Dor no joelho é – com perdão do trocadilho – o calcanhar de aquiles de muita gente. E ela não faz distinção entre atletas profissionais, amadores e, principalmente, sedentários. Especialistas não cansam de repetir que o fortalecimento da região, composta da articulação entre fêmur, tíbia e patela, é muito importante, mas a maioria das pessoas só compreende isso da forma mais dolorosa possível. Se não cuidar bem, joelhos passam a doer, estalar e inchar.

Manter os joelhos longe de lesões virou um desafio para a administradora Karen Ohana, 26 anos, que no início do ano rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA), uma das lesões mais comuns na articulação, durante uma aula de treinamento funcional. “Estava fazendo corrida na areia, quando sofri a lesão. A dor foi insuportável e fui parar no hospital. Sempre fui uma pessoa muito ativa e nunca tinha tido problemas”, conta Karen, que passou por uma cirurgia.

A administradora ficou de molho por dez dias e começou a fortalecer a região, primeiro com fisioterapia, e depois, com treinos de crossfit. Apesar das críticas que a modalidade sofre por supostamente provocar lesões, Karen garante que, quando bem executados, os movimentos servem para fortalecer o corpo como um todo. Responsável pelos exercícios de Karen, o professor de crossfit Diórgenes Eduardo Cabral, 37 anos, o Dudu, conta que é muito comum alunos procurarem na atividade – que mistura ginástica, levantamento de peso e atletismo – alívio para as dores.

“Na verdade, a maioria dos alunos já vem com problemas no joelho. Alguns sofrem de desequilíbrio muscular e isso acaba forçando mais uma articulação do que a outra. O que fazemos nas aulas é fortalecer o corpo como um todo, o que deixa o joelho estável.” Para Diórgenes, uma corrida sem supervisão de um educador físico especializado na área é muito mais arriscado para lesões do que qualquer treino de força bem orientado.

Paciência, uma necessidade

O treinamento incorreto, depois do sedentarismo, é considerado o principal fator ligado a lesões. Na corrida, por exemplo, o atleta, ao manter posturas e ritmos errados, vai acabar sofrendo com as lesões. Professora de educação física, Kênia Paniago, 45 anos, sempre foi daquelas treinadoras que cobra muito dos alunos atenção redobrada com os joelhos. As pessoas, em especial as mais jovens, não têm o hábito de se preocupar com a articulação até que alguma lesão apareça.

O que Kênia não esperava é que, mesmo com todos os cuidados, ela fosse ser vítima de uma lesão e da forma mais inusitada. “Estava na academia e, entre uma aula de natação e hidroginástica, subi na quadra para brincar de vôlei com algumas crianças. Ao fazer um ataque na rede, meu joelho sofreu um forte impacto. Lembro apenas da maior dor do mundo e de sair de lá de ambulância.” Quem já teve uma lesão no joelho sabe como a recuperação exige paciência, disciplina e resistência às inevitáveis dores. “Foram cinco meses até conseguir voltar a correr. Tive muitas limitações de movimento e voltei a sofrer com uma lesão meniscal”, conta já recuperada.