Quando se olhava no espelho, o reflexo da simetria do rosto não agradava tanto a empresária Lohane Pereira Silva, de 31 anos. Ela achava que faltava queixo, boca e queria afinar as bochechas. Atual queridinha dos influencers e artistas, a harmonização facial tem ganhado a adesão de muita gente com o passar dos anos por conta da promessa da melhora da aparência, rejuvenescimento ou apenas para realçar a beleza. “Hoje estou satisfeita e não tenho mais nada para mexer. A diferença é muito grande. Quando mostro uma foto de antes, todo mundo assusta. Eu me sinto poderosa”, celebra a goiana.

Basta dar uma rápida espiada nas redes sociais para se deparar com várias celebridades ou anônimos entre os mais novos adeptos do procedimento. A harmonização facial é um tratamento estético, não invasivo, que utiliza uma combinação de técnicas de preenchimento para proporcionar mais equilíbrio entre o volume, o formato e o ângulo de todas as partes do rosto. Os efeitos são muitos: podem auxiliar a minimizar aquelas ruguinhas, preencher olheiras, afinar o queixo, aumentar os lábios e levantar a ponta do nariz. Para isso, são comuns aplicações de toxina botulínica e de ácido hialurônico.

“É um procedimento seguro para devolver a harmonia e a jovialidade da face, claro, sem cometer exageros, preenchendo e distribuindo volumes que foram se perdendo com o tempo. Lógico que existem riscos, mas são mínimos desde que sejam tomados os cuidados necessários, como a escolha do profissional, do local e da substância utilizada”, alerta o cirurgião plástico Danillo Dalul. “Sempre digo que o mais importante é a pessoa ter certeza daquilo que vai fazer porque ela será submetida a algo que vai mudar o rosto. Tem de ser feito para melhorar a sua autoestima e não a dos outros”, complementa.

O especialista explica que pessoas de todas as idades estão aptas a se submeter à harmonização facial, mas que existe uma faixa etária que vai se beneficiar mais, como é o caso do rosto que completou o seu desenvolvimento ósseo, ou seja, após a adolescência até 50 a 60 anos. Danillo ressalta que abaixo desse grupo, caso das crianças, talvez seja preciso refazer ou desfazer depois. “Nos idosos, muitas vezes também não é adequado, porque existe uma flacidez severa dos tecidos da pele, da gordura da face e da musculatura. Nesses casos, as cirurgias plásticas podem ser a melhor opção”, afirma Dalul.

No entanto, existem casos em que a harmonização não é indicada, como em pessoas com históricos de reações alérgicas aos produtos usados, com doenças autoimunes e quem toma imunossupressores. Também não é recomendado para quem estiver fazendo tratamento dentário. Para as grávidas e lactantes, também não é aconselhado porque esse grupo está um pouco mais inchado por conta da gestação e aquele não é o formato original do seu rosto. É por isso que é importante fazer uma avaliação clínica. “É melhor evitar riscos”, comenta Dalul.

As principais técnicas de harmonização facial são bichectomia, em que é removida parte da gordura acumulada na região das bochechas, toxina botulínica, conhecida popularmente como botox, que visa minimizar temporariamente linhas de expressão, além dos preenchimentos no rosto, cuja substância mais utilizada é o ácido hialurônico. Entre os profissionais habilitados para realizar a técnica, estão dermatologistas, cirurgiões plásticos e dentistas. Entre 2014 e 2019, o número de procedimentos subiu de 72 mil para 256 mil ao ano, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Resultados

Tem muita gente que opta por fazer harmonização facial na busca por um resultado rápido, principalmente para postar a novidade nas redes sociais – são os chamados rostos instagramavéis. Ainda mais depois de acompanhar procedimentos bem-sucedidos de estrelas como Wesley Safadão, Juliette, Gusttavo Lima e Grazi Massafera. Mas nem sempre é assim. Segundo a dermatologista Julyanna do Vale, é importante aguardar de 15 a 30 dias após a resolução do inchaço ou eventuais hematomas para uma avaliação final. “Se for necessário, pode haver uma complementação”, lembra.

Além disso, as intervenções estéticas da harmonização facial não são permanentes e precisam de manutenção e retoque periódico. “A toxina botulínica, por exemplo, dura cerca de três a seis meses, o preenchimento com ácido hialurônico de 12 a 18 meses, podendo se estender dependendo da substância utilizada”, cita Julyanna do Vale. A especialista reforça que os resultados podem ser menos ou mais prolongados dependendo dos hábitos de cada paciente. É preciso seguir uma lista de cuidados, como utilizar filtro solar, hidratantes, ter uma boa alimentação e praticar exercícios físicos regulares.

Julyanna ressalta que um dos grandes mitos da técnica é achar que é possível todo mundo ficar com o rosto igual. “Se você fizer com um profissional capacitado, que vai avaliar seu caso de maneira bem individual, isso não vai acontecer porque nada será padronizado. Será feito um procedimento de acordo com as suas características, seu formato de face, suas demandas e tratando o que te incomoda e o que você quer ressaltar”, desmistifica. “Quando é feito com bastante senso estético, geralmente não mudam as características pessoais e fica bem natural. Sou contra exageros”, completa a especialista.

A busca pelo natural
A busca para o que seria para harmonizar, em muitos casos, provocou efeito contrário, caso do cantor Lucas Lucco que fez há alguns anos, não gostou do resultado e resolveu voltar ao que era antes. Além disso, qualquer alteração na face de algum famoso se torna motivo para afirmar a realização do procedimento, caso da cantora Joelma, que apareceu com o rosto inchado e logo se tornou um dos assuntos mais comentados da internet. Ela negou e em seguida foi diagnosticada com um quadro de esofagite, gastrite e um edema, que são, de acordo com os médicos, complicações possivelmente decorrentes da infecção pelo coronavírus.

Especialistas pregam o bom senso na hora da harmonização. “A consciência do equilíbrio vem do profissional. Cabe a ele orientar o paciente que chega querendo coisas desarmônicas. Tem um perfil que passa a ter medo de fazer por conta desses casos extremamente exagerados. É preciso bom senso. Mal feito é utilizar técnica inadequada, produtos que não têm certificação, material sem controle de infecção, não respeitar as proporções anatômicas de qualquer ser humano e errar a técnica”, comenta a cirurgiã dentista Talita Dantas, que alerta que, se a pessoa não gostar do resultado, é possível reverter, nos casos que tenham sido feitos com ácido hialurônico.