em engenharia civil pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, especialista em projetos de estruturas e fundações. Professora da área de estruturas no Centro Universitário UniAraguaia.