Jefferson Cristian dos Santos de Lima, de 22 anos, era um gordinho conhecido no reduto do funk paulista. Antes da fama, vendia água na rua, empurrava ferro velho em carrinho de mão, foi atendente e vendedor de sapatos na 25 de Março, famosa rua comercial em São Paulo. Cantava e criava no chuveiro e mostrava aos amigos. Deixou de ser subcelebridade quando fez uma dancinha esquisita, sacudindo seus 117 quilos mal distribuídos para frente e para traz com um par de peitos avantajados no clipe da música Tá Tranquilo, Tá Favorável, que ganhou inúmeros seguidores. Virou piada e herói. O Mc Bin Laden exorcizou os preconceitos e se tornou o grande representante dos cheinhos.

Nascido na Vila Progresso, na capital paulista, Bin Laden, filho de uma costureira e de um contador de tecidos que era viciado em jogos de azar, superou os próprios demônios para expor sua barriga ao Brasil. Na adolescência ele sofreu bullying e ficou reprimido. Tinha vergonha de tirar a camisa em público e era alvo de comentários maldosos. A situação foi contornada e ele apostou no físico que foge dos padrões saradões para elevar seu patamar profissional. O artista que fazia oito shows por mês antes do hit passou para 16 por semana. Seu som virou moda e chegou até o craque Neymar, do Barcelona, que dançou o Tá Tranquilo, Tá Favorável em campo.

A canção e a dancinha se popularizaram. A barriga acompanha também sua fama. Bin Laden virou brincadeira na criatividade de internautas, como o “tá mamilo, tá amamentável”. Ele mesmo trata o tema com bom humor e fez disso uma marca própria. É comum vê-lo exibindo seu corpo nas redes sociais, nos programas de televisão e até nos seus shows. Agora ele se coloca como herói dos gordinhos. “A minha barriga é sexy e a mulherada pira. Já fui magro porque não tinha o que comer e fiquei fortinho porque comecei a comer várias coisas que não tinha condição antes”, comenta ele em entrevista por telefone ao POPULAR.

O funkeiro passou por um processo de ridicularização, sucesso e depois de aceitação social. A gigante barriga abriu espaço para suas excentricidades. Ele raspou uma das axilas, tingiu o cabelo de loiro, já fez o corte Cascão, inventado pelo jogador Ronaldo na Copa do Mundo de 2002, tosa as sobrancelhas e deixa-as listradinhas e usa uma corrente dourada gigante com um pingente do yin-yang. Também é uma figura controversa. Ao mesmo tempo que grava vídeos orgiásticos, com meninas de lingerie no banheiro e bebidas, se converteu à igreja evangélica. “Gosto de culto porque me faz bem e me traz paz. Lá eu sou o Jeferson.”

Bin Laden tem status de estrela atualmente. Vários famosos aderiram a sua dancinha, como Rodrigo Faro, Fátima Bernardes, Wesley Safadão, Anitta, Ronaldinho Gaúcho, Sabrina Sato, Bruno Gagliasso, até gravou um clipe com o sertanejo Lucas Lucco e soma mais de 40 milhões de visualizações na internet. Hoje sua conta bancária está tranquila e favorável. Seu cachê por meia hora de apresentação é de R$ 20 mil, segundo seu escritório. Comprou uma casa no bairro Jardim Maria Estela, na zona sul de São Paulo, perto do escritório da sua produtora. É patrocinado pela Nike. “Antes não tinha nada. Era apenas arroz, feijão e farinha. Hoje é arroz, feijão, farinha, ovo e salada”, brinca.