Ao infinito e além. Essa frase, uma espécie de mantra do patrulheiro Buzz Lightyear na franquia de animação Toy Story, inaugurada em 1995, se tornou uma das mais marcantes da história do cinema e marcou uma geração. Agora os fãs vão finalmente entender o que o brinquedo da coleção de Andy queria dizer com o bordão e qual missão fez dele uma verdadeira lenda da galáxia. Com direção de Angus MacLane (Procurando Dory, 2016), Lightyear, que estreia nesta quinta-feira (16) nos cinemas brasileiros, conta a história por trás de um dos personagens mais populares da Pixar e da Disney.

Buzz Lightyear é mais uma daquelas figuras secundárias dentro de uma franquia que de tanto sucesso ganha popularidade assim como o protagonista. O mesmo aconteceu, por exemplo, com o Gato de Botas, em Shrek, com a dupla Timão e Pumba, em O Rei Leão, com os Minions que conquistaram a simpatia dos espectadores em Meu Malvado Favorito e a peixinha Dory, em Procurando Nemo. Fora do gênero de animação, destaques para Wolverine, dos mutantes X-Men, e para o Coringa, do universo do Batman, que rendeu o Oscar para Joaquin Phoenix em 2020 e com continuação recém-confirmada.

Em Toy Story, a atração principal é o xerife Woody, coubói de pano que é uma espécie de chefe dos brinquedos e o favorito de Andy. Buzz é a novidade e acaba se tornando seu rival. A franquia ganhou mais três sequências lançadas em 1999, 2010 e 2019, todas bem-sucedidas. Os dois últimos longas chegaram a vencer o Oscar de melhor animação. Lightyear não chega a ser uma continuação, ou seja, não tem nada a ver com brinquedos dentro de um quarto. Logo no início, os fãs percebem que o filme é o mesmo que Andy assistiu e que o fez querer o patrulheiro para sua coleção.

O longa é um spin-off, termo que é bastante usado em Hollywood para descrever uma obra derivada de outra, geralmente detalhando um personagem ou outro aspecto do original, caso de Fear the Walking Dead, que conta a história do apocalipse zumbi de uma perspectiva mais urbana, diferentemente de The Walking Dead. Lightyear chega com o objetivo de mostrar a origem do patrulheiro e de apresentar novos rostos, como Sox, um gato robô e companheiro que Buzz ganhou de presente do Comando Estelar, a comandante Alisha Hawthorne e o vilão Zurg, capitão da nave alienígena.

Por conta disso, a animação cria seu próprio universo, passando apenas por Toy Story como um pano de fundo - que dá margem à criação de outras continuações de Buzz. Além disso, o longa chega com alterações nas vozes. Na versão original, Tim Allen dá lugar a Chris Evans, o Capitão América, como o protagonista. Na dublagem brasileira, Guilherme Briggs entrega o capacete para Marcos Mion. “Essa é uma daquelas coisas que ultrapassam o entendimento racional; afinal, estamos falando do patrulheiro espacial mais querido do mundo”, postou o apresentador do Caldeirão nas redes sociais.

Trama
Na trama, Buzz é um dos mais importantes patrulheiros da galáxia. Jovem e ambicioso, ele está no caminho para virar um herói de sua geração. Entretanto, uma tragédia acontece: depois que um teste de voo falha, sua nave e a tripulação são abandonadas em um planeta estranho, a 4 milhões de anos-luz de distância. O protagonista decide encontrar uma maneira de voltar para a Terra. Para ajudar na missão, um grupo de pesquisadores tenta encontrar a fórmula certa para o retorno, mas existe um problema: por causa da velocidade, toda vez que os testes são realizados, há uma mudança no tempo.

Sempre que viaja, Buzz vê as pessoas envelhecendo e construindo suas próprias trajetórias em um mundo diferente. Comprometido com a missão de levar todos para casa, renuncia à convivência com sua melhor amiga, a também comandante Alisha Hawthorne, voz da atriz Uzo Aduba (Orange Is the New Black, 2013 a 2019). Em cada salto temporal, ele descobre que a realidade é outra. Em algumas, ele segue sendo um herói, em outras, um louco desconhecido. É a Disney novamente abordando o tema viagem no tempo de uma maneira diferente, assim como fez em Vingadores – Ultimato (2019).

Depois de uma série de viagens, em quase um século, o herói para seus testes para combater uma grande ameaça que pode destruir o planeta estrangeiro. Ele forma uma equipe nada convencional. Darby, uma idosa que está em liberdade condicional e não pode mexer em armas, Mo Morrison, um homem de meia-idade que entrou para o treinamento de patrulheiros iniciantes por acreditar que somente cuidaria do seu corpo, e Izzy, a neta de Alisha Hawthorne que tem medo do espaço. Buzz vai enfrentar o imperador do mal Zurg, aquele que ele falava em Toy Story, o inimigo jurado da Aliança Galáctica.

Representatividade
Lightyear não será apenas um momento de nostalgia para os fãs da franquia Toy Story, mas também um marco sendo o primeiro filme da Pixar a exibir um beijo entre mulheres. Na história, a melhor amiga de Buzz é uma mulher negra e lésbica que se casa com uma moradora do planeta. No entanto, a cena vem gerando um debate pelos direitos LGBTI, com o cancelamento da estreia do filme em 14 países do Oriente Médio e da Ásia, entre eles, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Malásia, Indonésia, Egito e Líbano. O lançamento na China, um dos maiores mercados cinematográficos do mundo, por enquanto está mantido, mas deve ser seguir pelo caminho nos próximos dias já que o estúdio não aceitou fazer cortes. Em muitas dessas nações, a homossexualidade é considerada um crime. Doutor Estranho no Multiverso da Loucura enfrentou a mesma situação por conta de uma personagem gay.

Na história 
Buzz Lightyear entrou para a história com a frase “ao infinito e além”. Numa enquete realizada pela rádio britânica Times, com 2.500 participantes, o jargão do patrulheiro foi escolhido como o melhor do cinema, à frente de personagens clássicos como James Bond e o gângster Tony Montana. Em segundo lugar, com apenas um voto a menos, ficou "Você só tem que explodir as malditas portas", dita por Michael Caine como Charlie Croker no clássico Um Golpe à Italiana (1969). Em terceiro, Diga Olá Para o Meu Amiguinho, de Al Pacino, enquanto dispara seu lança-granadas em Scarface (1983).