Do alto de seus 89 anos de idade e mais de 50 novelas no currículo, Ary Fontoura elege o trabalho em A Favorita, que está sendo reexibida no Vale a Pena Ver de Novo (Globo), como um dos mais marcantes, que representou um novo passo em sua trajetória profissional. “Atuar em A Favorita foi um passo a mais na minha carreira, altamente gratificante. Eu nunca havia feito um personagem como o Silveirinha, um personagem mais dramático, um sujeito mau-caráter. Eu pude realizar um trabalho que para a minha carreira foi ótimo, e o público se divertiu demais”, revela o ator. Para Ary Fontoura também foi estimulante participar de A Favorita por outras razões. A novela de João Emanuel Carneiro inovou ao subverter os padrões do folhetim revelando a vilã e mocinha da trama após muitos capítulos e Silveirinha estava no centro entre as duas personagens, Flora (Patricia Pillar) e Donatela (Claudia Raia). “A novela reúne um elenco fantástico, muito bem representado em seus papéis, com uma direção precisa, um texto de uma inovação extraordinária. Foi altamente gratificante participar”, conclui.

O que achou da escolha de A Favorita para ser reexibida no Vale a Pena Ver de Novo’?

Achei a escolha de A Favorita maravilhosa, é uma novela fantástica. Faz tanto tempo que ela foi apresentada e é uma novela muito bem escrita, atualíssima, tanto que está agradando muito novamente.

 

A novela inovou ao subverter os padrões do folhetim. Foi estimulante participar de uma obra com essas características?

Muito. A Favorita reúne um elenco fantástico, muito bem representado em seus papéis, com uma direção precisa, um texto de uma inovação extraordinária. Foi altamente gratificante participar.

 

O que mais te marcou neste trabalho?

Foi um trabalho árduo, que me marcou profundamente. O que mais me marcou foi a tenacidade do elenco; um elenco coeso, querendo fazer o melhor para que o trabalho resultasse da melhor maneira possível, isso eu achei fantástico. Gravávamos muito e fizemos o trabalho sempre com muito amor.

 

Relembre um pouco a personalidade do Silveirinha e as motivações dele. É um personagem bem enigmático, certo?

Silveirinha começa a novela apenas como uma espécie de secretário da Donatela, que participava da dupla sertaneja que ele havia criado. Silveirinha é misterioso, um sujeito que tem uma recordação profunda do tempo em que era empresário das duas, do sucesso que elas faziam, todos os planos e os sonhos da vida dele foram repousados na atuação das duas, naquela dupla que ele cuidava com tanto carinho e que, de repente, se desfez. Ele ficou amargurado, ficou meio isolado, ficou perdido. E aí começou a mostrar uma outra face, a face do homem rancoroso, que não se conforma com o anonimato. Um personagem maravilhoso.

 

De que forma atuar nessa novela foi importante para a sua carreira?

Atuar em A Favorita foi um passo a mais na minha carreira, foi altamente gratificante. Eu nunca havia feito um personagem daquele tipo, um personagem mais dramático, sujeito mau-caráter. Eu pude realizar um trabalho que para a minha carreira foi ótimo, e o público se divertiu demais.

 

Como foi a parceria com a Claudia Raia, Patricia Pillar e outros atores do elenco?

Claudia Raia, Patrícia Pillar, Mariana Ximenes, todo o elenco, foi maravilhoso estar com eles. Até hoje temos uma amizade que parece de antes. Nos gostamos muito. Somente recordações boas, de um trabalho formidável.

 

Qual a cena envolvendo o seu personagem ficou mais marcada na memória?

A cena final que eu fiz. Silveirinha numa praça vendo duas meninas cantarem e lembrando sempre de que ele realmente havia formado a dupla Faísca e Espoleta. Ele olha para as duas meninas e pergunta ao pai delas que estava também ali se ele não gostaria que as filhas se lançassem profissionalmente. Gostei muito dessa cena. Foi o final do personagem, mas uma cena bastante intensa e uma cena que trazia à tona todo o passado dele, toda a história do personagem.

Quais as principais lembranças dos bastidores?

Muitas lembranças dos bastidores. Foi quase um ano de trabalho, um elenco se dando muito bem e formamos uma amizade paralela ao trabalho. Até hoje nos encontramos, somos amigos. Isso é formidável.

 

Gosta de assistir trabalhos antigos? Ou é muito autocrítico?

Eu gosto muito de assistir aos trabalhos que já fiz. Existem alguns que eu nunca tive a oportunidade de assistir, como, por exemplo, Amor com Amor se Paga. Era uma novela das 18 horas e eu não tinha conseguido ver nenhum capítulo, e agora está no Viva e dei uma olhadinha. Vi que o assunto da novela ainda está bastante atual, que as pessoas gostam. E, é claro, eu faço uma autocrítica muito acentuada a respeito do trabalho, mas deve ser levada em consideração a época em que foi feito e os tempos de agora. As coisas mudam, e a gente vai mudando com o tempo, sempre leva uma vantagem.