Com a baixa umidade do ar, o período de seca acaba castigando os goianos todos os anos. O que mais dificulta são as diversas consequências e desconfortos em nosso corpo, causados pela mudança climática. Algumas queixas comuns são garganta inflamada, tosse, nariz escorrendo e lábios e pele ressecados. Além de quadros alérgicos e gripes ou resfriados.

Nesta época do ano, os cuidados devem ser redobrados, principalmente com as crianças e bebês, que são os mais atingidos pelo clima seco. Os adultos, por sua vez, são mais teimosos, mas não podem descuidar. Segundo o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas do Estado de Goiás (Cimehgo), as chuvas só devem voltar a cair em Goiânia na segunda quinzena de outubro. 

Por isso, o POPULAR trouxe dicas para ajudar a amenizar as consequências e desconfortos do período de seca em Goiás. Confira orientações de médicas especialistas em otorrinolaringologia e dermatologia, como também opções de lazer para se refrescar na capital. 

Cuidados com nariz e garganta

Em entrevista ao POPULAR, Larissa Camargo, médica otorrinolaringologista do Grupo Santa e membro titular da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia, fez orientações muito importantes sobre os cuidados com o nariz e garganta no período de seca em Goiás.  

Segundo Larissa, a porta de entrada para germes, vírus, bactérias ou ácaros, acontece por meio das vias aéreas superiores, ou seja, pelo nariz e pela boca. Por isso, é importante manter essas cavidades muito bem hidratadas com o uso do soro nasal, que tem um efeito mecânico de limpeza e remoção de todas as impurezas.

Lavagem nasal para crianças e adultos

A lavagem nasal é indicada para crianças e adultos para prevenção de doenças, dimuição de secreção e ressecamento no nariz. "Deve-se usar o soro fisiológico na seringa e beber muito líquido durante o dia para que o sistema imune tenha uma melhor ação e esteja umidificado", explica a otorrino. Ela ainda orienta sobre a quantidade de soro utilizado na seringa para cada idade, confira abaixo:

  • Menos de 1 ano de idade: de 3 a 5ml;
  • De 1 até 5 anos: um seringa de 5ml;
  • De 5 a 8 anos: 10ml de soro;
  • Acima de 8 anos e adultos: uma seringa de 20ml. 

Larissa ainda alerta que essa lavagem nasal deve ser feita com alto volume, ou seja, pode-se repetir várias vezes ao dia, se necessário. Além de ter o cuidado para não colocar muita pressão, pois pode causar um quadro de otite, uma inflação no ouvido.

Caso os sintomas não aliviem, é necessário buscar uma avaliação de um médico otorrinolaringologista para identificar se o paciente não desenvolveu um quadro alérgico ou uma irritação desenvolvida por refluxo. 

A água não deve ser utilizada para fazer a lavagem nasal, visto que possui cloro e substâncias que irritam o nariz. O uso do soro fisiológico é o mais recomendado pelos médicos, porque tem o mesmo PH do organismo. Uma outra opção é o soro caseiro, que também pode ser utilizado, mas após a produção tem duração de apenas 24h. 

Sangramento nasal

Sobre o sangramento nasal na época de seca, a otorrinolaringologista, disse que neste período do ano há uma grande prevalência do sintoma e que é importante uma avaliação médica, já que na maioria dos casos, são quadros de rinite, sinusite ou alteração na divisão das narinas.

Segundo ela, muitas vezes, a hidratação com soro ou com gel é o suficiente. Em casos recorrentes, faz-se necessário intervir com cauterização, ou seja, queimar o vasinho, e após o tratamento deve-se manter a hidratação para conter o retorno do sangramento. 

Tosse no tempo seco

Ao ser questionada sobre a tosse, Larissa, explicou que a baixa umidade do ar provoca uma irritação da garganta, desencadeando o sintoma. Para saber se é uma tosse causada pelo clima - e não um quadro alérgico - é importante observar se a tosse é mais seca (sem secreção), e se o sintoma vem no final do dia ou pela manhã (nos momentos mais frios). 

"A tosse caracterizada pelo tempo seco também pode ser provocada pela exposição ao ar condicionado", enfatiza a profissional. Ela ainda lembra que a tosse - não alérgica - melhora quando a pessoa está um um ambiente mais umido. Daí vem o uso dos famosos umidificadores de ar, que ajudam a diminuir os incômodos neste período do ano. 

A otorrinolaringologista reforça que todas as suas orientações precisam estar em conjunto com uma alimentação adequada, exercícios físicos e estar com cartão de vacinação em dia. Para as pessoas que já tem um quadro de infecções, como rinite, sinusite, amigdalite, é importante ser acompanhado por um otorrino ou alergista.

Cuidados com a pele e rosto

Em entrevista ao POPULAR, a médica dermatologista Juliana Nóbrega, recomendou banhos rápidos com temperatura entre morna e fria, isto porque o banho quente piora o ressecamento da pele. Além disso, a bucha não deve ser utilizada para esfregar o corpo todo, apenas as axilas e pés. "De preferência usar sabonetes mais hidratantes no banho, e após, passar um creme hidrantante do corpo todo", explica. 

Sobre rachaduras nos lábios, cotovelos e pés, Juliana orienta usar vaselina sólida ou creme de prevenção de assadura de bebê nos locais ressecados e áreas ao redor. "Se só isso não resolver, procurar um dermatologista para prescrição de cremes de tratamento específicos", alertou. "Outra dica importante é passar o hidratante a noite e envolver os pés com um filme de PVC para o hidratante penetrar mais", completou.

Uma dúvida frequente dos leitores do POPULAR é, como saber se a pele ressecada ou empolada é alergia e não apenas reação ao calor? Juliana respondeu: "Se a pele estiver bem hidratada, e mesmo assim, estiver coçando ou empolando com o calor, melhor procurar um dermatologista para avaliar se há algum tipo de dermatite alérgica ou outra patologia da pele".

Exercícios físicos em Goiânia

A Prefeitura de Goiânia emitiu alerta às pessoas que praticam atividades físicas em um dos 44 parques ou bosques da capital: a umidade relativa do ar permanecerá baixa nos próximos dias, o que requer cuidados especiais com hidratação. A Secretaria Municipal dos Esportes recomenda que se evitem exposição ao sol e desgaste excessivo. 

A taxa de arborização em Goiânia é de 89,3%, de acordo com mapeamento realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A orientação da administração municipal é para que as pessoas procurem locais com muitas árvores para praticar esportes.

O ideal é que, para prática de esportes ao ar livre, dê-se prioridade para horários em que a temperatura esteja mais amena. É recomendável evitar o período das 10h às 16h. 

Também é importante evitar o consumo excessivo de isotônicos que contêm sal e glicose, substituindo-os por água de coco. 

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