O clima é de festa e será em grande estilo. Em comemoração aos 20 anos, a Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás (OSJG) está de malas prontas rumo à Alemanha para mais uma série internacional na carreira. Os concertos serão de 3 a 10 de junho nas cidades de Berlim e Potsdam, com a participação de 52 músicos, entre 16 e 26 anos. A regência é do maestro titular do grupo Eliel Ferreira e conta também com os solistas Ian Lucas e Natanael Ferreira. Antes do embarque, o grupo faz uma apresentação especial dando início à turnê neste domingo (29), a partir das 11 horas, no Teatro Basileu França.

“Está todo mundo elétrico e ansioso para fazer o primeiro concerto. Será uma temporada inesquecível e mais uma oportunidade de aprendizado. Vamos mostrar a nossa cultura e representar o nosso Estado em um dos maiores palcos da música clássica do mundo”, celebra o maestro Eliel Ferreira, que desde 2016 está na regência do grupo sinfônico. A nova turnê internacional é a sexta ao longo de duas décadas de atuação. Os músicos já se apresentaram na Espanha, duas vezes na Venezuela, em Bona (Alemanha), cidade onde nasceu Ludwig van Beethoven e, a última, em 2016, na China.

Essa turnê na Alemanha estava agendada para março de 2020, mas acabou precisando ser adiada por conta da pandemia. No período, eles não ficaram parados. Nos quatro primeiros meses fizeram masterclass, ensaios e palestras. Em setembro, começaram a produzir lives-concertos dentro da casa dos músicos. Meses depois, foram sendo realizadas apresentações do quarteto de cordas, do quinteto de metais e do grupo de câmara. A volta presencial da Orquestra foi no final de 2021 para fazer o balé Lago dos Cisnes, no Palácio da Música do Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON).

A primeira apresentação na Alemanha será em 3 de junho, na Kammermusiksaal, casa da Filarmônica de Berlim, uma das principais formações musicais do gênero erudito no mundo fundada em 1882. Os músicos goianos também terão a oportunidade de assistir um ensaio do grupo alemão. Na sequência, no dia 5, a Orquestra Jovem de Goiás faz um concerto na Friedenskirche, em Potsdam-Sanssouci, e o outro, três dias depois na Zwinglikirche, em Berlim-Friedrichshain. A turnê vai ser encerrada na Embaixada do Brasil em Berlim no dia 10, em agradecimento ao apoio a mais uma jornada internacional.

A Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás realizou dois meses de ensaios. No repertório dos concertos serão executadas obras dos maestros brasileiros Heitor Villa-Lobos (1887-1959) e Camargo Guarnieri (1907-1993), dos compositores mineiro Ary Barroso (1903-1964) e do paulista Zequinha de Abreu (1880-1935), do argentino Astor Piazzolla (1921-1992) e do mexicano Arturo Márquez, 71 anos. “É um programa bastante desafiador. O grupo praticou diariamente cinco horas por dia, além dos estudos individuais para poder mostrar o melhor da cultura nacional em solo alemão”, ressalta Eliel Ferreira.

Boa parte das obras já faz parte do repertório da Orquestra nos últimos anos, casos de Aquarela do Brasil/Brasileirinho, de Ary Barroso em parceria com Valdir Azevedo, Tico-Tico no Fubá, de Zequinha de Abreu, e Danzon nº 2, de Arturo Márquez (1950). Outra parte entrou recentemente no programa do grupo, como a Bachianas nº 9, de Heitor Villa-Lobos, composta em 1945, e a Abertura Concertante (1942), de Camargo Guarnieri, apresentadas em um concerto especial no início do mês em comemoração ao centenário da Semana de Arte Moderna com regência do maestro venezuelano Diego Guzmán.

Escola

Uma das principais funções da Orquestra Jovem, criada em 2001, é formar músicos para outros grupos sinfônicos do Estado, do País ou de fora, tanto que poucos ficam por muitos anos. “A gente cumpre o nosso papel de profissionalização. Eles adquirem conhecimento e passam numa audição para um conjunto profissional”, comenta Eliel. Segundo o maestro, dos 75 integrantes que compõem hoje a OSJG, talvez apenas três tenham participado de quase todas as turnês internacionais, como é o caso do violinista Gustavo Rodrigues Lima, de 26 anos, que ficou de fora apenas dos concertos na China.

“O meu passaporte tem vários carimbos graças ao meu trabalho na Orquestra, caso contrário nem teria condição de sair do Estado. Fui para a Espanha, Venezuela e agora estou muito feliz de poder voltar a tocar na Alemanha. A Jovem tem esse papel de exportadora de talentos, com músicos em São Paulo, EUA e Suíça”, comenta ele, que faz parte da Sinfônica de Goiânia e na carreira passou duas temporadas na Filarmônica de Goiás. Gustavo é filho de uma família apaixonada por música erudita. A mãe toca piano, o pai Eufônio, instrumento de sopro da família dos metais, e o irmão, violino.

Em média, a OSJG realiza cerca de 30 concertos anuais em Goiânia e na região metropolitana. Na trajetória, participações importantes, como dos músicos Claudio Cruz, Sônia Muniz, Eudoxia de Barros, Emílio de César, Isaac Karabtchevsky, Neil Thomson, Fabio Zanon, Gian Luigi Zampieri, Leonard Elschenbroich, entre outros. O projeto como um todo contempla, além da orquestra principal, a Banda Sinfônica Jovem de Goiás, o Coro Sinfônico Jovem de Goiás, a Orquestra Jovem Pedro Ludovico Teixeira, Orquestra Infantil Mozart e a Big Band Basileu França, totalizando cerca de 300 alunos.