Para responder a questão é necessário definir o termo “sustentabilidade” e levantar uma problemática da agricultura. Daí sim compreenderemos, principalmente a perspectiva futura.

Na mais clássica das definições a sustentabilidade é considerada o produto da soma de três “aspectos”, que juntos formavam o tripé da sustentabilidade. Definido então como, sustentabilidade social, econômica e ambiental. Nesse momento necessita-se voltar um pouco no tempo, levantar a problemática da agricultura para tentar discutir sobre essa definição, e, posteriormente avançar em direção ao futuro...

Em 1798 um economista britânico chamado Thomas Robert Malthus fez uma previsão catastrófica, dizendo que, “Estamos condenados pela tendência de a população crescer em progressão geométrica e a produção de alimentos em progressão aritmética”. Ou seja, hoje não haveria alimento suficiente para a manutenção da população mundial. Essa é a “problemática” da agricultura, necessidade de produzir alimentos suficientes para o mundo. Felizmente a previsão de Malthus não se concretizou, graças à evolução da agricultura. Por exemplo, desde meados do século XIX com os trabalhos sobre fertilidade de Justus von Liebig até a metade do século XX com os passos da “Revolução verde”, pode-se dizer que a produção de alimento cresceu de forma exponencial, contrariando a estimativa catastrófica de fome no mundo. Segundo Borém et al. (2017) a previsão só não se concretizou por conta dos avanços tecnológicos, que compreendem desde o uso de insumos (fertilizantes e agrotóxicos); maquinas e implementos agrícolas; sistemas de cultivo (plantio direto e rotação de culturas); melhoramento de plantas e etc. Porém, fica a dúvida, essa “conquista” da evolução agrícola respeitou a sustentabilidade?

Se analisarmos o tripé vemos que de certa forma a evolução da agricultura não respeitou a sustentabilidade. Primeiro, SOCIAL, fome é um problema social, e “teoricamente” esse problema foi sanado. Temos alimentos suficientes para alimentar a população mundial, mas, diz-se teoricamente porque sabemos que hoje existe fome por questões de desigualdade social, distribuição de alimentos no mundo e desperdício. ECONÔMICO, uma parte da população foi favorecida economicamente, por exemplo, empresários industriais de insumos, latifundiários e etc. Mas, com a substituição parcial de homens por máquinas houve êxodo rural, consequentemente, prejuízo financeiro para trabalhadores, além do aumento da desigualdade social em centros urbanos. Por fim, sustentabilidade AMBIENTAL, além de vários outros fatores, e, também por conta da evolução agropecuária, sabe-se que a natureza foi e ainda é muito “agredida-explorada”, com abertura de novas áreas e desmatamento.

Para assegurar a segurança alimentar e contrariar a previsão de Malthus foi necessário “passar por cima” da sustentabilidade, pensando ainda na definição de sustentabilidade representada pelo tripé. Hoje há uma tendência clara da sociedade se preocupar principalmente com a sustentabilidade ambiental, pois, vivemos as consequências do descaso de anos atrás. Portanto, sabe-se que, ambientalmente falando, se não mudarmos nossas atitudes em um futuro próximo ficaremos sem os recursos necessários para a manutenção da vida.

No presente e futuro, por conta do aumento populacional, os sistemas agrícolas continuarão com a necessidade de produzir alimentos de forma crescente. O que ira garantir a agricultura dentro do contexto sustentável será a própria evolução agrícola aliada à pesquisa científica. Há quatro exemplos básicos que ilustram o desenvolvimento agrícola aliado à pesquisa, agora e em perspectiva futura. Sistema de cultivo em plantio direto, que contribui para redução da erosão e melhora características do solo (química, física e biológica), além de recarregar o lençol freático. Genética e melhoramento de plantas, que contribui agregando tolerância a estresses bióticos e abióticos, e, eficiência no uso de nutrientes. Fixação biológica de nitrogênio, por meio da inoculação de sementes com bactérias tem possibilitado redução significativa do uso de fertilizantes minerais, reduzindo o impacto ambiental. Controle biológico, realizado regularmente em diversas culturas tem reduzido a demanda por controle químico, gerando impactos positivos ao ambiente.

Nesse cenário, sendo no presente sustentável, espera-se que a agricultura continue evoluindo para a melhoria na produção de alimentos. Em conjunto com a pesquisa científica e aliados às inovações tecnológicas - citadas no parágrafo anterior -, essas práticas continuarão viabilizando um Agro sustentável.

Autor do texto:

Israel Mendes Sousa; Engenheiro Agrônomo pelo Instituto Federal Goiano - campus Morrinhos. Mestre em Agronomia pela Universidade Federal de Goiás. Professor adjunto de Agronomia no Centro Universitário Uniaraguaia.