O cineasta e antropólogo Bruno Karasiaki Filene, de 26 anos, costuma dizer que tem uma relação de intimidade com o projeto Chorinho, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia (Secult Goiânia). Ainda adolescente, na calçada do Grande Hotel, na Avenida Goiás esquina com a Rua 3, no Centro, onde o projeto originalmente nasceu em 2007, Bruno acompanhou as primeiras edições e teve a oportunidade de assistir ao vivo a performances de boa parte dos artistas da cidade.

“É uma cena cultural muito legal. Fui gostando cada vez mais de música popular brasileira, choro e sambas”, explica Bruno, que fez questão de acompanhar a estreia do novo formato do Chorinho na semana passada. Originalmente previsto para o dia 5 de novembro - e cancelado de última hora devido à morte trágica da cantora sertaneja Marília Mendonça -, o projeto foi retomado oficialmente na sexta-feira (12) na antiga Estação Ferroviária de Goiânia, que abriga o Centro Cultural Estação Cultura, no Centro.

Todos os shows do mês de novembro, sempre às sextas-feiras, serão no local. Em dezembro, o Chorinho será realizado no Palácio da Cultura, no Setor Universitário. Toda a programação é gratuita e aberta ao público em geral, seguindo os protocolos sanitários de prevenção à Covid-19. “Fizemos algumas adaptações para expandir o Chorinho para outros bairros, outros polos da cultura. Nossa intenção é fazer com que ele chegue cada vez mais perto das pessoas”, explica o secretário municipal de Cultura, Zander Fábio.

Ele explica que o novo formato foi definido a partir de conversas com os artistas, produtores culturais e com o público frequentador do Chorinho. “É um evento consolidado no calendário cultural da cidade. Sempre foi uma das maiores demandas que recebemos para a retomada de eventos. Apesar de alguns ajustes nos detalhes, avalio como muito positiva a noite de estreia”, disse o secretário. Após uma pausa prevista para janeiro e fevereiro de 2022, o Chorinho volta, segundo Zander, com apresentações quinzenais por toda cidade.

Produtor cultural do Chorinho e um dos entusiastas da iniciativa, Carlos Brandão destaca que o projeto, ao longo de sua história, teve papel fundamental para a formação de plateias e para a ocupação do espaço público, em especial do Centro de Goiânia. “Ele se consolidou justamente por ser o evento de rua mais democrático que a cidade tem. Ele abre as portas para todas as tribos e todos os tipos de pessoas. É isso que faz do Chorinho o grande sucesso que ele é”, ressalta.

Outro aspecto importante é que pelo palco do projeto passaram quase todos os artistas da cidade que tocam choro e samba. Grupos de Brasília também já se apresentaram no Chorinho, que já chegou a reunir público de 3 mil pessoas por noite. “O projeto é uma vitrine importante para os músicos goianos. Muitos deles acabam sendo contratados para outros shows após mostrarem seus trabalhos no nosso palco”, explica Brandão. O Chorinho tem como finalidade divulgar a tradição do choro e do samba na capital, que muitas vezes é conhecida apenas pela música sertaneja.

Entre idas e vindas
Apesar do sucesso de público, o projeto Chorinho, criado em 2007 pela jornalista Marley Costa Leite, em parceria com o músico Oscar Wilde, do Clube do Choro de Goiânia, durante a gestão de Kleber Adorno na Secult Goiânia e de Iris Rezende na Prefeitura, sofreu diversas interrupções ao longo da história. A mais grave foi por problemas de falta de segurança que culminou na morte por disparo de arma de fogo do vendedor Roberto Fonseca, de 39 anos, em fevereiro de 2018. No triste episódio, duas outras pessoas também ficaram feridas.

Foi justamente nessa época que a servidora pública Eliene Beraldo, de 48 anos, deixou de frequentar os shows. “Comecei a achar perigoso”, conta. Ao lado do namorado, o técnico em comunicação Adriano Naves Rodrigues, de 31 anos, ela prestigiou a estreia da retomada do Chorinho na semana passada. “Gostei muito do local, que é amplo e bem espaçoso para o público”, conta. Ela disse apenas ter sentido falta da presença de mais policiamento no entorno da Estação Ferroviária e da falta de sinalização para estacionar no local. As obras do BRT e o funcionamento da Feira Hippie dificultaram o acesso.

De acordo com o secretário municipal de Cultura, Zander Fábio, a sinalização de trânsito será melhorada e a segurança dos frequentadores foi um dos pontos mais priorizados nessa retomada. “A questão dos próprios ambulantes não é fácil de se controlar, mas temos um posto da Guarda Civil Metropolitana na Estação e também contamos com apoio da Polícia Militar. Queremos um evento seguro para que todas as famílias possam aproveitar da boa música”, explica. 
 

Programação Chorinho 2021

19/11

19h -Bruno Rejan e Grupo

20h15  - João Nogueira – 80 anos

Local: Centro Cultural Estação Cultura – Antiga Estação Ferroviária – Centro

 

26/11

19h – Leandro Mourão e Banda

20h15 – Pó de Mico

Local: Centro Cultural Estação Cultura – Antiga Estação Ferroviária – Centro

 

03/12

19h – Rozi Miranda convida Caetano Bartolo

20h15 – Grupo Dengo

Local: Palácio da Cultura, Setor Universitário

 

10/12

19h – Karine Serrano e Nonato Mendes

20h15 – Diego Mendes

Local: Palácio da Cultura, Setor Universitário

 

17/12

19h - Face Quarteto

19h40 - João Garoto e Grupo Brasileirinho

20h15 - Beaju

21h - Nóys é Nóys

Local: Palácio da Cultura, Setor Universitário