“Tô bem de baixo pra poder subir, tô bem de cima pra poder cair”, canta Curumin junto com Arnaldo Antunes na canção Tô, escrita por ninguém menos que Tom Zé. A música foi lançada em 2022 e é uma das novidades do trabalho do paulistano Luciano Nakata Albuquerque, 46, o Curumin, que faz show neste sábado (30), no Shiva Alt-Bar, no Setor Oeste.

Da Vila São Jorge, na Chapada dos Veadeiros, onde realizou uma apresentação no Encontro de Culturas Tradicionais, para Goiânia, Curumin cria experimentos musicais ao vivo baseado nos seus quatro últimos discos: Achados e Perdidos (2003), Japan Pop Show (2008), Arrocha (2012) e Boca (2017).

Multi-instrumentista e produtor musical, Curumin se apoia em recursos da tecnologia para criar um som orgânico e cheio de nuances, entre reggae, pop, soul e ritmos brasileiros. Descendente de japoneses e espanhóis, o artista iniciou sua carreira musical aos oito anos, quando formou sua primeira banda com colegas de escola, tocando panelas em substituição à bateria.

Quando tinha 14 anos, já tocava bateria e percussão em casas noturnas de São Paulo. Aos 16, foi a vez de aprender sozinho o teclado. Foi só em 2003 que o instrumentista resolveu empreender na música com o disco solo de estreia, que apresentou Curumin como um artista experimental e que brinca com diversas influências musicais, como o samba-funk dos anos 1970, o hip-hop e o soul e funk americanos. Em 2005, o álbum chegou a ser lançado no mercado norte-americano pelo selo californiano Quannum Projects.

No início de 2022, Curumin lançou a canção Uma Flecha (Oké Aró), em conjunto com Iara Rennó. Ao longo da carreira, ele assina parcerias com importantes nomes da nova geração da música brasileira, como Gabriel Bruce, Nellê, Julico, Lucas Santtana e Russo Passapusso, vocalista da BaianaSystem.

Para o show deste sábado em Goiânia, o cantor se apresenta acompanhado de seu violão e interpreta, além das canções de seus álbuns, versões peculiares de músicas de artistas como Anelis Assumpção, Ava Rocha, Drake, Stevie Wonder, Karina Buhr, Céu, Negro Léo, Erykah Badu, entre outros nomes. Em entrevista ao POPULAR, o artista fala sobre o show, projetos para 2022 e política.

Você acaba de se apresentar na Chapada dos Veadeiros, no Encontro de Culturas Tradicionais, e parte para mais um show em Goiás, desta vez em Goiânia. O que muda na apresentação?

É totalmente diferente, né? Eu fiz na Chapada uma apresentação com uma banda, mesmo que bem enxuta e em Goiânia eu realizo um show sozinho. É pão com pão (risos). É um show bem diferente, muito mais livre porque eu posso também fazer o que eu quiser na hora que eu quiser, mas também é um desafio grande para poder alcançar todo mundo ali com muita sutileza e simplicidade.

Você lançou neste ano a música Tô com Arnaldo Antunes. Como se deu a parceria?

A parceria foi um convite da jornalista Patrícia Palumbo, que pensou e idealizou um disco em homenagem ao Tom Zé. Ela convidou eu e Arnaldo para fazer essa música e, poxa, pensa aí em uma junção maravilhosa, né? Lidei como se fosse uma pós-graduação em música brasileira fazendo com Arnaldo Antunes uma canção do Tom Zé. Fico muito agradecido mesmo por ter participado dessa faixa.

Em ano de eleições, artistas têm se posicionado politicamente. De que forma você enxerga a questão?

O que eu percebo é que essa eleição de 2022 é única, né? Do pouco que eu tenho de vida democrática, é uma eleição que eu nunca vi antes na história de tão importante, de tão decisiva para o futuro do Brasil. Então eu acredito que independente de ser artista ou não, eu acho que quem quer se posicionar, quem tem vontade de se posicionar deve se posicionar mesmo. Tem que falar quem tem alcance, quem tem essa vontade de falar, bradar aos ventos que precisamos de mudança. É importante, mas política se faz em muitos níveis. Um posicionamento eu acho que não é uma obrigatoriedade, mas cada vez mais é necessário a gente prezar por uma conduta, por um caminho de interesses e direitos comuns a todos.

Desde 2017 que você não lança um disco fechado. Quais os projetos para o segundo semestre de 2022? Tem algum álbum em vista?

Tem disco vindo por aí sim, mas é um disco que eu produzi e participei muito intensamente, que é um trabalho do Russo Passapulso (BaianaSystem) junto com Antônio Carlos e um trio da pesada. É um álbum muito bonito e que vai ser lançado no segundo semestre. Trabalho meu mesmo eu estou pensando só para o ano que vem, mas de 2023 não passa.

SERVIÇO
Show Curumin
Data: neste sábado, 30, a partir das 21h30
Local: Shiva Alt-Bar, Rua 18, Alameda das Rosas, 1371, Setor Oeste
Ingressos: R$ 35 (terceiro lote)
Informações: 39963991 ou @shiva.altbar

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