Heitor Villa-Lobos (1887-1959) foi um maestro e compositor brasileiro considerado o expoente máximo da música do Modernismo no Brasil, com relevante participação na Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo em 1922. Villa nasceu no Rio de Janeiro, no dia 5 de março de 1887, e começou a receber orientação musical ainda criança. No ano de 1915 começou sua vida profissional como instrumentista e, aos 19 anos de idade, fez suas primeiras composições.

Em 1923, viajou para a Europa e só voltou ao Brasil em 1929, após o reconhecimento de sua obra no exterior. Durante o governo de Getúlio Vargas (1883-1954), mais precisamente no ano de 1931, organizou o famoso coral de 12 mil vozes em São Paulo, acontecimento de grande importância na América do Sul. 

Durante sua vida, ele recebeu 24 títulos do Instituto da França. Era membro da Academia de Belas Artes em Nova Iorque e Comendador da Ordem de Mérito do Brasil. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Nova Iorque e o de fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Música.

Heitor Villa-Lobos faleceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de novembro de 1959 e foi sepultado no Cemitério de São João Batista.

Em 2000, o cineasta Zelito Vianna (1938) levou às telas o filme "Villa-Lobos", onde o artista foi interpretado na juventude pelo ator Marcos Palmeira (1963) e na maturidade pelo ator Antônio Fagundes (1949). As atrizes Ana Beatriz Nogueira (1967) e Letícia Spiller (1973) interpretam respectivamente as duas mulheres com quem o compositor casou-se: Lucilia e Mindinha. Entre suas obras mais conhecidas pelo grande público está "O trenzinho do caipira", último movimento da "Bachiana Brasileiras nº 2", composta em 1930, e que recebeu letra do poeta Ferreira Gullar (1930), em 1975, como parte de seu famoso "Poema Sujo".

Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra, vai pela serra, vai pelo mar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar, no ar...

Essa canção foi primeiramente gravada com letra por Edu Lobo (1943), no final da década de 1970.  Em 1980, o instrumentista e compositor Egberto Gismonti (1947) lançou um disco inteiramente dedicado a uma releitura da obra de Villa-Lobos, "Trem Caipira".
Suas "Bachianas Brasileiras" representam a justaposição de certos ambientes harmônicos e contrapontísticos do estilo do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685 - 1750) ao lado do material recolhido em suas viagens pelo Brasil, na qual fez pesquisas e anotou em seu diário as muitas modalidades musicais do folclore de algumas regiões do Brasil, sobretudo da música dos chorões cariocas.

Ouviremos de Heitor Villa-Lobos a Bachiana Brasileira Nº 2 - IV. Tocata (O trenzinho do caipira) coma Orquestra Sinfônica Brasileira, regida por Roberto Minczuk (1967), em apresentação na Cidade das Artes no Rio de Janeiro em Março 2015.

*Gyovana Carneiro é professora da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, mestre em Música na contemporaneidade, doutoranda em Ciências Musicais na Universidade Nova de Lisboa - Portugal. Promove Séries de Concertos em Goiânia. (www.concertosemgoiania.com)