Calejado pelos filhos João Vicente, 11, e Maria Antônia, 7, do casamento com Taís Araújo, 43, o ator Lázaro Ramos, 43, volta aos tempos de pai de primeira viagem no filme Papai É Pop, que estreia nos cinemas no dia 11 de agosto. Na trama, Tom, seu personagem, precisa amadurecer depois do nascimento de sua primeira herdeira.

Lázaro confessa que já teve momentos em que se sentiu como na ficção, sem saber como agir diante de uma nova vida que dependia da dele. “Na minha paternidade eu organizei mentalmente o pai que eu queria ser”, contou durante apresentação do filme à imprensa, na segunda-feira (25) em São Paulo. “Eu vi a barriga crescer, era tudo organizado mentalmente, mas não tinha o coração ainda.”

“Quando meu filho nasceu, veio uma emoção que desordenou tudo o que o racional tinha proposto”, afirmou. “Virei uma pessoa cheia de medos, me sentindo convocado para essa responsabilidade, mas, ao mesmo tempo, sem ter com quem conversar sobre o processo. Os erros apareceram em alguns momentos, em medidas diferentes (das do personagem). Durante o filme me lembrei muito disso.”

O ator lembrou que sua criação se deu de uma forma bem diferente da que ele está tentando oferecer aos filhos. “Sou fruto de outra geração, é um outro tipo de paternidade a que a gente quer exercer”, comentou. “Sem críticas para meu pai, né? Porque meu pai teve a paternidade possível para ele.”

Por isso, ele tentou encontrar outras formas de se munir de informações sobre o assunto - e acredita que o filme pode ajudar a quem também quer exercer esse novo tipo de paternidade, muito mais presente. “O filme corresponde muito ao momento que a gente vive”, disse. “Acho que ele é muito estratégico porque vem por meio do afeto convocar para uma responsabilidade que é nossa também, mas que muitos homens fazem questão de não escutar, né?”

No longa, ele faz par romântico com Paolla Oliveira, 40, que interpreta a advogada Elisa. “Acho que está um casal massa de se ver”, adiantou Lázaro. “Esse filme é sobre paternidade, sobre maternidade, sobre relações familiares, sobre a construção dessa família... e a gente construiu essa família também.”

Para a atriz, que não é mãe na vida real, a construção da personagem partiu da observação. “Eu não queria que as pessoas falassem: ‘Ah, isso aconteceu e eu não acreditei’ ou ‘alguma coisa não me agradou porque ela não é mãe’. Então fui atrás das mães que eu conheço e fui atrás do meu instinto maternal.”

“O desafio era conseguir traduzir a maternidade para que outras pessoas se identificassem”, explicou. “Isso só foi possível observando, ouvindo e buscando nas famílias e nas mulheres em volta de mim.”

Apesar do clima amistoso nos bastidores, na trama, o casal começa a se desentender quando Tom passa a deixar toda a responsabilidade pelos cuidados da menina em cima da companheira. Seja jogando futebol com os amigos ou videogame em casa mesmo, ele sempre arranja alguma desculpa para estar ausente.

Paolla avaliou a personagem sob a ótica da mulher contemporânea, que conjuga as diversas demandas da maternidade com as da vida profissional. Ela destacou que, apesar de os temas serem apresentado de uma maneira leve, o filme tem diversas camadas.

“É muito bonito de ver que o filme é sobre paternidade, mas é também sobre a maternidade em outro lugar”, disse. “Sobre uma mulher voltar para o ambiente de trabalho depois de ter filho, e como as responsabilidades se voltarem sempre para ela ainda é um problema.”

Autor do livro que inspirou livremente o roteiro do longa, Marcos Piangers também comentou a masculinidade tóxica pode contaminar as relações entre pais e filhos. “Nós homens não sabemos o que é ser homem”, avaliou. “Essa construção do que é ser homem é toda equivocada.”

“A gente começa a achar que ser homem é ser violento, agressivo, que quem bebe mais é o cara mais masculino da turma...”, enumerou. Mas ele discorda: “Ser homem é assumir suas responsabilidades”.