O mais novo titular da Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás), Marcelo Carneiro, que tomou posse nesta segunda-feira (2), tem em mãos diversos desafios para o setor. Produtor cultural com formação em ciências econômicas, o profissional é natural de Ipameri, a 200 km de Goiânia. Captador de recursos e consultor de projetos culturais, o goiano substitui a partir de agora César Moura, que até então acumulava cargo com a Secretaria da Retomada.

Durante o evento de posse com a presença do governador Ronaldo Caiado (União Brasil), o secretário falou das perspectivas para a Pasta e os desafios que o setor cultural enfrenta em 2022. Carneiro também destacou o seu respeito ao artista e ao ofício da criação artística. “Uma das coisas que mais me incomodou nesses 22 anos de atuação no setor cultural é ver tantas pessoas talentosas sem condições adequadas de trabalho e outras tantas tendo de trabalhar em serviços, em empregos diferentes da sua arte. É lícito, mas muita energia que poderia ser transformada em criações artísticas”, disse Carneiro.

A ideia, segundo o novo secretário, é buscar respaldo à classe artística para que se cumpram as diversas normativas e objetivos da Secult Goiás. “Eu compreendo os desafios que os artistas passam diariamente. Tenho a certeza de que terão um time para enfrentá-los. Desejo propor dentro de um trabalho colaborativo, dar foco nas questões mais essenciais para a área, fazendo as coisas certas, seguindo um propósito”, argumentou Carneiro.

A presença do produtor na Secult Goiás garante a participação técnica de um profissional da cultura no posto de secretário. Antes de César Moura, que assumiu a princípio o cargo de chefe interino, quem comandava a pasta era o então Secretário de Desenvolvimento Econômico, Agricultura e Turismo de Anápolis, Adriano Baldy. No início da gestão do governo de Ronaldo Caiado, quando a secretaria foi recriada, quem ocupava a gestão era o escritor Edival Lourenço, que tinha deixado a presidência da União Brasileira de Escritores - Seção Goiás (Ube Goiás).

O profissional tem muito trabalho pela frente na Secult. Além do lançamento e manutenção de editais de incentivo público, como o Fundo de Arte e Cultura de Goiás, há ainda a realização de eventos-janelas do Estado, como o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), em maio, na cidade de Goiás, e do Canto da Primavera, em Pirenópolis. Tem também a supervisão de espaços culturais e de suas pautas semestrais, a exemplo do Teatro Goiânia, Centro Cultural Martim Cererê, Cine-Teatro São Joaquim, Vila Cultural Cora Coralina, Palácio Conde dos Arcos e o Museu Ferroviário de Pires do Rio.

Sustentabilidade técnica
Consultor de projetos socioculturais, Marcelo Carneiro trabalha há 22 anos com produção e captação de recursos e pesquisa os mecanismos e leis de incentivo públicos. Já coordenou, por exemplo, projetos como o Encontro Nacional da Associação Brasileira de Captadores de Recursos e o Teatro para Todos, ambos por meio da produtora Arte Brasil. O profissional também presta consultoria para a captação em outros segmentos do terceiro setor.

Presença assídua nas pautas sobre as leis de incentivo públicas do Estado, como a Lei Goyazes e o Fundo de Arte e Cultura de Goiás, Carneiro já afirmou em entrevista ao POPULAR, por exemplo, que muito além de discurso, política cultural precisa respaldar seus argumentos com sustentabilidade técnica, legal e política, garantindo legitimidade, estrutura e orçamento. “A cultura em Goiás, bem antes da pandemia, já vinha sem um nível de consciência adequada, necessitando de respirador para sua reanimação”, apontou em 2020, no início da pandemia.

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